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24 março, 2016

Tracção Animal vista como método alternativo e complementar em trabalhos agrícolas


O uso de animais em trabalhos agrícolas e florestais está a despertar cada vez mais interesse. Pelo segundo ano, a Associação Portuguesa de Tracção Animal (APTRAN) organizou um curso avançado de Gestão Agro-Florestal com tracção animal, e as inscrições esgotaram. João Rodrigues, o presidente da associação considera que esta formação, pouco comum em Portugal, é bastante valorizada e a gestão com recurso a animais cada vez mais procurada. “Há cada vez mais pessoas a utilizar este recurso. A APTRAN organiza muitas actividades ao longo do ano, este curso foi aprovado pelo conselho científico do Instituto Politécnico de Bragança (IPB) tem créditos ECTS, e tem tido muita procura porque cada vez mais há gente a preocupar-se com a redução do impacto da actividade agrícola e florestal. Pelo segundo ano esgotamos as inscrições do curso”, afirma. O curso pretende dar a conhecer as potencialidades do uso de equídeos de tracção num contexto moderno, mostrando as vantagens que pode oferecer, nomeadamente, no uso em terrenos como hortas, vinhas ou na gestão florestal. João Rodrigues entende que ao uso de animais pode ter vantagens na criação de modelos de desenvolvimento sustentável, por ser um método alternativo mas também complementar. “A utilização de animais é vista como uma alternativa, mas também como complementaridade”, frisa. Os participantes viajaram até Bragança de várias partes do país. A maioria tem já animais e pretende utilizá-los para ajudar no cultivo. Miguel Lemos, de Barcelos, é produtor de leite de vaca e, perante a crise do sector, pondera “fazer uma conversão na sua exploração para produção biológica usando tracção animal”. Apesar da mecanização agrícola, o uso da tracção animal ainda encontra entusiastas e ganha novos adeptos por todo o país.

Publicado em 'Rádio Brigantia'.

Protocolo entre o IPB e o INIAV vai permitir potenciar a investigação na área agroalimentar


O Instituo Politécnico de Bragança (IPB) e o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) assinaram um protocolo de cooperação em matérias como o ensino e projectos de investigação nacional e internacional.
As intenções do acordo passam por potenciar a capacidade de investigação, e contribuir para o aumento da competitividade e rentabilidade das culturas. De acordo com o presidente do IPB, Sobrinho Teixeira, vão ser criadas sinergias entre as duas entidades para valorizar o sector agroalimentar da região. “Com o protocolo, seleccionamos áreas onde o INIAV e o IPB têm investigadores de referência, e que têm a ver com toda a problemática que existe no sector primário na região, vamos poder encontrar sinergias e troca de experiências na área da investigação”, explica o presidente do IPB, Sobrinho Teixeira.
O presidente do INIAV, Nuno Canada, explica que foram escolhidas áreas de intervenção em matérias consideradas cruciais para a região. “Na prática o protocolo vai permitir que duas instituições de referência na área do agro-alimentar trabalhem em conjunto para valorizar os produtos da região de Trás-os-Montes. Em conjunto, vamos trabalhar no sentido de promover o aumento de competitividade e a rentabilidade dos agricultores que trabalham nestas várias áreas”, salientou o presidente do INIAV, Nuno Canada.
O protocolo terá ainda como resultado prático o incremento da capacidade instalada em matéria de pesquisa e inovação científica. O protocolo entrou já em vigor e espera-se que comece a ter efeitos práticos já a partir do mês de Abril.

Publicado em 'Rádio Brigantia'.

11 dezembro, 2015

Desemprego jovem aumenta procura de cursos de Agronomia


O aumento do desemprego entre os jovens está a levar a um crescimento da procura de cursos da área de Agronomia, adiantou o Presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), que participou no I Congresso Nacional das Escolas Superiores Agrárias (CNESA), que decorreu quarta e quinta-feira em Bragança. Joaquim Mourato admitiu que durante uns anos “estes cursos tiveram uma quebra na procura, mas nos últimos dois anos estamos a ter sinais de uma quebra e um abrandamento em algumas áreas das Ciências Agrárias”. A retoma na procura dá um sinal de esperança aos responsáveis das Escolas Superiores Agrárias que acreditam que “a agricultura e a pecuária vão melhorar e surgirão muitos projetos inovadores que darão lugar a empresas e permitirão criar emprego”, destacou o presidente do CCISP. “Onde há emprego obviamente há procura e o ensino superior vai beneficiar desse crescimento”, realçou.

Oito Agrárias no debate
O I Congresso juntou em Bragança oito escolas superiores agrárias do país e mais de 200 investigadores, o que confirma a importância crescente da agricultura e a vitalidade das instituições de ensino superior que driblaram a crise. Nos anos 80 e 90 houve uma quebra acentuadíssima no setor da agricultura e consequentemente a procura caiu.
Os cursos de Agronomia não captam muitos alunos do Concurso Nacional de Acesso, todavia atraem o público adulto, “que completam as vagas disponíveis”, reconheceu o responsável do CCISP, que defendeu que as escolas superiores agrárias deviam disponibilizar cursos de doutoramento.
Sobrinho Teixeira, presidente do Instituto Politécnico de Bragança (IPB) notou que os dados disponibilizados pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional indicam que os jovens licenciados nas área da Agronomia têm das mais baixas taxas de desemprego, na ordem dos 3%. “A agricultura revelou-se nestes anos de crise uma reserva estratégica nacional e uma das áreas que mais exportou”, destacou. O presidente do IPB considera que é preciso fazer uma mudança de paradigma, porque os jovens quando saem do 12º ano “dificilmente escolhem a área agrícola porque têm a ideia dos agricultores com mais de 60 anos e é uma vida que não querem”. Acabam por mudar de opinião “quando frequentam os cursos de especialização tecnológica e os cursos superiores profissionais, que os levam a mudar as escolhas e voltam-se para a área agícola”.

“É preciso inteligência para desenvolver a agricultura”
O anterior secretário de Estado da Alimentação e da Investigação Agro-alimentar, Nuno Vieira e Brito, que participou no congresso, considera que o momento atual “é crucial” para a agricultura transmontana “por se estar na fase apoios comunitários”, pelo que sugere a definição de estratégias de desenvolvimento em áreas fundamentais como o azeite, a transformação de produtos locais à base de raças autóctones, os vinhos, castanha e frutos secos.
“Estes setores têm cada vez mais atração dos mercados internacionais e maior procura, além de que é preciso aproveitar a ideia da alimentação saudável”, sublinhou Nuno Vieira e Brito, que defende que além de criar escala é preciso apostar “na inovação e na transformação”. O setor creceu nos últimos anos. “Há fundos, agora é preciso inteligência para desenvolver a agricultura e o setor agro-alimentar, criando pequenas empresas, produzir bem e comercializar melhor”, referiu. Nuno Vieira e Brito acredita que a agricultura pode absorver jovens qualificados que se forma em cursos de Agronomia.

Publicado em 'Mensageiro'.

04 dezembro, 2015

Inovação em destaque no I Congresso Nacional de Escolas Agrárias


A investigação e a inovação no sector primário estiveram em destaque no I Congresso Nacional de Escolas Superiores Agrárias que decorreu em Bragança no Instituto Politécnico.
Mais de duas centenas de instigadores participaram na iniciativa onde foram apresentados vários trabalhos de investigação desenvolvidos nas 8 escolas superiores agrárias do País.
Um deles foi o projecto de uma das equipas que trabalha no Centro de Investigação e Montanha do IPB na área agroalimentar. Produzir corantes e conservantes a partir de plantas e cogumelos para eliminar ou reduzir os níveis de toxicidade que os químicos tradicionais apresentam nos alimentos tem sido o trabalho desenvolvido nos últimos anos. “Começámos a fazer estudos de aplicação de algumas plantas e cogumelos que se revelaram mais promissoras, para as incorporar em alimentos para substituir aditivos químicos, como corantes e conservantes”, esclarece a investigadora Isabel Ferreira.
Albino Bento, presidente da Agrária de Bragança e membro da organização do evento defende que o sector primário é bastante inovador actualmente, o que se deve em grande parte ao trabalho de investigação desenvolvido nas escolas superiores. “Os politécnicos têm a sua quota parte de responsabilidade na inovação no sector agroalimentar e têm uma dimensão apreciável no contexto professores e investigadores que trabalha no país”, salienta.
Dentro de dois anos os representantes e investigadores das escolas superiores agrárias nacionais vão reunir-se novamente, o próximo congresso será em Portalegre.

Publicado em 'Rádio Brigantia'.

IPB reforça cooperação com os PALOP na área das Ciências Agrárias


A Escola Superior Agrária de Bragança (ESAB) recebeu a reunião anual da Associação de Ensino Superior em Ciências Agrárias dos Países de Língua Portuguesa (ASSESCA- PLP), que teve lugar na passada segunda-feira, onde mais uma vez ficou implícita a vontade de aumentar a cooperação entre as instituições portuguesas e as dos restantes países da lusofonia.
Há vários projetos em curso, como a mobilidade dos alunos, dupla titulação de cursos, bem como a ministração de licenciaturas e mestrados nos PALOP. “Há um objetivo comum, o de fortalecer e fomentar a área agrária nos países da lusofonia e da CPLP, porque representa uma reserva estratégica para os países e para a eliminação e erradicação da pobreza e da fome”, explicou Sobrinho Teixeira, presidente do IPB.
Está ainda a ser perspectivada uma ligação estreita dentro da CPLP para aumentar a produção alimentar. “Pode ser feito através da extensão da área agrícola de acordo com a realidade de cada país e o aumento da qualificação de pessoas e técnicos para que eles possam induzir o desenvolvimento da atividade agrícola dessa região”, adiantou o responsável. Já estão agendadas ações de formação cá e lá.

Agrária tem 850 alunos 
O IPB mantém estreitas relações com institutos politécnicos de São Tomé e Príncipe, Moçambique, Angola e Timor Leste, para onde deslocam docentes. “Esta reunião tem como objetivos juntar todos os intervenientes, bem como reitores e presidentes das instituições, no sentido de podermos encontrar novas formas de aprofundamento”, acrescentou Sobrinho Teixeira. As técnicas de combate a algumas pragas, como a mosca da azeitona, podem ser estendidas a produções tropicais.
O presidente da ASSESCA-PLP, Hortênsio Comissal, que presidiu à reunião em Bragança, referiu que a agricultura é um sector fundamental, mas em alguns dos países dos PALOP “a investigação ainda não está muito desenvolvida, daí que seja fundamental esta troca de experiências para alavancar os países do terceiro mundo”.
A análise de programas de financiamento para programas de investigação e desenvolvimento foi outro tema em destaque. O presidente da Escola Agrária, Albino Bento, deu conta que são muito procurados por alunos estrangeiros, mas não só dos PALOP. “A Agrária tem este ano 850 alunos. Nos últimos dois anos a procura tem aumentado”, notou. Os mestrados desta escola são mais frequentados por alunos estrangeiros do que pelos nacionais. “Se não fossem os que vêm de fora provavelmente só tínhamos um mestrado em funcionamento, assim temos sete em curso. Não temos só alunos de língua portuguesa, pois temos também de Marrocos, Tunísia e outros”, acrescentou.

Publicado em 'Mensageiro'.

IPB impõe-se na cooperação com países lusófonos no ensino agrário


O IPB tem-se afirmado no desenvolvimento de projectos de cooperação com os países lusófonos nomeadamente a nível agrícola.
A aposta que tem vindo a crescer, vai reflectir-se agora na promoção de um mestrado conjunto de Agro-Ecologia, que vai ser criado no Instituto Superior Politécnico de Gaza, em Moçambique, com a ajuda da Escola Superior Agrária.
É o primeiro mestrado da instituição e vai arrancar na comemoração do décimo aniversário da escola superior moçambicana. Hortêncio Comissal, director do Instituto Superior Politécnico de Gaza, refere que a colaboração do IPB será essencial para o desenvolvimento desta oferta formativa, já que “80 por cento dos docentes serão do IPB”. “Portugal está muito avançado na investigação. O IPB e outras instituições portuguesas vão ajudar-nos a desenvolver essa área da investigação e a formar os nossos quadros”.
Na cooperação de três anos com o IPB, já houve a formação em Bragança de mais de uma dezena de professores do instituto moçambicano, que frequentaram mestrados. É um dos vários exemplos que se repete em diversos países africanos de língua oficial portuguesa “O IPB tem cooperação com quase todos os países lusófonos com a ida de professores do IPB por alguns períodos de tempo”, adianta Albino Bento, o presidente da Escola Superior Agrária de Bragança.
A cooperação com países lusófonos tem vindo a intensificar-se, e tem contribuído para “o desenvolvimento das instituições e desses países”. As parcerias e os instrumentos para financiar as colaborações entre instituições de ensino foram assuntos debatidos na reunião da associação de ensino superior em ciências agrárias dos países de língua portuguesa, que aconteceu nos últimos dois dias no IPB.

Publicado em 'Rádio Brigantia'.

30 novembro, 2015

De Bragança para o Mundo!

Conheça um pouco melhor a Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Bragança.
 A transferência de conhecimento e o apoio à comunidade são um dos grandes pilares da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Bragança. Neste sentido, o que tem sido feito nos últimos anos?

Em termos de ligação à comunidade, a ESA mantém protocolos de cooperação com diferentes instituições, às quais concede apoio técnico, laboratorial, realiza estudos e presta diversos outros serviços.
Em cada uma destas áreas podemos destacar:
• Apoio técnico/estudos: Apoio técnico (controlo da atividade reprodutiva) à Associação Nacional dos Criadores da Raça Churra Galega Bragançana (ACOB) e ANCRAS - Cabra Preta de Montesinho.
Atualmente a ESA está envolvida em diversos estudos, caso da avaliação do desempenho de olival intensivo e outro superintensivo da Terra Quente Transmontana, da monitorização da qualidade ecológica fluvial em pequenos aproveitamentos hidroelétricos, em projetos de recuperação e integração paisagística do Aproveitamento Hidroelétrico do Baixo Sabor e na elaboração de projeto de atividades de Centros de Interpretação ambiental e recuperação animal (CIARA).
• Apoio laboratorial: Análises de solos e recomendações de fertilização, diagnóstico sanitário de animais, análise de alimentos (azeite, vinho e produtos apícolas), análises de águas, entre outros. Destacam-se os laboratórios de análises anatomopatológicas de abelhas e de resíduos de antibióticos no mel, reconhecidos no Programa Apícola Nacional.
• Formação: IP: FORREC, Traditionally the main function of forests in Europe has been wood production; SPinSMEDE, Soil Protection in Sloping Mediterranean; IPM, Advanced Topics in Integrated Pest Management; Curso Avançado de olivicultura e Tecnologia do Azeite, para colegas do Brasil. De referir ainda a organização de congressos nacionais e internacionais, como é o caso do I International Conference on Research for Sustainable Development in Mountain Regions - outubro de 2016. Mais informação consultar em http://esa.ipb.pt/eventos.php

Muitos são os projetos de investigação a decorrer na ESA e no Centro de Investigação de Montanha (CIMO), todos eles, com excelentes profissionais na liderança. Como se pode caracterizar o Centro de Investigação de Montanha (CIMO)?
O CIMO é uma UI&D multidisciplinar em ciências agrárias e florestais, cuja investigação visa contribuir para o desenvolvimento sustentável das regiões de montanha. Para o efeito tem como objeto de investigação temas da maior relevância para estes espaços, como sejam a valorização dos recursos naturais endógenos, dos sistemas de produção florestal, dos sistemas agro-pecuários e dos produtos de montanha.

Quais são as áreas foco do CIMO?
Desde 2008 a investigação desenvolvida no CIMO está focada nas seguintes temáticas: i) agroecologia de culturas perenes como o olival, o souto e o castinçal; ii) caracterização e tecnologia dos produtos daí resultantes; iii) valorização dos sistemas de produção florestal, dos sistemas agro -pecuários de montanha, da apicultura e de outros recursos/produtos como os cogumelos e as plantas aromáticas e medicinais; iv) a caracterização, transformação e segurança alimentar, e v) a identificação de propriedades bioativas e nutracêuticas dos produtos de montanha. O CIMO está organizado em três grupos de investigação: Tecnologia e Segurança Alimentar, Serviços de Ecossistemas de Áreas Marginais e Sistema de Agricultura de Montanha. Em resposta às solicitações da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) a investigação realizada por estes grupos foi reestruturada em 2013 em cinco grandes linhas temáticas: Castanheiro: agroecologia e tecnologia dos produtos do souto e do castinçal; Oliveira: agroecologia e tecnologia dos produtos do olival; Sustentabilidade de sistemas de produção e exploração em áreas de montanha; Qualidade ambiental e conservação dos recursos naturais; e Produtos de montanha: inovação, qualidade e segurança.

Como se posiciona o CIMO no seu domínio científico?
A produção científica do CIMO destaca-se no âmbito dos sete centros nacionais de ciências agrárias e florestais financiados pela FCT. De acordo com o último estudo bibliométrico conduzido pela FCT (www.fct.mctes.pt), o CIMO ocupa a 1ª posição nos indicadores “Publicações por investigador a tempo integral”, “Citações por investigador a tempo integral”, “Colaborações Nacionais”, e a 2ª posição nos indicadores “Índice- H”, “Impacto”, “Publicações no top 25 por cento”, “Publicações no top dez por cento” e “Publicações no top cinco por cento”. Alargada a comparação aos 45 centros do domínio científico Ciências Naturais e do Ambiente, o CIMO continua a ocupar lugares cimeiros, como por exemplo nas “citações por investigador a tempo integral”, onde mantém o 2º lugar.

Qual a projeção do CIMO a nível internacional?
Os grupos de investigação do CIMO têm-se mostrado competitivos quer na produção científica, quer na captação de financiamento internacional, nomeadamente da Comissão Europeia, em convocatórias muitíssimo concorridas. Alguns dos seus investigadores ocupam posições de destaque em rankings científicos internacionais e encontram- se na lista dos cientistas mais citados à escala global (por exemplo, Thomson Reuters).

Como se consegue entender a classificação atribuída ao CIMO?
Foi entregue no prazo legal uma reclamação junto da FCT. Aguardamos uma resposta que tenha em consideração as evidências antes enunciadas.

Publicado em 'Revista País Positivo - Edição nº88, Dezembro 2015'.

20 novembro, 2015

FlorNext permite simular o crescimento das florestas


Já existe uma ferramenta que permite antever o futuro de uma floresta, nomeadamente o seu crescimento. Trata-se do FlorNext - Simulador de Crescimento e de gestão das florestas do Nordeste Transmontano. “É possível utilizar variáveis que descrevem os povoamentos, diâmetros e alturas das árvores e, com base nisso, podem simular o crescimento da floresta no futuro, bem como simular operações de desbaste”, explicou João Azevedo, investigador do Departamento de Ambiente e Recursos Naturais & Centro de Investigação de Montanha (CIMO), no Instituto Politécnico de Bragança.
O simulador foi apresentado publicamente na Escola Superior Agrária, na passada quinta- feira, num workshop onde se deu conhecer esta inovadora ferramenta de modelação on-line destinada à gestão florestal na região e proporcionar aos participantes conhecimentos base para a sua utilização. “Quer os proprietários, quer os responsáveis por organismos ligados à floresta podem tirar partido desta utilização gratuita e, assim, melhorar a gestão, bem como a oferta de produtos linhosos do setor”, acrescentou o investigador.
O acesso ao portal é gratuito e podem simular o que poderá vir a ser o seu projeto florestal. “É um instrumento que foi perspetivado para unidades de floresta, ou seja parcelas, que permite a sua utilização a uma escala mais ampla, como a regional”, descreveu João Azevedo. Por exemplo: “Um potencial investidor pode a partir desta ferramenta obter estimativas de crescimento nesta região. O que é importante em termos de planeamento e de organização da atividade económica e técnica”. Os dados obtidos através do portal podem servir para o proprietário florestal valorizar os povoamentos. “Podem avaliar- se as florestas de pinheiro bravo, o volume, o desbaste e ter acesso à biomassa e ao carbono”, sublinhou Juan Fernadez Peres, investigador do IPB.

Publicado em 'Mensageiro'.

Diplomados do IPB podem ajudar a dinamizar setor dos pequenos ruminantes


 “É preciso aumentar o efetivo de caprinos e ovinos na região transmontana e motivar os mais jovens a apostar neste setor que pode trazer muita rentabilidade no futuro”. O desafio foi lançado pelo Secretário de Estado da Alimentação e da Investigação Agro-Alimentar na CAPRA 2015, a reunião nacional de caprinicultores e ovinicultores, que terminou, em Mirandela, no sábado.
Nuno Vieira e Brito diz ser “indispensável um maior associativismo no setor por forma a ganhar escala e poder ser possível avançar com projetos com maior sustentabilidade para entrar em outros mercados”, sustenta.
Já o presidente do Instituto Politécnico de Bragança (IPB) assumiu que a instituição tem de ser o motor de desenvolvimento do setor. “Já temos vindo a trabalhar na investigação e inovação com a criação de produtos alternativos, como o presunto de cabra e de ovelha, que podem vir a ser exportados para os mercados islâmicos”, refere Sobrinho Teixeira.
No entanto, o presidente do IPB entende que o desafio agora é outro. “Temos de aproveitar os jovens que estão a ser diplomados no IPB, na área da agricultura, para enveredarem pelos sectores da caprinicultura e ovinicultura”, afirma.
Para o presidente da ANCRAS (Associação Nacional de Caprinicultores da Raça Serrana), essa é a principal dificuldade do setor. “Atualmente, a maioria dos pastores tem mais de 65 anos e torna- -se difícil mudar mentalidades muito enraizadas, pelo que a vinda de jovens para o setor seria determinante para adotar novas práticas e uma maior abertura às novas tecnologias”, conta Arménio Vaz, um dos oradores da CAPRA 2015 que, ao longo de três dias reuniu investigadores, técnicos de agro-pecuária, criadores e produtores para debater temas relevantes para a fileira dos pequenos ruminantes.
A organização deste evento de âmbito nacional foi da responsabilidade da Associação Nacional de Caprinicultores da Raça Serrana (ANCRAS), do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), da Associação Nacional de Criadores de Ovinos da Raça Churra Galega Bragançana (ACOB) e da International Goat Association (IGA).

Publicado em 'Mensageiro'.

17 novembro, 2015

IPB desenvolve ferramenta para ajudar a gerir florestas

O Instituto Politécnico de Bragança desenvolveu uma plataforma online que promete ajudar os proprietários de florestas do nordeste transmontano.
A plataforma “Flor Next” foi criada no âmbito do projecto “SIMWOOD”. Trata-se de um projecto sustentado por fundos comunitários que apoia ideias inovadoras que tenham como objectivo disponibilizar as matérias-primas das florestas, promovendo uma gestão eficiente dos recursos florestais.
A plataforma desenvolvida pelo IPB é a primeira do género em Portugal. O investigador João Azevedo, responsável pelo projecto, acredita que esta ferramenta “vai contribuir para dinamizar os mercados florestais da região”.
João Azevedo garante que a plataforma vai ser útil para a gestão de florestas localizadas qualquer tipo de terreno, desde os baldios até às áreas protegidas, como é o caso do parque Natural de Montesinho.
O projecto que apoiou o desenvolvimento da plataforma agora apresentada tem 28 instituições parceiras em 11 países europeus. Em Portugal tem protocolos com o IPB e a Universidade Técnica de Lisboa.

Publicado em 'Rádio Brigantia'.

06 novembro, 2015

Produtores de lúpulo querem apostar em variedades mais rentáveis

Produtora de cerveja artesanal no Porto lançou cerveja e campanha para apoiar os produtores de lúpulo de Bragança. IPB e Direcção Regional de Agricultura também querem apoiar a introdução de novas variedades desta cultura
 A empresa “Os Três Cervejeiros”, com sede no Porto, está a levar a cabo uma campanha de apoio à produção de lúpulo em Portugal, que resiste apenas no distrito de Bragança com um produtor em Pinela e outro em Vinhas.
A empresa, que produz a cerveja artesanal da marca “Sovina”, esteve presente na última edição das Jornadas de Lúpulo e Cerveja, organizadas pelo Instituto Politécnico de Bragança no verão passado, e decidiu produzir uma cerveja com lúpulo fresco, colhido em Bragança.
No entanto, os ingredientes da cerveja artesanal são normalmente importados, pois em Portugal não existe produção de lúpulo aromático, o mais apreciado para esta cerveja. “Praticamente todos os ingredientes vêm de fora. O lúpulo que eles produzem é um lúpulo de amargor que não tem muito interesse para as cervejas artesanais. Estamos mais interessados em lúpulos aromáticos, que são lúpulos com muito mais valor acrescentado no mercado”, referiu ao Jornal Nordeste Arménio Martins, mestre cervejeiro desta empresa.
Para produzir a cerveja de lúpulo fresco, os empresários portuenses foram a Pinela colher o lúpulo no final do verão passado. Dias depois, o campo foi atingido por um mini tornado, que destruiu parte da estrutura do campo, totalizando um prejuízo de cerca de 50 mil euros. Uma situação que levou a “Os Três Cervejeiros” a lançarem a campanha “Apoio á produção de lúpulo em Portugal”, através da plataforma crowdfunding, disponível na internet. “Ficámos sensibilizados com a tragédia e decidimos lançar uma campanha para tentar dar uma pequena ajuda ao produtor. Uma parte das vendas das garrafas de cerveja de lúpulo fresco reverte também a favor da campanha”, conta Arménio Martins. A campanha decorre até ao dia 14 deste mês e tem como objectivo angariar, pelo menos 2500 euros. O objectivo é apoiar o produtor de Pinela, António Rodrigues, a recuperar a plantação perdida com a tempestade, com a oferta das primeiras plantas para o seu viveiro no valor de 1500 euros. A empresa quer ainda ajudar o produtor de Vinhas, Humberto Sá Morais a introduzir espécies mais rentáveis, com uma oferta no valor de mil euros. “Sabemos que a região de Trás-os-Montes tem as condições ideias para a plantação de lúpulo e estamos a tentar com o IPB e os produtores revitalizar a produção de lúpulo no distrito de Bragança, acrescentou Arménio Martins.
O produtor de Pinela, explica que além da empresa de cerveja artesanal, o Instituto Politécnico de Bragança vai prestar apoio técnico para ensaiar a plantação de novos tipos de lúpulo. “Os lúpulos aromáticos nunca foram ensaiados em Portugal. Vamos testar novas variedades para ver se podem ser rentáveis nesta região. As plantas têm um custo um pouco elevado, uma vez que terão de vir de viveiristas alemães”.
O Direcção Regional de Agricultura do Norte também já se mostrou disponível para apoiar os produtores de lúpulo. Além de estar a acompanhar o caso da destruição parcial do campo de lúpulo em Pinela, este organismo está empenhado em encontrar formas de apoiar especificamente esta produção, através de fundos comunitários. “O acompanhamento desse caso é um assunto e outra coisa é estarmos a pensar fazer com que, em relação ao lúpulo, haja um incentivo para haverem mais projectos. Mas isso depende muito dos preços de mercado do lúpulo que, neste momento, não são internacionalmente vantajosos e, portanto, estamos a estudar até quando será estratégico ou não avançar nessa linha”, referiu o director regional, Manuel Cardoso.

Publicado em 'Jornal Nordeste'.

05 novembro, 2015

SOS para recuperar os rios repovoando-os com espécies autóctones


Salvar os rios do Nordeste Transmontano e as suas espécies autóctones, que estão em risco de desaparecer, é a missão principal do “SOS- Save our spicies”, um projeto desenvolvido em parceria entre o Instituto Politécnico de Bragança (IPB), o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e várias associações locais para proteger os peixes e valorizar os cursos de água para o turismo e a pesca desportiva.
Este assunto foi o tema central do Dia Aberto do Parque Natural de Montesinho, área protegida que já conta com 36 anos, no passado sábado, assinalado no Posto Aquícola de Castrelos, em Bragança. Este ano passaram 600 visitantes por este fluviário.
Espécies como o bordalo, a panjorca e os bivalves (mexilhões do rio) estão a ser criados em laboratório, fora do seu local de origem, mas podem ser usadas para repovoar os rios da região. “A ideia passa por recuperar os habitats naturais e voltar a reintroduzir as espécies que sempre viveram lá”, explicou Amílcar Teixeira, docente do IPB. Tratam- se de espécies cujo interesse em termos de conservação da natureza “é enorme”, apesar de não terem relevância em termos da gastronomia típica que atrai muitos turistas, por exemplo à Foz do Sabor.
Identificaram-se os problemas e foram propostas medidas de mitigação e reabilitação dos locais. É preciso manter os ecossistemas. Insiste-se numa mensagem específica direcionada aos pescadores para que pratiquem a pesca sem morte: “não é preciso levarem 40 trutas para casa, o melhor é levar uma ou duas para consumir e colocar no rio as restantes 38”.
Dois dos maiores rios da região, o Sabor e o Tua, sofreram mudanças profundas graças à construção de barragens que reduziram “substancialmente” os habitas naturais de várias espécies, referiu o docente que defende que “é preciso salvaguardar os troços acima das albufeiras para recuperar as espécies que sempre existiram e que têm um elevado valor em termos de conservação”.
A Educação Ambiental é outra vertente do projeto, bem patente no Posto Aquícola de Castrelos, onde existe uma truticultura que fornece espécies para a industria, e vários aquários com outros peixes, como a panjorca e bordalo “únicas, pois são endemismos ibéricos”, destacou. Para Amílcar Teixeira o desafio passa por projetar economicamente os sistemas “fabulosos da região” para o turismo, um benefício indireto que pode ser associado à pesca desportiva e à gastronomia.
O diretor do Departamento de Conservação da Natureza do Norte, Rogério Rodrigues, adiantou que estes recursos são geradores importantes para a promoção económica, turística e das economias locais. A truta tem um peso considerável na economia. Só a espécie fario, que existe no Nordeste, chama muitos pescadores. O ICNF entrega por ano mais de 16 mil trutas para aquacultura industrial.

Publicado em 'Mensageiro'.

09 outubro, 2015

Ensino superior é uma realidade em Valpaços

O ensino superior é já uma realidade no concelho de Valpaços. O curso Técnico Superior Profissional de Viticultura e Enologia tem 25 alunos inscritos e o ano lectivo arrancou esta segunda-feira, 5 de Outubro.
Teve lugar no auditório da Casa do Vinho a cerimónia de início do ano lectivo 2015/2016, presidida pelo Presidente da Câmara Municipal de Valpaços, Amílcar Almeida.
No dia que ficou marcado pelo concretizar de um objectivo há muito esperado pelo executivo municipal, Francisco Pavão, Presidente da CVRTM – Comissão Vitivinícola Regional de Trás-os-Montes, parabenizou o Município Valpacense e o IPB – Instituto Politécnico de Bragança – pela parceria e objectivo alcançado, estando certo que o curso “vai melhorar o sector no concelho e na região”.
Albino Bento, director da Escola Superior Agrária do IPB, também se mostrou satisfeito pelo curso que tem como base lectiva 20 horas semanais, com quatro horas diárias, durante o período da tarde. “É um curso muito específico para quem se quer dedicar ao sector, que abrange uma formação muito completa”, referiu, apresentado João Verdial como coordenador do Curso Técnico Superior Profissional de Viticultura e Enologia, em Valpaços.
João Sobrinho Teixeira, Presidente do IPB, enalteceu a aposta arrojada do Município liderado por Amílcar Almeida na concretização do curso, parabenizando todos os envolvidos. O responsável falou da instituição, que está entre as melhores do país, e que o leccionar do curso em Valpaços pode ser “um motor para atenuar as diferenças regionais”.
Da parte da Junta de Freguesia de Valpaços e Sanfins, Arnaldo Mourão mostrou disponibilidade total da parte daquela instituição para que o início do ensino superior na cidade decorra da melhor forma.
Amílcar Almeida não podia estar mais satisfeito por mais uma “batalha ganha”. “Hoje é um dia histórico para Valpaços. Recebemos o ensino superior e num sector que tanto nos diz. Temos feito tudo em prol do sector primário, nomeadamente no sector vitivinícola e aqui está mais uma prova”. Além de elencar uma série de iniciativas levadas a cabo nesse sentido pelo executivo camarário desde que tomou posse, o Presidente da Câmara Municipal de Valpaços levantou o véu a outros projectos que estão em cima da mesa no que toca a formação e falou do aproveitamento de outras instalações públicas ao serviço dos mesmos.
Os Cursos Técnicos Superiores Profissionais são uma nova formação com duração de dois anos, que incluem seis meses de estágio numa empresa. São cursos de Nível 5 do Quadro Nacional de Qualificações, que conferem o Diploma de Técnico Superior Profissional.
Os alunos que frequentem estes cursos têm a mesma oferta e vantagens que os estudantes de uma licenciatura ou mestrado nomeadamente ao nível da acção social e da obtenção de bolsas.
A nova formação permite o desenvolvimento de competências técnicas específicas para iniciar uma actividade profissional. A integração em contexto de trabalho é feita de imediato, através do estágio, o que representa um maior potencial de empregabilidade.
Valpaços, um concelho por excelência dedicado à produção de vinho de qualidade, recebe, assim, um curso que tem em conta a realidade da região. Uma aposta no futuro com vista a fixar população, criar dinamismo económico e maior qualidade de vida.
As aulas têm lugar na Casa do Vinho, em Valpaços.

Publicado em 'Município de Valpaços'.

24 julho, 2015

Instituto Politécnico de Bragança, Portugal, disponibiliza vagas e bolsas para estudantes do Paúl, Santo Antão




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Própolis um negócio por explorar

 A própolis é cada vez mais valorizada no mundo inteiro pelas suas propriedades benéficas para a saúde. É uma substância resinosa obtida pelas abelhas através da colheita de resinas da flora que serve de protecção para a colmeia. O investigador do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), Miguel Vilas Boas, é o líder do grupo própolis da Comissão Internacional do Mel. O especialista explica o trabalho que o grupo desenvolve nos 14 laboratórios internacionais de 11 países diferentes onde testam uma série de métodos que esperam que sejam aplicados e apresentados já no final do mês de Setembro no Congresso Mundial de Apicultura que vai decorrer em Seul, na Coreia.
“O nosso objectivo é muito evidente, é definir metodologias que sejam aplicadas por todos e depois que daí saia legislação, provavelmente europeia”, define Miguel Vilas Boas.
A falta de legislação não permite a acreditação do produto o que faz com que haja poucos apicultores preocupados com a extracção da própolis, muito procurado pela indústria farmacêutica mundial.
Para este investigador, a maioria dos apicultores ainda não tem noção das potencialidades que os produtos resultantes das colmeias, sem ser o mel, têm. “Basicamente não há uma noção sequer do que são impactos em termos de outras produções. O pólen é claramente a segunda produção em termos de produtos apícolas, tirando a cera, aqui não falo da cera porque está sempre associada à produção de mel e é principalmente utilizada para a própria apicultura e não tanto para, digamos, o mercado, os cosméticos, a protecção de produtos em termos de queijos ou maçãs que se põem películas de cera”, enumera Miguel Vilas Boas.
Segundo o investigador, a maior dificuldade do extracção de própolis é que para se conseguir uma dimensão em termos de produção, os apicultores têm de se agregar ou terem cerca de 5 mil colmeias. “Quem está mais vocacionado para este produto até são os produtores mais novos com 100/200 colmeias. E esses sim começam a produzir”, refere.
As empresas externas que procuram a própolis querem comprar mais de 150 kg de cada vez, o que obriga os apicultores a agregarem-se para poder abastecer as encomendas. Contas feitas são precisos cerca de 20/30 apicultores para produzir essa quantidade. Por cada colónia é possível extrair cerca 250gr por ano, sendo precisas quatro colónias para produzir um kg.
A própolis não tem sido devidamente valorizado, são poucos os apicultores que se dedicam à sua produção mesmo necessitando de um investimento muito baixo (2 a 3€/colmeia no máximo), fácil e rapidamente amortizável. No entanto, a procura existe e o escoamento continua a ser possível, em pequena escala, a produção é mínima, mas todo o que se recolhe é facilmente vendável a preços que oscilam entre os 30 e 95 euros/ kg , dependendo da cor/qualidade e modo de obtenção.

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Hidromel, champanhe e vinagre são produtos que completam a colmeia

 Desde os tempos mais remotos o Hidromel já era caracterizado como a bebida dos deuses, afrodisíaca, que quando as mulheres casavam tomavam para engravidarem. Mas, no fundo são as propriedades de intensidade de mel e microbianas que esta bebida fermentada alcoólica tem que a maioria das pessoas aprecia.
A investigadora de produtos da colmeia do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), Letícia Estevinho, foi pioneira na investigação e concepção de Hidromel. Começou por produzir a partir de mel de primeira categoria, mel claro e mel escuro. Desenvolveu a receita e neste momento já tem duas fórmulas optimizadas, actualmente investiga uma forma de produzir Hidromel somente com produtos naturais como pólen, ceras entre outras, resultando assim um produto biológico. Além disso, agora o Hidromel só é feito com mel de segunda categoria. Para a investigadora só faz sentido se o produto servir para acrescentar rentabilidade à colmeia.
“Era muito diferente trabalhar com vinho e trabalhar com mel. Eu trabalhei algum tempo em vinho, mas tive muitos problemas para optimizar a receita, porque no vinho nós temos vitaminas que é tudo aquilo que as gorduras precisam para fermentar. No mel temos principalmente açúcar, então nós tivemos que desenvolver receitas e conseguimos. Para o mel claro deu-nos muito trabalho, porque o mel escuro é muito mais rico em minerais e o mel claro não tem minerais e nós tivemos que investir, trabalhar e conseguimos felizmente”, explica Letícia Estevinho. O objectivo é que este produto esteja de tal forma optimizado que seja fácil de fazer pelos apicultores. “Já está muita gente a fazê-lo e há pessoas que vêm cá para lhes ensinarmos a fazer Hidromel. Toda a gente sabe que o mel com que estou a fazer, como o mel de lavagem, o mel de cera que ia para a rua ou para a alimentação de abelhas, portanto é uma alternativa viável para eles produzirem e mais uma possibilidade de comercializar um produto. Eu não faço Hidromel com mel de primeira categoria, faço com mel que as pessoas não gostam”, refere a investigadora.

Champanhe de Mel, uma inovação em desenvolvimento
“O Hidromel que as pessoas não apreciam tanto, normalmente aproveito e ou faço vinagre ou champanhe. Eu acho que é uma alternativa e as pessoas estão a gostar bastante do champanhe de Hidromel”, frisa Letícia Estevinho.
E quais são as principais diferenças do champanhe de vinho e o champanhe de Hidromel? A investigadora responde e afirma que é só o sabor porque a receita seguida é a mesma conseguindo um produto de elevada qualidade que acredita ter muito potencial.
Outra forma de aproveitar o Hidromel que não sai bem é também fazer vinagre, um produto que em breve estará no mercado porque o IPB em parceria com uma empresa está a desenvolver um projecto de investigação.

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Importações de abelhas ameaçam sector apícola

 Há quem queira entrar no mundo da apicultura mas gostariam, por exemplo, que as abelhas fo ssem mansas ou que produzissem mais do que o habitual e por essa razão importam animais de outros países, espécies inadaptadas à biodiversidade da região e que podem ameaçar o sector apícola.
A especialista em genética de abelhas do departamento do Ambiente e Recursos Naturais do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), Alice Pinto, defende que se deve melhorar e seleccionar a raça autóctone, a abelha ibérica (Apis mellifera iberiensis), e não andar a fazer misturas com raças que não estão adaptadas à biodiversidade da região transmontana.
A investigadora considera também que é um mau procedimento e um mau investimento andar a importar essas abelhas comerciais, pois, as rainhas depois vão fecundar zangões locais e daí vão resultar espécies que vão ameaçar a raça.
“Em Portugal e Espanha há alguns apicultores que importam essas raças comerciais. Há pessoas que compram muitas vezes porque querem trabalhar com abelhas mansas e nós devemos trabalhar com material genético que foi moldado pela natureza. Não faz sentido, os apicultores pagam bastante dinheiro por raças alteradas geneticamente, como é o caso da Buckfast muito utilizada agora, mas essas rainhas depois fecundam com os machos locais e depois será substituída pela filha que já será uma descendência híbrida. “A nossa abelha é sem dúvida a que tem melhor desempenho”, explica a investigadora.
Segundo Alice Pinto, os estudos científicos de genética de abelhas já publicados apontam que por vezes “é pior a emenda que o soneto” visto que as espécies híbridas resultantes desses cruzamentos criam abelhas ainda mais agressivas, ou melhor, defensivas, porque é agressiva para o ser humano mas no fundo elas só estão a defender- se de agressões externas.
“Em relação à questão da mansidão das abelhas, até é muito fácil melhorar essa característica, em quatro ou cinco anos de selecção consegue-se. E é isso que os apicultores têm de entender para pararem de importar animais”, acrescenta.
A abelha melífera, Apis meilifera L., distribui-se naturalmente na África, Médio Oriente e Europa. A adaptação à diversidade de condições ecológicas climáticas propiciou a evolução de mais de 24 subespécies entre as quais está a Apis mellifera iberiensis, predominante no Norte de Portugal.
A investigadora do IPB, Alice Pinto, está neste momento envolvida num projecto internacional chamado Centro de Conservação da Diversidade da Abelha na Europa e pretende sensibilizar os apicultores para as ameaças que outras espécies podem trazer para o sector.

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17 julho, 2015

Estudo promete aumentar produtividade do amendoal em Trás-os-Montes


Instituições de ensino superior e representantes do sector da amêndoa estão a desenvolver soluções para aumentar a produtividade desta cultura em Trás-os-Montes.
 O projecto está a ser desenvolvido em conjunto pelo IPB, UTAD e cooperativas agrícolas de Alfândega da Fé e de Torre de Moncorvo e pretende definir estratégias para contrariar a tendência da baixa produtividade da amendoeira na região. Em campos de teste instalados em Alfândega da fé e a em Torre de Moncorvo serão testados vários factores que levam à baixa produção, como explica António Castro Ribeiro, investigador do IPB.
“As nossas produtividades são muito baixas em comparações com outros países, como Espanha. Pretendemos implementar estratégias que visam aumentar a produtividade. Vamos avaliar o efeito da rega no aumento da produtividade da cultura, a influência da aplicação dos fertilizantes, monitorizar as principais pragas e doenças na cultura, e o papel das geadas”, salienta.
O projecto que se iniciou em 2015, vai prolongar-se por três anos. Período durante o qual o serão realizadas sessões de esclarecimento aos potenciais interessados em investir nesta cultura, semelhantes à que ontem teve lugar em Alfândega da Fé. Informações que vão ao encontro do interesse por este fruto seco, numa altura em que, de acordo com Eduardo Tavares, presidente da Cooperativa Agrícola de Alfândega, a rentabilidade desta produção atingiu um valor histórico. “Actualmente é um excelente investimento, não é apenas um bom investimento. Este ano o preço está entre 8 a 9 euros por quilo do grão da amêndoa, é um preço histórico. A tendência continua a ser de procura, e não há oferta para essa procura”, refere o também vice-presidente do Município de Alfândega.
A aposta pela produção de amendoal tem vindo a intensificar-se nos últimos anos em concelhos como Torre de Moncorvo, Alfândega da Fé, Macedo de Cavaleiros, Mirandela ou Mogadouro.

Publicado em 'Rádio Brigantia'.