Mostrar mensagens com a etiqueta CCISP. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta CCISP. Mostrar todas as mensagens

11 dezembro, 2015

Desemprego jovem aumenta procura de cursos de Agronomia


O aumento do desemprego entre os jovens está a levar a um crescimento da procura de cursos da área de Agronomia, adiantou o Presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), que participou no I Congresso Nacional das Escolas Superiores Agrárias (CNESA), que decorreu quarta e quinta-feira em Bragança. Joaquim Mourato admitiu que durante uns anos “estes cursos tiveram uma quebra na procura, mas nos últimos dois anos estamos a ter sinais de uma quebra e um abrandamento em algumas áreas das Ciências Agrárias”. A retoma na procura dá um sinal de esperança aos responsáveis das Escolas Superiores Agrárias que acreditam que “a agricultura e a pecuária vão melhorar e surgirão muitos projetos inovadores que darão lugar a empresas e permitirão criar emprego”, destacou o presidente do CCISP. “Onde há emprego obviamente há procura e o ensino superior vai beneficiar desse crescimento”, realçou.

Oito Agrárias no debate
O I Congresso juntou em Bragança oito escolas superiores agrárias do país e mais de 200 investigadores, o que confirma a importância crescente da agricultura e a vitalidade das instituições de ensino superior que driblaram a crise. Nos anos 80 e 90 houve uma quebra acentuadíssima no setor da agricultura e consequentemente a procura caiu.
Os cursos de Agronomia não captam muitos alunos do Concurso Nacional de Acesso, todavia atraem o público adulto, “que completam as vagas disponíveis”, reconheceu o responsável do CCISP, que defendeu que as escolas superiores agrárias deviam disponibilizar cursos de doutoramento.
Sobrinho Teixeira, presidente do Instituto Politécnico de Bragança (IPB) notou que os dados disponibilizados pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional indicam que os jovens licenciados nas área da Agronomia têm das mais baixas taxas de desemprego, na ordem dos 3%. “A agricultura revelou-se nestes anos de crise uma reserva estratégica nacional e uma das áreas que mais exportou”, destacou. O presidente do IPB considera que é preciso fazer uma mudança de paradigma, porque os jovens quando saem do 12º ano “dificilmente escolhem a área agrícola porque têm a ideia dos agricultores com mais de 60 anos e é uma vida que não querem”. Acabam por mudar de opinião “quando frequentam os cursos de especialização tecnológica e os cursos superiores profissionais, que os levam a mudar as escolhas e voltam-se para a área agícola”.

“É preciso inteligência para desenvolver a agricultura”
O anterior secretário de Estado da Alimentação e da Investigação Agro-alimentar, Nuno Vieira e Brito, que participou no congresso, considera que o momento atual “é crucial” para a agricultura transmontana “por se estar na fase apoios comunitários”, pelo que sugere a definição de estratégias de desenvolvimento em áreas fundamentais como o azeite, a transformação de produtos locais à base de raças autóctones, os vinhos, castanha e frutos secos.
“Estes setores têm cada vez mais atração dos mercados internacionais e maior procura, além de que é preciso aproveitar a ideia da alimentação saudável”, sublinhou Nuno Vieira e Brito, que defende que além de criar escala é preciso apostar “na inovação e na transformação”. O setor creceu nos últimos anos. “Há fundos, agora é preciso inteligência para desenvolver a agricultura e o setor agro-alimentar, criando pequenas empresas, produzir bem e comercializar melhor”, referiu. Nuno Vieira e Brito acredita que a agricultura pode absorver jovens qualificados que se forma em cursos de Agronomia.

Publicado em 'Mensageiro'.

04 dezembro, 2015

Inovação em destaque no I Congresso Nacional de Escolas Agrárias


A investigação e a inovação no sector primário estiveram em destaque no I Congresso Nacional de Escolas Superiores Agrárias que decorreu em Bragança no Instituto Politécnico.
Mais de duas centenas de instigadores participaram na iniciativa onde foram apresentados vários trabalhos de investigação desenvolvidos nas 8 escolas superiores agrárias do País.
Um deles foi o projecto de uma das equipas que trabalha no Centro de Investigação e Montanha do IPB na área agroalimentar. Produzir corantes e conservantes a partir de plantas e cogumelos para eliminar ou reduzir os níveis de toxicidade que os químicos tradicionais apresentam nos alimentos tem sido o trabalho desenvolvido nos últimos anos. “Começámos a fazer estudos de aplicação de algumas plantas e cogumelos que se revelaram mais promissoras, para as incorporar em alimentos para substituir aditivos químicos, como corantes e conservantes”, esclarece a investigadora Isabel Ferreira.
Albino Bento, presidente da Agrária de Bragança e membro da organização do evento defende que o sector primário é bastante inovador actualmente, o que se deve em grande parte ao trabalho de investigação desenvolvido nas escolas superiores. “Os politécnicos têm a sua quota parte de responsabilidade na inovação no sector agroalimentar e têm uma dimensão apreciável no contexto professores e investigadores que trabalha no país”, salienta.
Dentro de dois anos os representantes e investigadores das escolas superiores agrárias nacionais vão reunir-se novamente, o próximo congresso será em Portalegre.

Publicado em 'Rádio Brigantia'.

20 abril, 2015

Vantagens de fazer o curso no politécnico

Politécnicos querem atribuir doutoramentos profissionais e mudar a designação para universidades de ciências aplicadas.
Os politécnicos portugueses pedem duas coisas fundamentais ao Governo: querem atribuir doutoramentos e alterar o seu nome para universidades de ciências aplicada, como se designam na maioria dos outros países europeus. As duas reivindicações foram apresentadas ao Diário Económico por Joaquim Mourato, o presidente do CCISP–Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos – após uma reunião europeia que trouxe a Lisboa cerca de 200 representantes das instituições equivalentes de outros países da Europa.
Joaquim Mourato explica, primeiro que tudo, porque faz sentido incluir o doutoramento nos politécnicos. “Devem existir no ensino de cariz profissionalizante todos os níveis de Bolonha, desde o ciclo mais curto até ao doutoramento de natureza profissional. Temos bons exemplos na Europa e no mundo. Para fazermos investigação aplicada, temos de ter formação avançada a nível de mestrado e doutoramento”, defende.
O presidente do CCISP, que é presidente do Politécnico de Portalegre, foi o anfitrião do encontro europeu, onde foram apresentadas as recomendações e linhas de orientação da European Association of Institutions in Higher Education (EURASHE) – que reúne as instituições de ensino superior de cariz profissionalizante da Europa, ou seja, equivalentes aos politécnicos portugueses – para levar ao encontro de ministros europeus da Educação que vai decorrer já em Maio, na capital de Yerevan, na Arménia.
Será ainda levada aos ministros a necessidade de aumentar as parcerias entre estas instituições de ensino e as empresas. E aqui não são só as empresas que têm de responder ao apelo, mas também “tem de ser um propósito do próprio Governo”, sublinha este responsável. “É importante que as empresas participem, desde logo, na organização dos currículos dos próprios cursos”, defende Joaquim Mourato, para quem é essencial uma ligação profunda, com as aulas muito orientadas para as profissões e comum envolvimento muito grande das empresas. Até porque assim, defende, poderá também resultar com maior sucesso a investigação aplicada.

Apoiar empresas que integrem os estudantes
Esta ligação estreita com as empresas é a maior aliada da empregabilidade, em seu entender. “É a maior garantia que damos aos estudantes de poderem adquirir as competências adequadas para o mercado de trabalho. E, por outro lado, a garantia de que terão o primeiro contacto directo com o mercado de trabalho”, sublinha o presidente do CCISP. Joaquim Mourato avança mesmo com uma sugestão para o Governo português: “Temos um novo QCA, que pode ser muito útil na integração dos jovens no mercado de trabalho. As empresas seriam apoiadas para empregar os estudantes nos primeiros seis ou 12 meses de inserção no mercado de trabalho. Era uma forma muito interessante de ajudar esta articulação”, acrescenta o responsável.
A recomendação é clara e é levada pela EURASHE ao encontro dos ministros do próximo mês: só com maior ligação às empresas se aproximará o ensino das necessidades do mercado de trabalho, ao mesmo tempo que se promove a empregabilidade dos recém-graduados, assim como a formação ao longo da vida, de forma a garantir profissionais competentes e adaptados às necessidades do mercado.
Joaquim Mourato apela ainda ao apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) a centros de investigação aplicada, com outros critérios de atribuição que não os que avaliam a produção científica. Critérios que avaliem a transferência de tecnologia para as empresas, os resultados do trabalho dessa investigação para as mesmas, o impacto regional, etc. Ou seja, avaliar a actividade das instituições com outros indicadores. Andreas Orphanides, presidente da EURASHE, referiu, na conferência de Lisboa, que “é importante definir o futuro, com investigação e criatividade, de forma a identificar soluções”, defendendo o potencial de uma “participação interdisciplinar” entre todos.

“Defendemos a junção dos politécnicos”

Joaquim Mourato, o presidente do conselho coordenador dos politécnicos portugueses, vê com bons olhos a fusão de instituições e reorganização da rede de politécnicos, sempre em colaboração com as empresas e com um projecto educativo virado para as suas necessidades, com uma forte aposta regional. Só que o Governo não mostrou abertura para tal proposta do CCISP. Entretanto, os politécnicos reclamam 200 milhões de euros de reposição do Orçamento de Estado. E dizem que o ‘deadline’ está a chegar, porque não têm dinheiro para pagar os subsídios de férias.
Qual é o país que os politécnicos portugueses consideram como modelo bem sucedido na forma como engloba o ensino profissionalizante no superior? 
O modelo irlandês. Os institutos tecnológicos na Irlanda estão a conferir o grau de doutoramento e têm uma relação muito boa, muito próxima com as empresas. É um modelo que está muito bem desenvolvido, com óptimos resultados. Os 13 institutos tecnológicos na Irlanda, equivalentes aos nossos politécnicos, são hoje universidades tecnológicas, juntaram-se dois a dois ou três a três e desenharam projectos educativos conjuntos. Nós também já lançámos essa proposta em Portugal. A junção de dois ou três politécnicos para se transformarem numa universidade tecnológica com um projecto muito próximo de trabalho de colaboração com empresas identificadas nas respectivas regiões,com oferta formativa muito direccionada para as necessidades dessas empresas e com oferta até ao grau de doutoramento profissional.
Quer dizer que vê com bons olhos a fusão de politécnicos em Portugal? 
O CCISP apresentou essa proposta e já a referi por várias vezes. Estou na disponibilidade de olhar para um projecto desse tipo, para a reorganização de algumas instituições, dentro da sua autonomia, comum projecto educativo comum, que teria outras ambições e posicionamento. É razoável e desejável que isso aconteça, mas nunca houve abertura do Governo para avançar. Várias instituições já se concertaram nesse sentido, mas esse tipo de projecto não foi aceite.
Como estão a viver os politécnicos os constrangimentos orçamentais deste ano? 
Estimamos em 20 milhões de euros a verba de que necessitamos, como resultado do impacto da decisão do Tribunal Constitucional e das alterações introduzidas na Lei do OE. Mais mês, menos mês, vamos ter problemas e o ‘deadline’ está a chegar. Não teremos capacidade para pagar os subsídios de férias.

 Publicado em 'Diário Económico Nº 6155 | 20 Abril 2015'.

02 fevereiro, 2015

CCISP - Tomada de posse


O SNESup esteve ontem presente em Bragança, na tomada de posse do Presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, que teve lugar em conjunto com as comemorações dos 30 anos do Politécnico de Bragança. Enviamos os parabéns a este politécnico que continua perseverante na sua luta contra a interioridade, com uma saudação especial aos colegas desta instituição, e cujo mérito merece ser reconhecido. Apresentamos também os nossos cumprimentos ao Presidente do CCISP, com votos de bom trabalho, aguardando-se para breve uma reunião de trabalho sobre questões essenciais sobre o ensino superior politécnico.
Das várias intervenções convém destacar a oração de sapiência do Presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), David Justino. A reflexão, em torno da Lei de Bases do Ensino, tocou um ponto em comum com o SNESup, na necessidade de pensar uma estratégia para o ensino superior. Este debate tem vindo a atravessar os nossos encontros e estamos de acordo sobre o papel que o CNE pode desempenhar nesta matéria. Em Bragança, o Presidente do CNE foi ousado nas suas propostas, contrastando com a visão bastante datada do ministro. Para além do consenso, o debate destas questões permite abrir um espaço que parece fechado na sociedade portuguesa. O SNESup já demonstrou que consegue reunir no mesmo espaço vários elementos com posições diferentes, dando azo a que se trabalhe o futuro. As pontes que o CNE procura passam por aqui. Vejamos se é possível um desenvolvimento.

Publicado em 'InfoSNESup nº 224'.

29 janeiro, 2015

Presidente do Conselho dos Institutos Politécnicos preocupado com cortes no ensino superior

No dia do IPB, que assinalou os 32 anos da instituição, decorreu a tomada de posse do presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos. Joaquim Mourato, presidente do Instituto Politécnico de Portalegre iniciou assim o segundo mandato à frente deste órgão. O professor mostrou-se preocupado com os cortes no financiamento do ensino superior, que este ano vão ser mais acentuados do que em 2014.
"Em 2015 temos um corte em adicional relativamente a 2014 e em 2014 tivemos um corte adicional em relação ao ano anterior. Estamos a falar de uma sucessão de anos com cortes. É evidente que se, em 2014, as instituições tiveram dificuldade para honrar os seus compromissos, algumas tiveram que utilizar saldos que dispunham de anos anteriores, outras tiveram de fazer reforços adicionais, é evidente que com mais um corte, este ano vai ser pior. Vamos ter situações complicadas para honrar os compromissos assumidos”, frisa o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Politécnicos. Joaquim Mourato defendeu ainda a necessidade de repensar o programa “+ Superior”, criado para atrair estudantes do litoral para o interior . O responsável considera essencial mudar a época de lançamento do programa e perceber quais os cursos que precisam de mais alunos. “Este programa foi aplicado, essencialmente, a estudantes que já estavam nas instituições e não atraindo novos estudantes. É por isso que dizemos que ainda não foi suficientemente eficaz. A nossa proposta é lançar o programa na primavera, para os estudantes interessados conhecerem o programa a tempo e poderem tomar a sua decisão e perguntar às instituições quais os cursos em que se pretende a vinda desses estudantes. Porque, com base na classificação do secundário mais elevada, evidentemente que os alunos vão ser colocados nos cursos que, à partida, já estão cheios”, sublinha o professor. Em Bragança, 109 alunos estudam no Instituto Politécnico através do programa + Superior, que se traduz numa bolsa de cerca de mil euros por ano, de forma a garantir o pagamento das propinas.

Publicado em 'Rádio Brigantia'.

21 novembro, 2014

Bragança recebe 1200 alunos estrangeiros

Sociedade das nações
Chegam da China, do Peru, da Síria ou do Senegal. O Instituto Politécnico de Bragança apostou forte na captação de alunos estrangeiros - este ano receberá l 200, de 25 países diferentes
 Descontraído, de andar gingão, Hebert Camilo responde com um sorriso à admiração de Olga Padrão, secretária da direção do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), por andar de chinelos de enfiar o dedo num dia chuvoso e frio. Além do acentuado sotaque de Minas Gerais, o jovem de 21 anos, chegado em setembro ao nordeste transmontano, veio equipado com roupa leve, pouco apropriada para o rigoroso inverno que se aproxima. «Tem problema, não», garante.
Apesar das dificuldades com o termóstato, o jovem estudante do 3.° ano de Engenharia Agronómica está a adorar a experiência portuguesa. De tal forma que, dois meses após a chegada a Bragança, já começou a tratar das burocracias para prolongar a estadia inicialmente prevista para um semestre, mas que ele agora quer estender a dois. «A cidade é pequena mas recebe bem a 'gente' e estou gostando muito da experiência. O Instituto está bem equipado e as aulas são muito interessantes», adianta, em jeito de justificação. Hebert chegou a Bragança ao abrigo de um protocolo com o Instituto Federal do Norte de Minas Gerais. No seu caso, o programa de intercâmbio prevê que o IPB se responsabilize pelo alojamento e refeições, enquanto a sua universidade de origem lhe assegurou as passagens aéreas e uma bolsa de três mil euros por semestre.
O jovem mineiro é apenas um dos 650 alunos estrangeiros - num universo de cerca de seis mil estudantes - que atualmente frequentam o IPB. Números que pecam ainda por defeito uma vez que há muitos inscritos ainda à espera de visto para fixar residência em Trás-os-Montes - os casos mais complicados têm sido os de alunos provenientes de países africanos que foram afetados pela epidemia de ébola, como a Libéria e a Serra Leoa, o que fez complicar as burocracias. Além disso, tal como sucedeu em anos anteriores, e a avaliar pelas inscrições já efetuadas e os processos em fase de aceitação, é de esperar que no segundo semestre o número de alunos chegue aos 1200 (mais 300 que no ano passado). Números impressionantes, numa cidade com pouco mais de 23 mil habitantes e onde, segundo um estudo recente encomendado pelo Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, o peso desta instituição na economia local é superior a 11 por cento do Produto Interno Bruto - o valor mais elevado do País.

Bragança lidera o 'ranking' dos politécnicos e cobra as propinas mais baixas do País
O IPB está atualmente no ranking das dez melhores instituições de ensino superior a nível nacional - o primeiro entre os politécnicos - e, em boa medida, isso também contribui para facilitar a captação de alunos através de convénios com instituições espalhadas pelo mundo fora. Além dos que chegam ao abrigo do programa Erasmus, provenientes da União Europeia, o maior contingente vem de paragens tão diversas como o Turquemenistão, China, Timor-Leste, Paquistão, Síria, México ou Peru, só para referir alguns dos mais distantes dos 25 países ali representados. Para o sucesso dessas «formas pró-ativas ou menos ortodoxas», na expressão do vice-presidente Luís Pais, contribuem ainda as propinas mais baixas (755 euros, para estudantes de licenciatura nacionais, e 1100, para os internacionais) e o facto de haver já vários cursos lecionados exclusivamente em inglês.

Hospitalidade transmontana

Exemplo sólido de uma integração feliz é o de Auro dos Santos. O cabo-verdiano, de 24 anos, chegou a Bragança em 2009 e diz que se sente em casa, «tal como todos os alunos africanos», os maiores contribuintes da larga comunidade estrangeira do IPB. A Associação de Estudantes Africanos representa peno de 400 alunos, a maioria deles de Cabo Verde, mas também muitos são-tomenses e angolanos. Sentindo-se em casa, já criaram uma equipa de futebol que alinha nos distritais de Bragança, uma equipa de futsal feminina, um grupo de dança, um conjunto musical (AfroBanda) e, para breve, prometem um grupo de teatro. Além disso, explica Auro, que preside à associação, «ajudamos muitos alunos a tratar de toda a burocracia para aqui chegar». A terminar o mestrado em Tecnologia Biomédica, depois de ter completado a licenciatura, vê aproximar-se a passos largos a hora de regressar a Cabo Verde e já começa a sentir saudades. «A minha adaptação foi cinco estrelas, nunca tive problemas e, se é verdade que quero ajudar ao desenvolvimento do meu país, também é certo que Bragança vai ficar sempre no meu coração.»
Tal como Auro dos Santos, também os habitantes da cidade se afeiçoaram e habituaram já à presença dos alunos estrangeiros. A chegada de sangue-novo estava a fazer falta, para dinamizar o comércio da cidade. Aos 75 anos, Vitalino Miranda e a mulher, Maria de Lurdes, mantêm a pequena mercearia, com quase meio século, de portas abertas, apenas porque funciona no rés-do-chão da sua casa e não pagam renda. «O centro histórico hoje está quase deserto. Levaram daqui os serviços e as pessoas começaram também a sair porque as casas estão velhas... e as que foram arranjadas têm rendas muito caras», considera Vitalino. Hoje, são os jovens da renovada residência universitária os poucos clientes que têm. «Nós queremos é vê-los cá, e que levem umas comprinhas. Mas a gente sabe que eles também não trazem dinheiro à larga e são muito regrados. Perguntam sempre pelo preço antes de levar alguma coisa... não é verdade?», atira. para Alexandre Ximenes, um jovem timorense de 19 anos, mais fluente em inglês do que em português, que consente com um sorriso envergonhado. Acabou de chegar a Bragança, para iniciar a licenciatura em Engenharia Informática, com uma bolsa de estudo concedida pelo Institut of Business de Díli, com quem o IPB tem uma parceria, e também ele está fascinado com a cidade. «As pessoas são muito simpáticas», arrisca, num português razoável, ao lado de Peltier Aguiar, um angolano de 26 anos, estudante de Agroecologia e que vive com ele na residencial Domus. É o africano que hoje faz de cicerone, acompanhando o timorense às compras. «Quando precisamos de alguma coisa vimos aqui à mercearia ou então vamos à loja do senhor Valdemar. Mesmo que tenha a porta fechada, basta tocar à campainha que ele atende-nos a qualquer hora», explica.
Gil Gonçalves, um dos atarefados elementos do Gabinete de Relações Internacionais, encarregue dos processos burocráticos dos alunos estrangeiros, não se mostra surpreendido com a boa reação dos habitantes. «Somos transmontanos, é a nossa forma de ser. Aqui, primeiro mandamos entrar; só depois perguntamos quem é.»

Publicado em 'Visão' nº1133, 20 a 26 novembro 2014.

26 junho, 2014

Temos o melhor Politécnico do país

Estudo encomendado pela União Europeia coloca o IPB no topo do ranking nacional dos Politécnicos, sétima melhor instituição de ensino superior do país
Dois estudos recentes e ambos independentes colocam o Instituto Politécnico de Bragança como uma das melhores e mais influentes instituições de ensino superior de Portugal.
O projeto Multirank, da União Europeia, arrancou em 2011 e começa, agora, a produzir resultados, tendo divulgado as dez melhores instituições de ensino superior de Portugal, de um total de 850 instituições de todo o país que entraram neste estudo.
Com vários parâmetros medidos, como o Ensino e Aprendizagem, a Pesquisa, a Transferência do Conhecimento, a Orientação Internacional e o Envolvimento Regional, o Instituto Politécnico de Bragança foi considerado o melhor politécnico do país, sétima melhor instituição de ensino superior.
“Aparecem as dez melhores instituições europeias e as dez melhores nacionais, que resultam da soma dos cinco indicadores. É um orgulho muito grande, estamos a sentir isso, o facto de o IPB estar entre as dez melhores instituições nacionais e o melhor politécnico a nível nacional”, frisou ao Mensageiro o presidente da instituição, Sobrinho Teixeira.
O mesmo responsável considera que os resultados poderiam ser ainda melhores, com um pouco mais de apoio por parte dos alunos. “Ainda poderíamos subir se o sucesso escolar fosse superior. Na investigação, internacionalização e ligação à região estamos muito bem”, sublinha. Sobrinho Teixeira diz que esta classificação acaba por significar um compromisso maior com a qualidade. “Responsabiliza-nos para nos superarmos cada vez mais e conseguirmos cada vez mais e melhor”, sustenta o docente.
No cômputo geral, o desempenho do IPB é “muito bom”. A produção artística, as spinoff, a mobilidade estudantil, a quantidade de alunos licenciados que ficam a trabalhar na região, o número de citações ou o rendimento obtido junto de fontes locais são alguns dos pontos em que o IPB consegue a classificação máxima (A) deste ranking. Por outro lado, a conclusão de mestrados e a conclusão de mestrados dentro do prazo estipulado são alguns dos pontos a requererem melhorias. O Multirank é uma nova ferramenta de avaliação de instituições de ensino superior mundiais, tendo analisado 850. Está a ser promovido pela União Europeia. A nível nacional, a instituição melhor classificada é a Universidade Nova de Lisboa. Entre as dez melhores aparecem apenas dois politécnicos. O de Bragança, no sétimo lugar, e o de Viana do Castelo, em nono. A nível internacional, a instituição melhor cotada é o Instituto Tecnológico de Zurique, na Suíça.

Publicado em 'MdB'.

Peso do IPB na região é cada vez maior

Por cada euro que o Estado investe no IPB, o Estado consegue um retorno, em cobrança de impostos, de quatro euros.
Não é por acaso que o Instituto Politécnico de Bragança é considerado o melhor do país. O seu peso na economia do Nordeste Transmontano é cada vez maior, como fica patente num outro estudo, realizado a pedido do Conselho Consultor dos Institutos Politécnicos (CCSISP).
De acordo com esse estudo, o de Bragança é o politécnico com maior peso na sua região, chegando mesmo a atingir, pelo menos, os 11 por cento do PIB local. “Esse foi um estudo feito em diversas instituições, nomeadamente no litoral e no Interior e veio demonstrar, de facto, a importância que as instituições de Ensino Superior têm no desenvolvimento económico das regiões onde se inserem. Esse estudo é demonstrativo. O Politécnico de Bragança é o caso em que a situação é mais notória. No estudo é referido que uma percentagem assinalável do PIB da região deve-se à indução direta que o Politécnico de Bragança faz na região.”, explica o presidente do IPB, Sobrinho Teixeira.
O mesmo responsável destaca, por outro lado, a “leveza” no Orçamento de Estado quando comparado com outras instituições. “Há pouco tempo fizemos um encontro dos sete politécnicos e três universidades do Interior. Se somarmos a parte do Orçamento do Estado que é transferido para estas dez instituições, é menos um ponto percentual do que, por exemplo, a Universidade de Lisboa recebe. O orçamento destes instituições representa 17 por cento do peso orçamental do Ensino Superior enquanto a Universidade de Lisboa representa mais do que estas dez (18 por cento). É bom que o país saiba o esforço que está a fazer face ao retorno que o país está a ter”, sublinha Sobrinho Teixeira.

“O trabalho e aquilo que estas dez instituições fazem em prol da coesão territorial é um trabalho imenso e um retorno imenso face a uma percentagem extraordinariamente baixa que o país tem de fazer em termos do apoio financeiro que dá, inferior ao de uma única instituição.” No caso de Bragança, esse aspeto é mais centrado. Mas uma das coisas que o estudo não refere é o da indução económica indireta. “Existem fatores estudados que multiplicam esse valor por cerca de 2,3 vezes mais para além da indução direta. Vamos a capacidade de pôr os nordestinos a estudar, de gerar dinamismo social e, também, essa capacidade de contribuir para um exercício de cidadania de todos os transmontanos e um exercício capaz de motivar toda uma região face à crise que o país está a passar”, destaca.
O presidente do instituto mostra-se “satisfeito com esse resultado”. “Só nos pode responsabilizar face ao desafio do novo quadro comunitário de apoio, de modo a conseguir o seguinte: Temos de ter orgulho das cidades que temos, da região que temos, das instituições que temos. As pessoas admitem que se vive bem em Bragança, em Mirandela. O que noto dos sete mil estudantes que temos é que a maior parte gostaria de ficar cá a trabalhar porque gosta de cá estar. É porque se vive bem que temos este número de estudantes estrangeiros.
No próximo quadro comunitário, temos de lutar para que haja lugar à criação de empresas que possam trazer, por si próprias, a criação de emprego e de indução económica. Para lá da responsabilidade que existe de manter este nível, para que a região continue a ver na sua instituição de ensino superior uma ancoragem em termos económicos diretos, há agora o desafio de, do ponto de vista prático, em termos de projetos concretos, estarmos unidos a reivindicar as áreas estratégicas em que a região se pode afirmar, conseguimos fazer o que a região necessita, que é criar emprego para que mais pessoas se fixem aqui. A região tem oportunidades”, sublinha Sobrinho Teixeira.

Publicado em 'Mensageiro de Bragança'.

03 junho, 2014

Em defesa dos Politécnicos - Entrevista a Pedro Oliveira


Os institutos Politécnicas têm um impacto "evidentemente positivo" nas regiões em que se inserem. Eis a principal conclusão do estudo. O Impacto dos Institutos Politécnicos na Economia Local, diz, ao JL/Educação, Pedro Oliveira, coordenador do trabalho, com Jorge Cunha, que envolveu uma equipa de 17 investigadores. Encomendado pelo Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP),o estudo debruça-se sobre sete instituições - Bragança, Castelo Branco, Leiria, Portalegre, Setúbal, Viana do Castelo e Viseu -, que representam metade do sistema politécnico público, analisando os seus efeitos sobretudo na economia, mas também noutras dimensões mais dificilmente quantificáveis, como a sócio-cultural e a equidade de acesso ao Ensino Superior dos jovens dessas regiões.

Está já em curso uma segunda fase do estudo sobre a influência dos mesmos institutos na formação e educação das populações. No futuro, o trabalho será replicado para os restantes politécnicos, para que o 'retrato' fique completo. Porque "só poderemos tomar decisões informadas se tivermos um conhecimento científico da realidade portuguesa", garante o prof. do Departamento de Estudo de Populações, do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, da Universidade do Porto.

JL/Educação: Este é o primeiro estudo sobre o tema, importante para avaliar o 'peso' dos Institutos Politécnicos (IP) em Portugal. Como surgiu a ideia de o realizar?

Pedro Oliveira: Em 2007, eu e o prof. Jorge Cunha orientámos a tese de uma aluna de doutoramento, a Joana Fernandes, cujo tema era o impacto do lP de Bragança. Fizemos um levantamento muito profundo de toda a bibliografia sobre a avaliação do impacto de instituições de ensino nas regiões em que se inserem, e escolhemos o IP de Bragança por ser um caso muito interessante: uma instituição Isolada, distante de outros estabelecimentos de Ensino Superior; localizada numa zona de fronteira e deprimida economicamente. Depois da apresentação desse estudo, em 2010, propusemos ao Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) replicá-lo, utilizando a mesma metodologia, noutros Ip.

O estudo abrange sete dos 15 IP existentes. O que determinou esta seleção?

Numa primeira fase, propusemos três, dadas as restrições de mão-de-obra e de financiamento do projeto, mas entretanto todos os IP quiseram participar. Como não era possível realizar o estudo nos 1530 mesmo tempo, tivemos que escolher, e o critério foi termos alguns mais do Litoral (Viana do Castelo, Leiria e Setúbal) e outros do interior (Bragança, Viseu, Castelo Branco e Portalegre).

Com que intuito?

Queríamos, primeiro, ganhar experiência a trabalharem equipa, ter uma noção dos custos e do tempo que um projeto desta natureza exige, para depois avançar para os restantes IP, e então 'colhermos' todo o universo. Para este primeiro estudo, interessou-nos comparar estas duas realidades - o Litoral, mais densamente povoado, mais industrializado, etc., e o Interior, mais isolado, com menos indústria, etc. E verificar se o impacto dos IP no Litoral e no Interior era diferente ou se havia algo em comum.

E o que concluíram?

Em termos globais, é evidentemente positivo. E em várias dimensões. No que toca à economia, verificámos que os IP têm um impacto no PIB dos concelhos que oscila entre os 2 e os 11%, sendo mais significativo nas regiões desfavorecidas. Nestas, o IP é quase o maior empregador e a maior 'indústria'. Além disso, concluímos que os IP têm, em todos os concelhos, um impacto importantíssimo ao nível sociocultural: trazem a organização de espetáculos, festas académicas; a presença de convidados para palestras, debates; atividades em colaboração com as autarquias. Ou seja, contribuem para a animação da vida de todas estas comunidades.

Essa dimensão já não é tão fácil 'quantificar'...

Precisamente. Quando apresentámos o estudo no IP de Bragança, o presidente da Câmara de Mirandela contou que já tinha tido queixas dos cidadãos porque os estudantes fazem muito barulho. Sabe o que ele respondeu? "Ainda bem. É sinal que a cidade está viva." Isto não é quantificável, e é algo muito importante para estas comunidades, em geral, envelhecidas. Alguns destes concelhos têm taxas de envelhecimento de 400% o que significa que para cada jovem há quatro idosos...

E o impacto económico, como foi 'calculado'?

É importante realçar que o estudo seguiu uma abordagem conservadora. Ou seja, os resultados são apresentados no seu limite inferior. Não quisemos inflacionar, dizer:"Isto é tão maravilhoso que tem de ser mantido". A intenção era olhar para a realidade de uma forma rigorosa. Aliás, é esta perspetiva que diferencia o nosso estudo daquele em que nos inspirámos, do American Council on Education (ACE): nós não contámos todos os estudantes como tendo o mesmo impacto no tecido económico.

Como assim?

O primeiro estudo do ACE considerava todos os estudantes como inipactantes. O nosso distingue o grupo de estudantes que vieram de fora, que produzem o que designámos por 'efeito de exportação', pois vêm gastar dinheiro na região, de tal forma que é como se estivesse a exportar um bem e a receber o seu valor; e o grupo de estudantes locais, cujos gastos são menores, porque não vão alugar quartos, nem utilizar tanto serviços como restaurantes, pois continuam a viver em casa dos pais. Ou seja, não tratámos o impacto económico de todos os alunos por igual. Determinámos, inclusive, entre os estudantes inscritos, quais iriam estudar para outra região caso o IP não existisse, o que designámos de 'efeito de substituição de importação', porque iriam gastar o seu dinheiro fora da região.

CONHECER A REALIDADE

Qual é, no seu entender, a importância deste estudo?

Em primeiro lugar, tivemos a 'sorte' de realizá-lo num momento de viragem, no ano de 2012, quando os efeitos da crise ainda não se faziam sentir tão profundamente. Queremos replicá-lo daqui a três, quatro anos, e será importante podermos comparar e analisar o impacto da crise. Depois, é relevante para se perceber que os lP não são um custo, mas um investimento. Os estudantes licenciados pelos IP, se encontrarem emprego, vão pagar mais impostos do que se tivessem só a formação secundária. porque terão salários mais elevados. Isto tem um efeito positivo para o Estado em termos de retorno. Se considerarmos todo o período de vida ativa, corresponde a dizer que o Estado investiu 5 mil, 6 mil euros na formação de cada aluno por ano e vai receber impostos numa taxa de rentabilidade que anda à volta dos 6, 8%. E há ainda um terceiro aspeto, muito importante.

Qual?

Há um número significativo de estudantes que não iriam frequentar o Ensino Superior se não existisse o IP da sua região. A presença do IP é um fator de equidade e, como sabemos, o Ensino Superior é a maior alavanca social do mundo ocidental. No fundo, verificámos que, em muitos casos, fechar o IP teria efeitos tremendos. Por um lado, a nível económico, significaria agravar uma realidade que é já muito débil (em muitos concelhos, os IP são os segundos empregadores, o primeiro normalmente é o hospital). Por outro, tornaria impossível o acesso de um elevado número de alunos ao Ensino Superior. Já para não falar do impacto negativo ao nível da vida da comunidade, dificilmente quantificável. É por isso que quer as autarquias, quer as populações defendem os IP e não querem sequer ouvir falar da possibilidade de virem a fechar.

É um estudo particularmente relevante num momento em que se fala tanto da necessidade de reorganizar a rede do Ensino Superior?

Sim, até porque existem poucos estudos sobre a questão. Foi feito um, no IP de Leiria, creio que na década de 1980, e aquele que realizámos, no lP de Bragança, entre 2007 e 2010. Pouco mais. São trabalhos muito importantes, sobretudo agora, em tempo de crise, em que há toda uma retórica do Governo que diz que há instituições de Ensino Superior a mais.

Na sua opinião, não há?

Não. Há é estudantes a menos! Portugal tem uma taxa de frequência no Ensino Superior, na faixa etária dos 18-24, que se situa na ordem dos 48%, mas em países como a Finlândia esse valor já atinge os 60, 70%. Se conseguíssemos chegar a valores dessa grandeza — e penso que devia ser esse o objetivo -, as instituições que temos não seriam a mais. Até eram a menos. Infelizmente, estamos a recuar: as dificuldades económicas estão a levar cada vez mais jovens a abandonar os estudos. E as instituições sentem-se naturalmente ameaçadas, pela crise, os cortes no financiamento, e a lógica da 'folha do Excel', instalada no Ministério das Finanças, que não vai a detalhes como um estudo desta natureza.

Quer dizer que é necessário um conhecimento mais aprofundado da realidade que 'sustente' as políticas para o Superior?

Exatamente. A maioria dos discursos que têm sido feitos são de 'estado de alma', retóricos, sem fundamentação científica. Não digo que o nosso estudo não tenha limitações. Mas a verdade é que chegámos a números concretos e ficámos com uma noção muito clara do impacto económico destes IR Chegámos a concorrer a uma bolsa da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), mas não ganhámos. Creio que a FCT tem outras prioridades, certamente defensáveis, não ponho isso em causa. No entanto, penso que tal como é importante apoiar a Ciência de nível internacional (nanotecnologia, informática, saúde, etc.), também importa fomentar a ciência sobre a realidade portuguesa, que foi o que fizemos com este estudo.

Com que financiamento o realizaram?

Os gastos foram suportados pelos sete IP e pelos próprios investigadores, que se disponibilizaram a trabalhar voluntariamente, e em horas extra. Foi um esforço enorme.

Gostava que este motivasse outros estudos sobre o impacto das instituições do Ensino Superior?

Era importantissimo, quer fossem feitos por nós ou por outros investigadores. O que interessa é que nos debrucemos sobre a nossa realidade porque só poderemos tomar decisões informadas se o fizermos.

Estão em discussão, até ao fim deste mês, as 'linhas de Orientação Estratégica para o Ensino Superior', recentemente divulgadas pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC). Como vê este documento?

Sou multo crítico em relação à política do atual Governo. E agora não falo enquanto autor do estudo, mas dando a minha opinião pessoal. E uma política de destruição do Ensino Superior. O documento das 'Linhas de Orientação Estratégica' é um verbo de encher. Não avança nada de concreto, aliás, diz coisas perfeitamente quixotescas como, por exemplo, que as instituições têm que promover cursos de acordo com os empregos da região. Isto é completamente insensato.

Porquê?

Tem a ver com uma questão de prioridades. Para o Governo, a prioridade da Educação deve ser a empregabilidade. No meu entender, a perspetiva de um emprego é importante, mas em primeiro lugar deve estar a formação e a cidadania das pessoas. Além disso, a questão da empregabilidade tem sido mal colocada.

Em que sentido?

Pegando no exemplo da Engenharia Civil: há alguns anos, havia imensas vagas, neste momento, o curso está cheio e não há emprego. Isso quer dizer que não tem valor económico? Ou seja, um curso que, num determinado momento, é atrativo, deixa de o ser porque não há emprego, mas tem valor na mesma. E se a empregabilidade for o único critério, provavelmente não teremos físicos, nem filósofos, nem cientistas sociais. É pouco comum em Portugal, mas acontece muito no Reino Unido, por exemplo, haver licenciados em História ou Filosofia a trabalhar em empresas industriais ou de serviços financeiros. Aquelas pessoas têm vantagens, conhecimento, e podem atualizá-lo.

Outro aspeto focado no documento é a necessidade de uma maior articulação entre as instituições de Ensino Superior e o tecido socioeconómico da região. Nos sete IP analisados verifica-se esta "articulação"?

Sim, e de uma maneira muito profunda. Até porque todos estes IP se debatem com a diminuição do número de alunos. Por isso, estão muito ligados às indústrias locais; procuram animar outras regiões; criam protocolos com empresas. Claro que é muito mais evidente no Litoral, mas no Interior também existe esse 'esforço'. Nomeadamente, o desenvolvimento de uma dimensão de serviço social. Não há um presidente que se sente descansado na sua cadeira sem pensar o que pode fazer para contribuir para a região em que se insere. É quase um imperativo moral, ainda mais neste momento em que a crise é tão forte. E todos estão a tentar alargar a taxa de frequência. Alguns estão a estabelecer acordos com países como China e Angola, justamente por terem uma determinada capacidade instalada e verem que os estudantes portugueses, por dificuldades económicas, estão a deixar o Ensino Superior.

Em que medida pode este estudo constituir um contributo para as reformas que se avizinham no Superior, designadamente para o novo modelo de financiamento?

Se o financiamento fosse feito numa base plurianual, poderia dar alguma informação, mas muna base anual, é muito difícil. Independentemente disso, não sei se a informação que o Governo retirará do estudo será a fundamental. Veja-se o caso do IP de Portalegre: é o mais pequeno e não cresce mais porque fica numa zona muito pouco povoada, em que as famílias têm muitas dificuldades económicas. Se o novo modelo de financiamento for em função do número de alunos, da empregabilidade, etc., só vai afundar as instituições mais desfavorecidas. Neste sentido, o estudo pode até ser contraproducente e conduzir a uma perversão da forma de financiamento. Um modelo com base nestes indicadores, que não vá mais fundo na compreensão da realidade, das suas causas e efeitos, será ruinoso. Fechar os IP do Interior seria condenar os jovens a uma grande dificuldade de acesso ao Ensino Superior e, consequentemente, tornar o sistema cada vez mais elitista.

Publicado em 'Jornal de Letras Artes e Ideias - Segunda-feira, 02 de Junho de 2014'.

20 maio, 2014

Por cada euro que Estado investe, politécnicos podem gerar oito vezes mais


Por cada euro que o Estado investe nos Institutos Politécnicos estes chegam a gerar uma atividade económica de valor oito vezes superior, indica um estudo que avalia o impacto económico regional em sete destas instituições de ensino superior.
Os números constam do estudo académico "O impacto dos institutos politécnicos na economia local", feito a pedido do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) e que analisa o impacto e o retorno do dinheiro investido pelo Estado nas instituições, assim como o dinheiro gasto por docentes, alunos e funcionários nas regiões onde se localizam as escolas onde estudam ou trabalham, pertencentes aos institutos de Bragança, Castelo Branco, Leiria, Portalegre, Setúbal, Viana do Castelo e Viseu.
De acordo com as conclusões apresentadas, é em Leiria que se verifica um maior impacto na atividade económica gerada por cada euro investido pelo Estado português, com um retorno de 8,07 euros.
O Instituto Politécnico (IP) de Leiria é também aquele que contabiliza um maior número de alunos, docentes e funcionários. Insere-se também numa região, indicam os dados apresentados no estudo, que, em comparação com as sete em análise, tem um dos mais baixos índices de envelhecimento, a mais baixa taxa de analfabetismo e um dos mais elevados índices de poder de compra.
O menor impacto regista-se no politécnico de Castelo Branco, onde, ainda assim, o retorno é quase três vezes superior ao investimento do Estado: por cada euro gasto pelos cofres públicos gera-se uma atividade económica de 2,63 euros na região desta instituição.
Analisando o Produto Interno Bruto (PIB) de cada região, é em Bragança que a presença do politécnico tem uma influência maior na geração de riqueza pela região, com a instituição de ensino superior a ter um peso de cerca de 11% para o PIB local.
É no IP de Setúbal que o peso que a instituição representa para o PIB da região onde se insere é menor: corresponde apenas a 1,71% da riqueza criada. Em Viana do Castelo a percentagem é também baixa, de apenas 2,06%.
Mas nas restantes regiões varia, sensivelmente entre os 4,5% e os 6%, valores mais significativos para a riqueza gerada na região.
Os autores do estudo apontam ainda que os dados recolhidos parecem "evidenciar a existência de uma relação linear entre o impacto direto [da instituição para a região onde se encontra] e o número de estudantes de cada instituição", apresentando valores que estimam um impacto direto (gastos de docentes, funcionários e alunos) de nove mil euros por cada aluno, e um impacto total (que contabiliza também a atividade económica gerada) de 16 mil euros.
Em termos totais, os sete IP têm um impacto direto de aproximadamente 270 milhões de euros e um impacto total de 460 milhões de euros.
Os dados foram recolhidos com a aplicação de inquéritos a docentes, funcionários e estudantes.
"Para cada Instituto foi selecionada uma amostra aleatória de cada corpo constituída por 400 alunos, 80 funcionários e 100 docentes", explica-se no estudo quanto à metodologia utilizada, acrescentando-se que, apesar de taxas de resposta muito variáveis, "a amostra recolhida é, mesmo assim, bem aproximada da população respetiva de cada Instituto".

Publicado em 'Porto Canal'.

19 maio, 2014

Institutos politécnicos chegam a valer 11% do PIB dos concelhos onde estão sediados

Cada aluno tem um impacto na economia regional de 16 mil euros por ano, estima um estudo inédito, encomendado pelo Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos.
 
A presença de instituições de ensino superior tem um impacto significativo na economia das regiões em que estão sediadas. Esse facto é sobretudo notório nas regiões mais desfavorecidas do país, onde os institutos politécnicos chegam a pesar 11% no PIB local.
Estas conclusões constam do primeiro estudo do género, encomendado pelo Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP). Calcula-se que só os sete politécnicos analisados gerem um impacto indirecto de 460 milhões de euros anuais.
É em Bragança que o peso do instituto politécnico na economia local atinge um valor mais elevado (11,02%), mas Portalegre (5,67%), Castelo Branco (4,98%) e Viseu (4,47%) são outros exemplos de concelhos onde a presença destas instituições de ensino superior consegue ter reflexos muito significativos. São “essencialmente as regiões mais desfavorecidas a apresentar os maiores valores”, segundo o relatório final do estudo, intitulado O Impacto dos Institutos Politécnicos na economia local.
Em sentido contrário, Setúbal (1,71%) e Viana do Castelo (2,06%) contam com um peso menor dos respectivos institutos politécnicos no seu PIB regional.
Este estudo está em fase de publicação e começou esta semana a ser distribuído internamente pelo CCISP. As conclusões têm por base inquéritos aplicados a docentes, estudantes e funcionários não docentes dos institutos superiores envolvidos na análise. É a primeira vez que os impactos do ensino superior politécnico são medidos desta forma, com uma mesma metodologia que permite comparações.
Foram escolhidos sete instituições (Bragança, Castelo Branco, Leiria, Portalegre, Setúbal, Viana do Castelo e Viseu), que representam metade do sistema politécnico público. Tentou-se abarcar diferentes realidades, do interior e do litoral, zonas mais ou menos industrializadas e instituições com dimensões diferentes.

Impactos directos e indirectos
O trabalho estimou os impactos directos de sete politécnicos na economia, que ascendem a 270 milhões de euros anuais, contabilizando os gastos anuais de docentes, funcionários e alunos, bem como os custos assumidos pelas próprias instituições de ensino superior. Este valor apresenta diferenças consideráveis a nível nacional, oscilando entre os 16 milhões de euros de impacto dos politécnicos de Portalegre e os 101 milhões anuais gerados pelo instituto superior de Leiria.
Aplicando um multiplicador de 1,7 vezes — na ausência de informação económica que permitisse determinar os valores para cada concelho, os investigadores aplicaram a mediana dos vários multiplicadores utilizados nos diferentes estudos do género feitos em diferentes países — os autores do estudo encomendado pelo CCISP chegaram também à conclusão que estes sete institutos politécnicos geram um impacto indirecto de 460 milhões de euros anuais.
O estudo permite também perceber o impacto potenciador do investimento público no ensino superior. O nível de actividade económica gerado na região onde se insere cada politécnico sofre um incremento importante em face das transferências feitas todos os anos pelo Estado. O relatório final desta investigação afirma que cada euro de financiamento recebido do Orçamento do Estado gera um impacto médio de 4,22 euros, podendo atingir um valor superior a 8 euros, no caso do Instituto Politécnico de Leiria, onde se regista o índice mais elevado.

“Perspectiva conservadora”
Todos os números apurados pelo estudo têm por base “uma perspectiva conservadora”, diz Pedro Oliveira, um dos coordenadores deste trabalho.
Os investigadores consideram que nem todos os alunos contribuem da mesma forma, e contabilizam um impacto menor para os alunos locais face aos que estão deslocados. Por outro lado, os impactos directos e indirectos são medidos apenas nos concelhos em que se situam as instituições de ensino e não são tidos em conta os concelhos limítrofes. Também não são tidas em conta as transferências de conhecimento e tecnologia para empresas, por exemplo.
O Impacto dos Institutos Politécnicos na economia local foi um estudo encomendado pelo CCISP a uma equipa de 20 investigadores coordenada por Pedro Oliveira, no Departamento de Estudo de Populações, do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, da Universidade do Porto, e Jorge Cunha, docente da Escola de Engenharia da Universidade do Minho. Os dois professores tinham orientado a tese de doutoramento de Joana Fernandes, defendida em 2010, sobre os impactos económicos do Instituto Politécnico de Bragança e decidiram replicar o modelo num conjunto mais alargado de politécnicos.
O principal factor dos resultados dos institutos politécnicos sobre a economia que foi tido em conta foram os gastos dos estudantes, que representam cerca de 85% dos impactos directos. Os investigadores observam “uma relação linear” entre estes números e o total de estudantes de cada instituição e estimam que, por cada aluno adicional, há um impacto directo anual na economia de cada região de cerca de 9000 euros, que se traduz, por sua vez, num impacto total de cerca de 16.000 euros.
São também os politécnicos do interior que apresentam um “efeito de exportação” (alunos que se mudaram para a região para estudar no politécnico) mais elevado. “Estes contribuem para a atracção de jovens para regiões mais desertificadas e envelhecidas, levando, porventura, à sua fixação nessas regiões”, defende Pedro Oliveira, em declarações ao PÚBLICO.
Do mesmo modo, entre 30 e 60% dos estudantes iriam estudar para fora da região caso não existissem os institutos politécnicos. “Esta dimensão reforça o papel de fixação dos jovens nos concelhos onde os politécnicos se localizam, o que tem, obviamente, um impacto na vivência das respectivas comunidades”, diz. E isto sem contar com os estudantes que não estariam sequer no ensino superior, uma realidade também observada por este trabalho.

Quase 20 mil empregos directos criados
O impacto que os institutos superiores politécnicos têm nas economias regionais tem efeitos também a nível de emprego. Estas instituições de ensino superior representam, em média, quase 6% da população activa dos concelhos onde estão sediadas, mostra o estudo do CCISP, dando trabalho a quase 20 mil pessoas.
Os institutos politécnicos de Bragança, Castelo Branco, Leiria e Setúbal são os segundos maiores empregadores das respectivas regiões. “Geralmente, só os hospitais distritais conseguem ter um peso maior na estrutura de emprego”, diz Pedro Oliveira.
Em Portalegre, o instituto politécnico é o terceiro maior empregador e só em Viseu (7.º) e Viana do Castelo (5.º), dois concelhos com uma economia mais diversificada, por via da indústria e dos serviços, é que esta realidade não se observa.
O impacto médio dos institutos politécnicos em termos de população activa, fica perto dos 6%, variando entre 1,77% (Setúbal) e 12,92% (Bragança). “O peso relativo tende a ser mais elevado para os politécnicos situados nos concelhos do interior do país”, defendem os autores do estudo.
Ao todo, os sete politécnicos avaliados criaram 18.638 empregos directos, mas mais uma vez é notória a discrepância entre as instituições. O Politécnico de Portalegre é responsável por apenas 915 postos de trabalho, ao passo que o de Leiria tem 6321.
Pouca utilidade para apurar nova fórmula de financiamento
O Governo anunciou há dias a intenção de avançar com uma nova fórmula de financiamento às instituições de ensino superior que, entre outras dimensões, deverá levar em conta o contributo que estas dão para o desenvolvimento das regiões em que estão inseridas.
Apesar da metodologia aplicada neste trabalho fornecer “dados interessantes” que permitem “perceber a realidade”, Pedro Oliveira não acredita que este possa servir de base às pretensões da tutela. “Não teria muita utilidade”, defende. “Se a base do financiamento fosse plurianual, talvez fosse possível. Mas um estudo destes é difícil de executar e não é fácil ter estes indicadores ano a ano, tal como o Governo parece pretender”, considera.

Publicado em 'Público'.

18 novembro, 2013

Politécnicos dão a ganhar milhões no interior


O presidente do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), Sobrinho Teixeira, disse ontem, no encerramento do I Congresso de Instituições de Ensino Superior, que "reduzir" institutos politécnicos e universidades "não é a mesma coisa que fechar tribunais ou repartições de finanças, porque o que está em causa é a redução de massa crítica" em regiões periféricas.
O responsável falava no congresso, que juntou sete politécnicos e três universidades de distritos do interior, onde lamentou que o Governo use rácios populacionais, em decréscimo naquela área, para encerrar serviços.
Estudantes, responsáveis pelas instituições de ensino superior e autarcas estão de acordo que o impacto dos politécnicos e universidades nas regiões periféricas é inegável, quer em termos económicos, quer sociais.
Segundo Joaquim Mourato, presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Politécnicos, o impacto direto destas instituições varia entre os 27 e os 171 milhões de euros. Por cada euro investido pelo Estado, há um retorno que pode chegar aos oito euros nos concelhos onde as instituições estão inseridas.

Fundamental
O autarca de Mirandela, António Branco, cidade onde o IPB tem uma escola superior frequentada por cerca de mil alunos, considera a permanência da instituição "fundamental".
O secretário de Estado do Ensino Superior, José Ferreira Gomes, quer os municípios a criar mais condições para fixar jovens no interior.
O governante elogiou o ensino do interior, mas frisou que cursos e escolas com poucos alunos "não podem manter-se, tal como sucedeu com as escolas primárias com meia dúzia de alunos" por serem pouco competitivas.
A fusão entre instituições também está em análise, mas tanto o presidente do Instituto Politécnico de Bragança como o reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro garantem ser melhor para a região a existência de duas instituições "autónomas".

Publicado em 'JN' de 16 de novembro de 2013.

07 novembro, 2013

Governo quer reorganizar ensino superior já para o próximo ano lectivo

Universidades e institutos politécnicos têm até Dezembro para se pronunciarem, mas reitores ameaçam não cumprir caso não haja mexidas no Orçamento do Estado para 2014
Nova rede de ensino superior poderá traduzir-se no encerramento de diversos cursos

O próximo ano lectivo já deverá começar com um novo mapa de instituições de ensino superior. É pelo menos essa a intenção do Governo, que pediu às universidades e institutos politécnicos que se pronunciem sobre a reorganização da rede até ao final do próximo mês. Numa carta enviada às instituições, são abordadas as possibilidades de fusões e consórcios. Os responsáveis do sector saúdam a iniciativa, mas os reitores admitem não participar no processo se não forem resolvidos os problemas de financiamento.
O Governo estabelece metas claras para a reorganização da rede de ensino superior. As universidades e politécnicos têm até ao final de Dezembro para tomar posição, de modo a que as "grandes linhas" da reforma estejam definidas até Março. "Nessa altura, as instituições poderão planear a sua reconfiguração e começar a preparação do Orçamento de 2015 com essa mudança já reflectida", defende o secretário de Estado do Ensino Superior, José Ferreira Gomes, numa missiva às instituições.
Na carta, o Governo sublinha a "urgência" de uma reforma da oferta educativa e da rede de ensino, estabelecendo quatro áreas de actuação. Por um lado, defende a criação de órgãos regionais de coordenação entre instituições - que deverão ser desenhados ao nível das Nut II - ao mesmo tempo que sugere a possibilidade do estabelecimento de consórcios e fusões, que podem acontecer inclusivamente entre universidades e politécnicos.
Uma das novidades é a possibilidade de criação de um novo modelo de financiamento público. Actualmente, as instituições recebem dinheiro do Estado em função do número de alunos e o Governo entende que isso incentiva "a expansão dos tipos de educação superior mais estabilizados" como as licenciaturas e mestrados tradicionais, em vez de uma diferenciação na oferta. O secretário de Estado pede ainda um plano de racionalização interna que se ajuste às alterações da procura e à "relevância social das competências dos graduados". Contactado pelo PÚBLICO, o Ministério da Educação reconhece que "está a trabalhar com as instituições" sobre esta matéria, mas prefere não adiantar mais nada nesta fase de trabalhos.
A proposta do Governo foi genericamente bem recebida pelos reitores das universidades e pelos presidentes dos institutos politécnicos, que sublinham a necessidade de uma reorganização da rede. Todavia, a reforma poderá encravar em questões mais conjunturais. É isso que sugere o presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), António Rendas, para quem a "prioridade" é mesmo resolver os problemas motivados pelo "corte duplo" que o sector vai sofrer no próximo Orçamento do Estado e que poderá chegar a 60 milhões de euros. "Sem a questão do Orçamento resolvida não conseguiremos ter estado de espírito para reforma alguma", sugere.
Já o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), Joaquim Mourato, lamenta "não ter sido ouvido" sobre o assunto. "Apenas podemos considerar que qualquer reorganização do ensino superior deve ser feita a nível nacional e com todas as instituições".
Os politécnicos não escondem o receio de que a reorganização se concentre em si. É para este sector que o Governo propõe medidas mais concretas na carta, com a aposta na formação superior de "ciclo curto" (dois anos), com carácter mais profissionalizante e que deverá entrar em vigor no próximo ano lectivo. "Como aparentemente temos poucos alunos, vai-se aos politécnicos", ilustra Sobrinho Teixeira, presidente do Instituto Politécnico de Bragança. "Isto só pode ser feito por quem não conhece a realidade".
O reitor da Universidade Coimbra, João Gabriel Silva, concorda que o país "não pode desprender-se de uma parte do seu território" como o interior, onde estão mais presentes os politécnicos. O líder da mais antiga universidade do país recusa também a ideia de que a reorganização da rede de ensino superior só se possa fazer por via da redução. Este é um sector "competitivo a nível internacional" e "capaz de responder à procura externa", diz. "Pode ser um sector estratégico para sair da crise", defende, apontando o mercado da lusofonia como prioridade.

Publicado em 'Público'.

13 setembro, 2013

Politécnicos com maior empregabilidade entre pós-graduados


Aproximidade às empresas, tanto em termos de comunicação permanente como geográficos, a formação à medida assim como a duração da formação parecem constituir os trunfos para o politécnico conseguir resultados positivos. No entanto, no geral, os pós-graduados têm motivos para sorrir: quanto mais apostam na formação mais cresce a remuneração, com um prémio em média de mais de 50%, segundo dados da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior.
Em Portugal, embora o número de estudantes do ensino pós-graduado tenha crescido signfficativamente nos últimos anos, permanece relativamente baixo em termos europeus, de acordo com uma análise efetuada pelo Center for Higher Education Policy Studies, CHEPS, em 2013. Os estudantes de mestrado constituem cerca de 8% dos estudantes nas universidades públicas, apesar de as principais instituições de ensino em Lisboa e Porto terem percentagens de inscrições nas pós-graduações e mestrados em ciências e tecnologias na ordem dos 20%. Em 1990, havia 3237 alunos de mestrado (222 em universidades privadas), subindo para 11 422 (1670 nas universidades privadas) até 2004 e 3162 estudantes formados em programas de mestrado em 2004 (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, OECD, 2006).
O número de doutoramentos atribuídos por universidades portuguesas durante o período 1990 até 2004 aumentou quase quatro vezes, mas em simultâneo diminui o número de portugueses doutorados no estrangeiro. A mobilidade dos estudantes consta dos objetivos mais focados da expansão recente dos ciclos de estudos de pós-graduação, na sequência de adequação ao Processo de Bolonha [iniciou-se informalmente em Maio 1998, com a declaração de Sorbonne e arrancou oficialmente com a Declaração de Bolonua em Junho de 1999 que define um conjunto de etapas e de passos a dar pelos sistemas de ensino superior europeus no sentido de construir um espaço europeu de ensino superior globalmente harmonizado. No entanto, a questão financeira do mestrado integrado leva muitos estudantes a concluírem a pós-graduação na mesma instituição onde se licenciaram.
Outras perspetivas do Processo de Bolonha parecem tornar-se, aos poucos, realidade, a saber: a formação ao longo da vida ou pós-experiência profissional. Parece haver uma tendência para o aumento do número de indivíduos que concluem o 10 ciclo de ensino superior, depois de estarem integrados no mercado de trabalho, segundo um estudo da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3SE) de 2012. No caso da obtenção de qualificações ao nível do 2° ou 3° ciclo do ensino superior existirá, segundo o mesmo estudo, alguma tendência para o reforço do número de indivíduos que obtêm qualificações destes níveis, estando já integrados no mercado de trabalho, o que mais uma vez corresponde ao preconizado pelo Processo de Bolonha.
Neste caso deteta-se um pico em 2006 que poderá estar associado ao processo de transição dos diversos planos de estudo para o sistema de Bolonha, o que terá permitido a obtenção de diplomas de 2° e 3° ciclo. No contexto específico português, marcado por taxas muito elevadas de abandono escolar, o esforço de recuperação do défice de qualificações, terá que passar não só pelo reforço das qualificações das novas gerações mas, também, por um esforço de qualificação de indivíduos já inseridos no mercado de trabalho com baixas habilitações.
Verifica-se um prémio de remuneração associado às habilitações escolares mais elevadas, mas com alguma tendência de redução para os diplomados que entram pela primeira vez no mercado de trabalho (+73% em 2002 e + 40% em 2009). Este prémio» tem vindo a perder relevância ao longo dos últimos anos para os diplomados com bacharelato e licenciatura (no caso dos licenciados ÷77% em 2002 e +39% em 2009). Para os diplomados com doutoramento, o prémio na remuneração é claramente superior ao verificado para a licenciatura e para o mestrado (em 2009 + 121% de remuneração média no caso dos doutorados e +52% e +39%, respetivamente, para os mestres e licenciados). Esta situaçáo na remuneração dos indivíduos com mestrado e doutoramento tem-se mantido relativamente estável. O padrão evidenciado parece sugerir que a implementação de Bolonha poderá ter conduzido a uma certa desvalorização do 1.0 ciclo no mercado de trabalho.
No que conceme ao desemprego entre os diplomados com grau de mestre, a Direção-Geral de Estatísticas de Educação e Ciência (DGEEC) aponta para, em 2013, de um total de 7633 pessoas desempregadas com grau de mestre, 6,5% dizem respeito ao ensino politécnico público e 2,9 % ao ensino privado. No caso do ensino universitário público, os mestres atingem os 71,9% de desemprego (4801 pessoas) e 18,8% no ensino privado universitário (1.254 pessoas). Um estudo promovido pelo Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos Portugueses, CCISP, no qual participaram sete institutos politécnicos, revelou que estas instituições são responsáveis pelo emprego de mais de 12% da população ativa, o impacto instituições nas respetivas regiões varia entre os EUR27 milhões e os EUR171 milhões e o peso médio no PIB varia entre os 5% e os 11% da região onde estão inseridas.
Em jeito de conclusão, citando os autores do estudo Empregabilidade no Ensino Superior em Portugal da autoria de José Luís Cardoso, Vítor Escária, Vítor Sérgio Ferreira, Paulo Madruga, Alexandra Raimundo e Marta Varanda, da A3SE: ...o aumento do nível de desemprego entre os jovens diplomados pode constituir um desincentivo à procura de qualificações mais elevadas por parte dos jovens portugueses, o que terá, necessariamente, consequências graves seja em termos macro, com a diminuição do capital humano dos ativos, com reflexos sobre a produtividade e sobre o potencial de crescimento da economia portuguesa, seja em termos micro, diminuindo a empregabilidade e aumentando riscos de exclusão dos menos qualificados.
Uma análise mais aprofundada deste problema é fundamental, seja para evitar as conclusões simplistas e perigosas em termos dos potenciais efeitos sobre as decisões dos indivíduos, seja porque o conhecimento sobre o mesmo pode orientar as decisões de políticas públicas, que permitam compatibilizar as necessidades de promover uma recuperação dos níveis de qualificações dos ativos portugueses com a racionalização da utilização dos recursos públicos, sempre escassos.

Publicado em 'AULP'.

17 julho, 2013

IPB tem de continuar o esforço para se manter no pelotão


Dionísio Gonçalves foi empossado no passado dia 11 de Julho presidente do Conselho Geral do Instituto Politécnico de Bragança (IPB). O anterior presidente da instituição referiu no seu discurso de posse que espera que o IPB continue com o dinamismo e vitalidade que tem tido ao longo de 30 anos e destacou o papel do actual presidente, Sobrinho Teixeira, como “fundamental”, não só no instituto brigantino, mas em todo o ensino politécnico durante a sua direção do CCISP -Conselho Coordenador dos Institutos Politécnicos.
Na mesma cerimónia foram empossadas os novos órgãos dirigentes das cinco escolas superiores que compõem o IPB, que vão estar à frentes destas instituições até 2017. Nas escolas Agrária, Saúde e Tecnologia e Gestão foram reeleitos todos os atuais presidentes, nomeadamente Albino Bento, Helena Pimentel e Albano Alves. Na ESACT, em Mirandela, foi eleita a única lista concorrente, encabeçada por Luís Pires. Na Escola Superior de Educação António Ribeiro Alves, que já ocupava o cargo de sub-director, substituiu Conceição Martins. “A comunidade das escolas quis dar uma resposta de continuidade. Só em duas escolas é que não se constituíram alternativas. A aposta na continuidade é uma aposta consciente das instituições. De certa maneira é gratificante para os diretores e para mim próprio, perceber essa apreciação positiva da instituição”, explicou Sobrinho Teixeira, presidente do IPB. Ainda assim, o responsável mostra uma preocupação: “Espero que essa apreciação positiva não traga qualquer espécie de relaxamento dos novos dirigentes, da equipa da presidência e de mim próprio”, afirmou.
Uma vez que o IPB atingiu os primeiros lugares do pódio dos politécnicos do país, Sobrinho Teixeira considera essencial “continuar a trabalhar” para manter o patamar de qualidade já alcançado. O responsável recomenda às direções das escolas que não durmam à sombra dos louros alcançados. “De modo algum uma apreciação positiva e de certa maneira de conforto pode significar relaxamento por parte de quem dirige a casa, desde o presidente do IPB, presidente do Conselho Geral e diretores de escolas se pode traduzir numa diminuição, seja no que for, do esforço que tem sido feito”, recomendou. Este esforço para manter a qualidade será feita pelo próprio presidente que prometeu “um exercício continuo e fazer a pressão necessária sobre as direções”, acrescentou. Isto porque, “é preciso continuar a trabalhar para nos mantermos no pelotão dos fugitivos”. No final deste ano, provavelmente em dezembro, devem realizar-se as eleições para a presidência do IPB, mas Sobrinho Teixeira não quis revelar se volta à corrida. “É uma decisão que será anunciada no lugar próprio, que é o Conselho Geral”, disse.
Neste dia foi também assinado um protocolo de colaboração com a Universidade Pedagógica de Moçambique, com a presença da adida cultural deste país, Cremilde Cuco.

Publicado em 'Mensageiro'.

09 maio, 2013

Voto de louvor ao ex-presidente do CCISP, Prof. Doutor João Sobrinho Teixeira

Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos
Louvor n.º 419/2013
Em reunião efetuada no dia 29 do mês de janeiro de 2013, o Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos aprovou por unanimidade a atribuição de um voto de Louvor ao Ex -Presidente deste órgão, Prof. Doutor João Sobrinho Teixeira, pela dedicação, dinamismo e abnegação com que dirigiu o CCISP nos dois mandatos de exercício (decorridos entre dezembro de 2008 e janeiro de 2013).
O CCISP sublinha a busca incessante de consensos entre as instituições que compõem este Conselho Coordenador da parte do Senhor Prof. Doutor João Sobrinho Teixeira e a ação que desenvolveu na defesa do subsistema politécnico nos vários palcos, designadamente, político e académico, bem como o seu relevante contributo para o impulsionamento da internacionalização do CCISP e das instituições que o integram.
19 de abril de 2013. — O Presidente, Joaquim António Belchior Mourato.

Publicado em 'Diário da República, 2.ª série — N.º 86 — 6 de maio de 2013'.

26 abril, 2013

Institutos Politécnicos querem passar a chamar-se Universidades de Ciência Aplicada

O Conselho Coordenador dos Institutos Superiores divulgou um conjunto de propostas de remodelação do ensino superior politécnico durante a apresentação de um relatório encomendado a uma universidade holandesa.
O Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) quer que os politécnicos passem a ser designadas como Universidades de Ciências Aplicadas, uma sugestão que faz parte de um conjunto de propostas de remodelação do sistema de ensino superior.
“Não há outro país europeu com a designação de Instituto Politécnico, o que torna difícil a comparação em níveis internacionais”, explicou o presidente do CCISP, Joaquim Mourato, durante a apresentação de um relatório encomendado pelo conselho ao Center for Higher Education Policy Studies (CHEPS), da Universidade de Twente, na Holanda.
A proposta "não resulta por se querer a designação de universidade, até porque a diferença entre universidades e politécnicos continuaria", avançou Joaquim Mourato, sublinhando que se trata de um modo de "afirmação internacional".
O CCISP pede também a criação de Centros de Investigação Aplicada e de Transferência de Tecnologia que “possam dar cobertura a todas as instituições politécnicas e que estejam associadas ao tecido empresarial regional”. De acordo com Joaquim Mourato, a constituição e existência destes centros deve ser apoiada por projectos e investimentos da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).
Da lista de propostas do CCISP consta ainda, entre outras, a integração de representantes das actividades profissionais nas equipas de avaliação externa da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES). As ordens profissionais já estão, contudo, integradas na agência, nomeadamente quando são chamadas a dar pareceres sobre acreditações.
No que diz respeito a fusões ou consórcios, o presidente do CCISP considera que “deve caber a cada instituição tomar essa decisão” e alerta que “não é com o objectivo de reduzir a despesa do Estado que se avança para uma fusão”.
Uma opinião que vai ao encontro das conclusões do relatório, que foi apresentado esta quarta-feira no Conselho Nacional de Educação, em Lisboa. “É preciso muito cuidado com as fusões e devem ser procuradas formas alternativas de cooperação. Os benefícios económicos a curto prazo são limitados”, explicou o investigador da universidade holandesa, Jon File.
O relatório compara o sistema de ensino binário em Portugal - politécnico e universitário - com alguns países da Europa e o investigador explicou que "não existem diferenças radicais".
Num retrato do ensino superior politécnico português, o estudo conclui que os politécnicos têm mais estudantes em part-time e de idades mais avançadas do que as universidades. Embora as instituições politécnicas do interior de Portugal ofereçam mais cursos de especialização tecnológica, o relatório não identificou diferenças relevantes entre os politécnicos do interior e os do litoral.
As propostas do CCISP foram bem acolhidas pelas associações de estudantes. “Os estudantes estão disponíveis para discutir estas propostas. Algumas até são ideias que a federação tem vindo a apresentar ao longo dos anos”, afirmou o presidente da Federação das Associações de Estudantes do Ensino Superior Politécnico, também presente na apresentação do relatório.

Publicado em 'Público'.

31 janeiro, 2013

"Temos a ambição de colocar as nossas instituições no top internacional"

Joaquim Mourato, presidente do Conselho Coordenador doa Institutos Superiores Politécnicos, afirmou hoje que é sua ambição “colocar as instituições de ensino superior no top internacional”, pois considera que “existem todas as condições para se afirmarem perante as suas congéneres”.
Joaquim Mourato falava à Rádio Portalegre no âmbito da tomada de posse como presidente do Conselho Coordenador doa Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), numa cerimónia realizada, segunda-feira no Instituto Politécnico de Bragança.
O atual presidente do Instituto Politécnico de Portalegre (IPP) sucede a João Sobrinho Teixeira na liderança do órgão representante dos 15 institutos politécnicos e cinco escolas politécnicas não integradas portuguesas.
O dirigente, que inicia agora um mandato de dois anos, admitiu que “vão ter uma batalha difícil pela frente”, numa altura em que os politécnicos enfrentam grandes cortes orçamentais.
A tomada de posse do novo presidente do CCISP ocorreu em Bragança, no âmbito das comemorações do Dia do IPB, que assinalaram os 30 anos da Instituição, com a presença dos presidentes e diretores dos institutos politécnicos e escolas superiores não integradas de todos o País, João Filipe Queiró, secretário de Estado do Ensino Superior, o ex-presidente da República Jorge Sampaio, Adriano Moreira, o presidente da Federação Nacional das Associações de Estudantes do Ensino Superior Politécnico, dos diretor e subdiretor gerais do Ensino Superior, do Secretário-Geral do Ministério da Educação e da Ciência, representantes da A3ES - Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior, entre outras personalidades.

Publicado em 'Rádio Portalegre'.

29 janeiro, 2013

Jovens deixam de estudar por causa da crise

Há mais estudantes do IPB a abandonar os estudos. O fenómeno decorre das dificuldades financeiras vividas pelas famílias dos alunos numa época de crise.
Ainda assim, a direcção da instituição de ensino considera que as estatísticas não são relevantes. Sem revelar os números, o presidente do Instituto Politécnico de Bragança diz que ficam abaixo do que esperava.
“É óbvio que tem havido um aumento do abandono escolar mas está abaixo das minhas expectativas face ao que é a sensação geral do país”, refere Sobrinho Teixeira, acrescentando que “temos varações que andam na casa das dezenas de ano para ano, este ano cresce um bocadinho mas não é estatisticamente valorizável face à variação dos últimos anos”.
Declarações feitas ontem durante as comemorações dos 30 anos do IPB, que contaram com a presença do ex-Presidente da República.
Na sua oração de sapiência, Jorge Sampaio, considera que o ensino superior é fundamental para o desenvolvimento do país, mas para isso diz que é preciso orientação estratégica. “Nós coordenamos e consertamos pouco numa perspectiva de convergência de acção e nunca foi tão preciso consertar como agora”, afirma. “Sei que as nossas instituições de ensino superior serão capazes de responder aos desafios do presente e penso que o IPB está bem colocado para participar nessa reflexão que é inadiável”, acrescenta Jorge Sampaio.
O presidente da câmara de Bragança salienta a importância de fortalecer o ensino superior no interior do país. “O fortalecimento do ensino superior no interior é essencial para o combate ao despovoamento, contribuindo para a coesão e competitividade”, defende Jorge Nunes. “O poder central deve promover políticas activas, em especial neste período de crise para evitar a sua fragilização”, frisa.
Já o secretário de estado do ensino superior realça que o ensino superior politécnico tem de ter um papel dinamizador das regiões onde estão inseridas. “É sobretudo através do ensino superior politécnico que o país tem de aumentar o número de jovens que acede a qualificações superiores que lhes darão melhores perspectivas de vida e que o país necessita”, refere João Queiró, acrescentando que “o ensino superior politécnico tem de ter um papel relevante na dinamização social e económica directa das regiões em que se encontra inserido”.
As comemorações ficaram ainda marcadas pela tomada de posse do novo presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos. Joaquim Mourato revela que um dos seus objectivos para este mandato é ajudar à recuperação do país. “Queremos construir soluções para qualificar mais e melhor os portugueses e queremos ajudar a recuperar o país e a devolver aos portugueses a esperança de uma vida melhor”, adianta. De recordar que o cargo era até agora ocupado pelo presidente do IPB e que exerceu durante quatro anos.

Publicado em 'Rádio Brigantia'.

08 janeiro, 2013

Sobrinho Teixeira: «Aumentar as propinas é afastar mais jovens do ensino superior»

O reforço orçamental que será atribuído às instituições do Ensino Superior em 2013 não chega para resolver os problemas de financiamento dos politécnicos. O presidente do CCISP fala ao Canal Superior num «aperto financeiro muito grande» que pode ser minimizado, mas não com o aumento de propinas.

«O ano mais difícil», em termos financeiros, para o Ensino Superior. É desta forma que o presidente do Politécnico de Bragança e do CCISP, João Sobrinho Teixeira, olha para o ano que agora começa. É a segunda de cinco personalidades que o Canal Superior questionou em jeito de antevisão do novo ano, na perspetiva do setor. Amanhã é a vez de Adriano Pimpão, antigo presidente do Conselho de Reitores e ex-Reitor da Universidade do Algarve.

Será 2013, do ponto de vista da gestão, o ano mais difícil para as instituições de Ensino Superior do Portugal democrático?
Vai ser, do ponto de vista financeiro, talvez o ano mais difícil. Porque, de facto, o aperto financeiro é muito grande. Contudo, há agora uma vantagem que as instituições têm, que não havia há 20, 25 anos, ou seja, o nível de autonomia que existe neste momento. Esse nível de autonomia permite, de facto, outra capacidade para as instituições terem uma atitude proativa para tentarem colmatar a redução de receitas. Claro que isso implica uma maior responsabilização dos dirigentes das instituições de Ensino Superior.

O que podem as instituições fazer para angariar as receitas que o financiamento do Estado não dá? Investigação, empreendedorismo, internacionalização: está em algum destes eixos a solução para um futuro melhor?
A investigação é uma situação em que o retorno é muito mais uma afirmação da instituição e uma ligação do politécnico ao país do que, propriamente, um retorno financeiro.
O empreendedorismo é uma situação semelhante. Ainda para mais, muitos dos politécnicos têm uma ligação regional muito forte e promovem, de facto, o empreendedorismo, mas como se percebe estão inseridos num tecido empresarial débil. A promoção desse empreendedorismo não gera em si próprio um nível de receitas avultadas. Gera, sobretudo, o retorno do cumprimento da missão das instituições.
Parece-me que o maior retorno, neste momento, principalmente para os politécnicos, advém da capacidade de internacionalização. Isso para mim é patente e é, naturalmente, retorno líquido que entra. Nós, o CCISP, estamos a preparar um documento para enviar ao Secretário de Estado, que irá ser aprovado agora em meados de janeiro, no sentido de se agilizar a forma de ingresso dos estudantes estrangeiros.

O aumento de propinas está no horizonte? Que contributo deve, na sua opinião, dar os estudantes na situação atual?
Eu acho que não, parece-me que não. O sacrifício que estamos a fazer, se alguma coisa vale a pena, vale a pena qualificar os jovens portugueses. Numa situação de crise, andar a aumentar as propinas é andar a afastar mais jovens do Ensino Superior. Estou convencido que só teremos um Portugal melhor, se tivermos mais portugueses e mais jovens a qualificarem-se.
Sou partidário de um sistema partilhado das propinas. Ou seja, a mim não me parece correto que os jovens paguem a totalidade do custo, mesmo que Portugal tivesse numa situação económica favorável. Como acho que não deve ser o caminho, a isenção total de propinas. O sistema que temos atualmente, o sistema partilhado, parece o mais adequado, quer em função da realidade de Portugal neste momento, quer da lógica do retorno que há de um jovem se qualificar.

Se pudesse implementar uma medida política para o setor do Ensino Superior público, apenas uma, para o próximo ano, qual seria?
Eu diria que aumentava a base de recrutamento do Ensino Superior. De acordo com uma última análise sobre o que é que as famílias primeiro cortam face à situação de crise, o Ensino Superior ou a qualificação surge como a penúltima das opções em termos de corte. O que significa que as famílias estão dispostas a fazer muitos sacrifícios em muitas outras rubricas, antes de cortarem na qualificação dos seus filhos.
Existindo esses jovens, existindo vontade das famílias e existindo, que existe, capacidade do Ensino Superior para conseguir acomodar muitos mais jovens, eu acho que temos de ser sensatos e alargar a base recrutamento da população para o Ensino Superior.

Publicado em 'Canal Superior'.