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02 maio, 2013

Ciência@Bragança

É este o nome que foi dado a uma iniciativa regional pioneira de divulgação científica. Fruto de uma colaboração do Centro Ciência Viva de Bragança e do Instituto Politécnico de Bragança e de parcerias com vários media regionais, este projeto destina-se a divulgar ciência pela comunidade.

Projeto Ciência@Bragança

Enquadramento no COMPETE
O Ciência@Bragança é financiado pela Associação Centro Ciência Viva de Bragança e cofinanciado pelo FEDER (Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional), através do COMPETE – Programa Operacional Factores de Competitividade.
Trata-se de um projeto no âmbito do SAESCTN - Sistema de Apoio a Entidades do Sistema Científico e Tecnológico, com um investimento elegível de 156 mil euros, correspondendo a um incentivo FEDER de 132 mil euros.
Âmbito
Os objetivos e condições definidos no aviso de abertura do concurso dirigem-se ao desenvolvimento de uma cidadania ativa, contribuindo para uma sociedade mais qualificada e com maior reconhecimento social da Ciência e da Tecnologia como motores de inovação e competitividade.
Para tal, são desenvolvidos e difundidos, através dos media, um conjunto de conteúdos que promovam a cultura científica e tecnológica.
Assim, o projeto, de âmbito regional, contempla a produção de um conjunto integrado de conteúdos de divulgação científica em formatos variados. A conceção e produção é da responsabilidade do Centro Ciência Viva de Bragança e do Instituto Politécnico de Bragança, envolvendo várias dezenas de docentes e investigadores.

04 setembro, 2012

A dimensão ambiental da educação

CiênciaBragança
“Meio ambiente” e “Educação” têm sido dois conceitos que têm evoluído juntos desde a origem da humanidade. Desde muito cedo o Homem começou a interagir com o mundo que o rodeava, ensinando os seus filhos a fazer o mesmo. Os primatas, por exemplo, desenvolveram uma perceção dos sistemas naturais e um profundo respeito por eles, passando esse conhecimento e respeito de geração em geração. Inicialmente, a relação do Homem com o meio ambiente estava essencialmente ligada à questão da sobrevivência, uma relação que sustentava uma natureza mais poderosa do que os Homens.
Com a evolução da civilização esta posição mudou. A natureza começou a ocupar uma posição de subserviência em relação ao Homem. Passou a procurar conhecê-la para a dominar, explorar, e o seu estudo pretendia satisfazer a curiosidade das pessoas a respeito do seu mundo.
A consciência acerca da dimensão ambiental surge a partir do Renascimento, quando chegam à escola os novos ares de renovação educativa que propiciam a inclusão do “Meio Ambiente”, como estímulo educativo, como recurso, conteúdo ou via metodológica.
O desenvolvimento das sociedades atuais tem conduzido a uma degradação generalizada do ambiente e a uma utilização irracional dos recursos naturais. Este quadro negro levou a uma consciencialização crescente das populações em geral e, paralelamente, à tomada de decisões pelo poder político em prol da proteção e conservação do ambiente. A educação vem na sequência lógica deste processo, e surge da necessidade de adquirir conhecimentos, tendo em vista a proteção da natureza e, assim, a correção de erros passados e atuais.
Para que a mudança seja possível é necessário mudar o próprio Homem, e isso só se consegue através da educação. Tal como se assumiu no ponto 3 do capítulo 36 da Agenda 21, no Rio de Janeiro: “A Educação é decisiva para promover o desenvolvimento sustentável e para melhorar a capacidade das pessoas para responder às questões de ambiente e desenvolvimento”. Neste sentido, o desenvolvimento da Educação Ambiental no sistema educativo necessita de uma nova abordagem que favoreça a sua integração no currículo escolar para que as crianças e jovens, para além de adquirirem conhecimentos sobre o ambiente, mudem os valores, atitudes e comportamentos para adotarem um estilo de vida compatível com um desenvolvimento sustentável. Importa, sobretudo, que se capacitem e criem propostas que contemplem a interdependência entre o ambiental, o político, o económico, o local e o global.
Além disso, já não se trata apenas de consciencializar, mas sim de atuar, e somente a Educação Ambiental pode preparar os cidadãos para que assumam as suas responsabilidades, modifiquem os seus comportamentos e atuem a favor do ambiente.
Mas, ainda assim, num planeta finito, os limites da humanidade serão, apesar do engenho tecnológico, as leis da natureza.
Márcia Moreno
Publicado em 'Mensageiro' de 30 agosto 2012.

Como reage o nosso corpo à variação da temperatura?

CiênciaBragança
A todo o momento, acontecem, no interior do corpo humano, diversas reações químicas, quando nos movimentamos (através dos músculos), quando comemos, quando trabalhamos, quando nos divertimos, quando recuperamos de alguma doença, quando sorrimos, choramos e também quando captamos energia para nos mantermos vivos.
O corpo humano, ao longo dos anos, sofreu transformações e tem evoluído para melhor se desenvolver e adaptar ao ambiente. Todas as partes que o constituem funcionam de forma integrada e em harmonia com as outras.
A temperatura interna do ser humano, em condições normais, mantém-se constante e independente das variações da temperatura ambiente. Pelo contrário, a temperatura superficial, ou seja, a da pele, varia de acordo com a temperatura do meio ambiente, dentro de certos limites. O organismo utiliza a camada externa, pele e tecido subcutâneo, como um regulador auxiliar da sua temperatura interna. O que acontece quando temos frio? Arrepiamo-nos e, deste modo, aquecemos. E quando temos calor? Libertamos suor pelos poros da pele, ou seja, arrefecemos. É esta constante adaptação do nosso corpo aos estímulos externos que nos mantém em harmonia com o meio ambiente.
Quando a temperatura interna atinge os 42ºC, uma pessoa pode entrar em coma, pois ocorre um conjunto de transformações químicas que levam ao funcionamento deficiente dos órgãos, podendo causar a morte.
A hipertermia tem como consequência a perda de líquido e sais minerais, podendo originar náuseas, tonturas, vómitos, confusão, perda de consciência e desidratação, delírio, cãibras musculares e perturbações visuais. Pelo contrário, quando estamos com hipotermia, a temperatura do organismo desce abaixo da temperatura normal, o que prejudica o metabolismo. As pessoas entram numa fase de tremor, provocada pelas contrações dos vasos sanguíneos, dormência nos membros, esfriamento dos pés e das mãos, problemas respiratórios, entre outros, e nas situações mais avançadas, a hipotermia provoca falta de memória, dificuldades em controlar os membros, perda dos sentidos e da pulsação e as pupilas ficam dilatadas.
Em suma, não podemos esquecer que se o nosso organismo está a aumentar ou a diminuir a temperatura interna, estará, de alguma forma, a tentar manter-nos em equilíbrio. De facto, o nosso corpo não reage por acaso.
Assim, para a sobrevivência de qualquer organismo humano é fundamental que este esteja em equilíbrio com o meio ambiente, sendo a temperatura um importante mecanismo de regulação.
Rita Moreira Pires
Publicado em 'Mensageiro' de 23 agosto 2012.

O mundo atual seria o mesmo se o papel não tivesse sido inventado?

CiênciaBragança
Há muitos anos atrás, no tempo em que os homens viviam em cavernas, estes pintavam situações do seu dia a dia nas paredes das grutas. A pedra foi durante muito tempo o único material de registo utilizado.
No ano 3500 antes do nascimento de Cristo, os egípcios inventaram um novo material de registo, feito a partir de papiro, uma planta que crescia nas margens do rio Nilo. O talo desta planta era cortado em tiras longas e finas, que depois de sobrepostas e cruzadas, eram batidas com um martelo, secas ao sol e finalmente alisadas com uma pedra polida. Foi a palavra “papiro” que deu origem à palavra “papel”.
Por sua vez, o pergaminho situa-nos na Ásia Menor, na cidade de Pérgamo, onde os seus habitantes desenvolveram uma técnica de secagem de peles de animais, que depois de raspadas, secas e polidas com uma pedra pomes, se tornavam lisas e flexíveis, permitindo que se escrevessem nelas, dos dois lados. Este novo material de escrita, embora dispendioso, foi utilizado na Europa durante quase toda a Idade Média.
A invenção do papel é atribuída a T-Sai Lun, no ano 105 depois de Cristo, na China. Durante mais de 500 anos este segredo foi guardado pelos chineses, até que no ano 751, em Samarcande, os Árabes tomaram conhecimento desta técnica. A partir daí, o fabrico do papel difundiu-se por toda a Europa. Pela mão dos árabes, a técnica da produção de papel aproximou-se, progressivamente, da Península Ibérica, surgindo em Espanha no ano de 1150.
Em Portugal, o primeiro moinho de papel surgiu somente em 1411, na cidade de Leiria. Os moinhos de papel, tal como os moinhos de cereal, aproveitavam a energia hidráulica, a energia da água e, por isso, localizavam-se junto a cursos de água. O papel era produzido a partir de trapos de algodão ou linho, aproveitando-se roupas velhas para esse fim. Contudo, quando as necessidades de papel aumentaram e os trapos já não eram suficientes para a sua produção, começou-se a reutilizar o papel velho como matéria prima para a produção de papel novo.
Como vê, a reciclagem já não era, na altura, uma novidade! Há mais de 100 anos, os fabricantes de papel encontraram uma nova matéria prima, a pasta de celulose, que é retirada da madeira das árvores. A partir dos anos 60, o eucalipto tornou-se a espécie mais utilizada para o fabrico de celulose, uma vez que apresenta um ciclo de crescimento mais rápido do que outras espécies arbóreas e, por isso, tornou-se a principal fonte de fibras para a produção do papel. Este facto constitui uma ameaça à biodiversidade planetária, pois verificam-se plantações massivas de monoculturas de eucalipto e, consequentemente, o corte de milhares de árvores, provocando uma visível desflorestação. A solução poderá passar pela reciclagem de papel, ou seja, pelo aproveitamento de papel usado como matéria prima para o fabrico de papel novo. Desta forma, uma tonelada de papel reciclado evita o abate de 15 a 20 árvores.
O processo de reciclagem, com enormes vantagens, começa, nos aglomerados populacionais, pelo uso de recipientes de recolha de papel usado. Quem não conhece o contentor azul do Ecoponto?
Márcia Moreno
Publicado em 'Jornal Nordeste' 21 agosto 2012.

O que é a luta biológica ?

CiênciaBragança
É a utilização de organismos vivos, ou dos seus produtos, para evitar ou reduzir as perdas ou danos causados pelos organismos nocivos.
Em Portugal são conhecidos alguns casos de luta biológica já nos finais do século XIX e início do século XX. O primeiro foi a introdução de Vedalia, inseto semelhante a uma joaninha, em 1897, para o combate à Icerya, cochonilha que suga a seiva dos citrinos, em laranjais dos arredores de Lisboa, no que foi o primeiro ensaio de luta biológica moderna levado a cabo na Europa.
Este meio de luta, alternativo à utilização de fitossanitários químicos, inclui o uso de numerosos grupos de inimigos naturais ou auxiliares, como: insetos, as joaninhas; ácaros, os fitoseídeos; vertebrados, as aves; nematodes, bactérias e fungos, que podem atuar como predadores, parasitoides, parasitas ou patogénicos. Neste meio de luta está incluída, também, a utilização de feromonas, hormonas juvenis, técnicas autocidas e manipulações genéticas.
Existem três modalidades de luta biológica: limitação natural; luta biológica clássica e tratamento biológico.
Na limitação natural, os auxiliares asseguram a redução das populações de pragas e de alguns patogénios. Na luta biológica clássica, procura-se combater uma praga exótica que causa prejuízo numa cultura de uma região através da introdução de auxiliares provenientes, normalmente, da região de origem dessa espécie. O tratamento biológico pretende aumentar a proporção de inimigos naturais indígenas.
Os benefícios deste meio de luta são a redução do gasto em produtos químicos; a maior segurança alimentar e proteção do meio ambiente pela redução do uso de produtos fitossanitários; a melhoria da saúde do ecossistema; a volta às condições ecológicas do ecossistema antes da introdução da praga. Contudo, uma série de limitações podem ser apontadas, nomeadamente: os efeitos indesejados sobre a fauna indígena; o risco sanitário, uma vez que podem estar a ser introduzidos patogénios para as plantas; os auxiliares podem estar infestados e resultar, por isso, ineficazes; é necessário o apoio técnico e, também, comprovar a eficácia dos inimigos naturais na zona da cultura.
Mª José Miranda Arabolaza, Paula Cristina Batista, Sónia Santos

Publicado em 'Mensageiro' de 16 agosto 2012.

Determinação da Idade e Crescimento dos peixes: Como? e Para Quê?

CiênciaBragança
Pode parecer estranho, mas o trabalho de muitos investigadores que trabalham na gestão sustentável das pescas é determinar a idade e crescimento de várias espécies de peixes. Certamente já ouviu falar que muitas espécies de peixes têm um tamanho mínimo de captura. Porquê?
Como é que se avalia a idade e o crescimento dos peixes? As variações que ocorrem sazonalmente na intensidade luminosa, temperatura e disponibilidade do alimento vão influenciar determinados mecanismos fisiológicos dos peixes, ocorrendo períodos alternados de crescimento rápido e lento. Estas variações no crescimento vão induzir a formação anual de anéis concêntricos nas escamas, otólitos (ossos do ouvido interno), vértebras e opérculos. Como estes anéis se originam quando os peixes têm apenas algumas semanas de idade e se mantêm ao longo de toda a sua vida, contando os anéis e medindo as distâncias entre eles é possível determinar a idade e o crescimento dos peixes. De salientar que nada disto é novo. De facto, os naturalistas do século XVII já faziam este tipo de estudos!
Quais são as estruturas ósseas mais utilizadas?
Sempre que possível são as escamas. São fáceis de obter e a sua utilização não implica a morte do peixe.
E, afinal, como é que se determina o tamanho mínimo de captura?
Ao contrário da maior parte dos vertebrados, os peixes são animais que crescem durante toda a sua vida. No entanto, a sua taxa de crescimento decai acentuadamente quando se reproduzem pela primeira vez, porque toda a energia que obtinham até então era somente para crescerem e, agora, passa a ser também necessária para a reprodução. Este aspeto reflete-se na distância entre anéis, que é muito maior quando os peixes são jovens. À medida que a idade aumenta os anéis estão cada vez mais juntos. Assim, quando a distância entre anéis se reduz pela primeira vez significa que o' peixe tornou-se reprodutor.
Para que a pesca seja considerada uma atividade sustentável deve deixar-se que os peixes se reproduzam pelo menos uma vez antes de serem capturados. Contudo, deparamo-nos com um problema. Em muitos peixes os machos e as fêmeas não se tornam reprodutores nem com a mesma idade nem com o mesmo tamanho. Por exemplo, no caso dos barbos', os machos tornam-se adultos quando têm 2 a 3 anos e medem cerca de 10 cm. As fêmeas, por sua vez, só são adultas por volta dos 7 anos, quando têm cerca de 20 cm. Por isso, este peixe só pode ser capturado quando tem, pelo menos, 20 cm (tamanho mínimo de captura). 
Ana Geraldes, Amílcar Teixeira

Publicado em 'Nordeste' de 14 agosto 2012.

Treino de Força Muscular em Idosos

Ciênci@Bragança
O envelhecimento está, de uma forma geral, associado à perda de massa muscular, com repercussões na funcionalidade em realizar as actividades diárias e consequentemente na qualidade de vida. A perda da força e da massa muscular progressiva predispõe esta população a uma limitação funcional, com repercussões na sua independência, sendo este um fator de predisposição para muitos dos processos patológicos associados ao aumento da morbilidade e mortalidade. Porém, o fenómeno em causa, denominado de sarcopenia, deverá ser igualmente interpretado tendo em conta a diminuição da atividade física que acompanha o envelhecimento. Além disso, a perda gradual de massa e força muscular agravam os problemas ortopédicos, levando a uma maior decadência no estado de condição física e de saúde geral.
Este complexo fenómeno que é a sarcopenia deverá ser compreendido como tendo origem em componentes de ordem nutricional, endócrina, nervosa e funcional, com aumento dos problemas ao nível metabólico, diminuição da capacidade funcional e maior susceptibilidade a quedas e fraturas. Geralmente observa-se uma diminuição da flexibilidade e força das estruturas musculares e o predomínio de posturas incorre tas que conduzem a desalinhamentos nas curvaturas da coluna, que por sua vez vão causar perda do equilíbrio.
A realização de atividade física surge como um elemento relevante na prevenção. O tipo de treino que mais tem sido estudado e recomendado é o treino de força. Este tipo de treino tem sido efetuado com elevada tolerância por parte de idosos, com excelentes resultados em termos de adaptação e ganhos na melhoria da capacidade funcional, o que por si só conduz a uma melhoria da qualidade de vida. Desta forma, os efeitos do treino da força na melhoria da função muscular são igualmente apontados como sendo específicos, pelo que outras formas de treino não (ex.: resistência cardiovascular), pois os mesmos não atenuam os declínios funcionais e morfológicos do tecido muscular associados ao envelhecimento.
É fundamental a promoção de programas de intervenção através das Autarquias e entidades locais, de forma a promover a inclusão da população idosa na sociedade, respeitando as necessidades e características do envelhecimento. Além disso, recomenda-se o acompanhamento e supervisão dos programas por profissionais da área das Ciências do Desporto. O respeito pela individualidade transporta normas e princípios que apenas podem ser determinados com conhecimento.
Miguel Monteiro

Publicado em 'Mensageiro' de 09 agosto 2012.

A aprendizagem das ciências nas primeiras idades

Ciênci@Bragança
As crianças pequenas aprendem pela ação através do envolvimento ativo a nível psicomotor, cognitivo e afetivo. O trabalho experimental surge por necessidade de encontrar soluções para os problemas com que as crianças se deparam, envolvendo- as num ambiente de discussão e reflexão sobre os processos científicos e tecnológicos inter-relacionados com a sociedade. Assim, devem envolver-se as crianças em tarefas de índole experimental e de sistematização de saberes da realidade natural, sobretudo os que se referem à natureza da matéria, ao sistema solar, aos seres vivos, à saúde e segurança do corpo humano, entre outros.
No caso particular do tema luz, justifica-se a sua pertinência na aprendizagem das crianças, por um lado porque a luz é fundamental para observarem o que existe à sua volta e para comunicarem com os outros. Por outro, desde cedo as crianças se apercebem da presença da luz e constroem brincadeiras, explorando os seus efeitos.
Estas situações podem ser motivo para a realização de atividades práticas e experimentais que admitem uma multiplicidade de conteúdos como: a luz apenas se propaga em linha reta; apenas vemos os objetos quando neles incide uma fonte de luz; há objetos que emitem luz e outros que não, apenas a refletem; existem materiais transparentes, translúcidos e opacos; quando a luz encontra um obstáculo pode atravessá-lo ou não (provocando uma sombra); a sombra formada por diferentes materiais depende da sua transparência; a luz atravessa materiais transparentes e translúcidos e não atravessa materiais opacos; quanto mais opaco é um material mais nítida é a sombra por ele formada; quanto mais transparente é um material melhor se observam os objectos através dele; a sombra de um objeto é sempre formada no lado oposto ao da fonte de luz que nele incide.
Partindo das questões do quotidiano e envolvendo as crianças na sua descoberta estaremos a contribuir para que elas possam construir saberes científicos que as capacitem para participar na sociedade, cada vez mais global.

Cristina Mesquita-Pires e Maria José Rodrigues

Publicado no 'Mensageiro' 2 de agosto 2012.

01 agosto, 2012

Envelhecimento ativo com as tecnologias de informação

Ciênci@Bragança
O envelhecimento demográfico, que se intensificará ao longo do século XXI, apresenta desafios para a sociedade, especialmente ao nível do crescimento económico e da sustentabilidade financeira. As políticas europeias destacam a importância de promover o envelhecimento ativo da população. Este passa pela participação dos adultos mais velhos na Sociedade da Informação e do Conhecimento, o que implica a necessidade de reforçar a melhoria das suas qualificações, nomeadamente no âmbito das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), e a participação na aprendizagem ao longo da vida.
A educação, a formação e os laços familiares são aspectos importantes tanto a nível individual como no âmbito da vida em sociedade. A globalização e as revoluções tecnológicas contemporâneas tornam premente que todos os cidadãos possuam competências digitais. No entanto, a maioria das pessoas mais velhas não adquiriu qualificações em TIC durante a sua educação e formação anteriores, sendo por isso um grupo que sofre um grande risco de exclusão dos benefícios da Sociedade da Informação. Estas pessoas, ao contrário dos nativos digitais, não nasceram num mundo digital, pelo que têm que se adaptar à sociedade tecnológica e adquirir novas aprendizagens para que estejam mais bem informados, tenham uma maior participação social e possam manter ou reforçar os laços familiares com as gerações mais novas (Geração Digital ou Geração NET), com quem a interação será cada vez mais suportada pela Internet e baseada em Tecnologias Web 2.0.
Portanto, é fundamental promover a aproximação dos mais velhos ao mundo digital através de iniciativas locais de aquisição de competências digitais e que vão ao encontro dos seus interesses e necessidades. E se essas iniciativas de aprendizagem, suportadas pelas TIC, envolverem também as gerações mais jovens, numa perspetiva de desenvolvimento e convivência intergeracional, estamos a reforçar a inclusão dos mais velhos na sociedade, a combater a solidão e a exclusão social e a promover o ambicionado envelhecimento ativo. Desde 2010, a Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Bragança tem vindo a dinamizar oficinas de formação TIC através do Projeto Tin@ (Tecnologias de Informação para Netos e Avós). Este projecto destina-se a pessoas maiores de 50 anos e a crianças entre os 6 e 12 anos, e visa promover a coesão familiar entre netos e avós, o envelhecimento ativo e as relações intergeracionais através de ferramentas de comunicação/interacção Web.
Vitor Gonçalves e Maria Raquel Patrício
Publicado em 'Jornal Nordeste' de 31 Julho 2012.

27 julho, 2012

«As mais altas, as mais largas, as maiores e as mais velhas»

Ciênci@Bragança
De que falamos? Leia mais um pouco e surpreenda-se. A Assembleia-Geral das Nações Unidas declarou 2011 como o Ano Internacional das Florestas para, deste modo, sensibilizar a comunidade internacional para a necessidade de uma gestão sustentável, conservação e desenvolvimento sustentável de todos os tipos de florestas, sob o lema "Floresta para todos". Um lema que desafia todas as pessoas a conhecer a Floresta, valorizando todos os recursos que dela provêm e englobando todas as árvores nela contidas. Começando pelo desafio do conhecimento mais fundamental da sua morfologia, perguntamos: conhece as mais altas, as mais grossas, as maiores e as mais velhas ÁRVORES do mundo? Algumas espécies de árvores apresentam copas altíssimas, sombreando as florestas, enquanto outras têm ramos antigos e nodosos, que pouco, abrigo oferecem nas paisagens áridas. Muitas destas árvores tornaram-se presas do abate madeireiro intensivo e da invasão humana. Algumas, contudo, persistem. Conheçamos então as "mais", dentro dos parâmetros de altura, diâmetro, volume e idade.
As mais altas. As árvores mais altas do planeta são as sequóias sempre-verdes (Sequoia sempervirens) da costa norte-americana do Pacífico. A mais alta, à qual foi posto o nome de Hyperion, (estes nomes personificam as árvores e assim ajudam a fomentar o apoio à sua contínua proteção) foi descoberta em 2006, no Parque Natural das Sequoias, na Califórnia. Com 115,6 metros de altura, é uma das espantosas 180 sequoias conhecidas com mais de 107 metros. O eucalipto da Tasmânia, a mais alta planta angiospérmica do mundo, é endémica de dois estados australianos, Victoria e Tasmânia. Em 2008, descobriu-se um exemplar de eucalipto "o Centurion", da espécie (Eucalyptus regnans), que atingiu novo recorde, com 99,6 metros de altura. O Centurion é não só o eucalipto mais alto do mundo mas também a angiospérmica mais alta do mundo.
As mais grossas. Necessitando de água, o taxódio-de-montezuma pode nunca atingir grandes alturas como os concorrentes. Mas esta espécie pode atingir grandes dimensões em diâmetro ou circunferência. A árvore de Tule ou cipreste de Montezuma ou ahuehuete (o homem velho da água), como é conhecida, é a árvore de tronco único mais grossa do mundo e localiza-se em Santa Maria del Tule, no estado mexicano de Oxaca. Trata-se de um exemplar de taxódio (Taxodium mucronatum) com 11,62 metros de diâmetro, o que corresponde a 36,2 metros de circunferência (medição de 2005). Estima-se que tenha entre 1200 e 3000 anos.
As maiores em volume, mais majestosas. A sequoia-gigante "General Sherman" é a maior árvore de tronco único em termos de volume total de madeira. No Parque Nacional das Sequoias, um monstro com 83,8 metros de altura deteve o recorde de tamanho durante quase 8 décadas - atualmente tem 1487 metros cúbicos só no tronco principal. As sequoias-gigantes têm uma casca grossa e rugosa (pode ter 90 centímetros de espessura na base do tronco) que ajuda a protegê-las dos incêndios florestais; as pinhas abertas pelo calor de um incêndio podem espalhar milhões de sementes numa área equivalente a meio campo de futebol.
As mais velhas. As árvores mais velhas são os pinheiros da espécie Pinus longaeva. Um espécime da Califórnia, a quem foi dado o nome de Matusalém, é considerado o mais antigo organismo não clonado que se conhece, tendo sobrevivido 4800 anos. As raízes superficiais destas coníferas, permitem-lhes absorver água, enquanto as agulhas ajudam a reter humidade. Em ambientes extremos, este pinheiro não mede mais do que 9 metros, mas o tronco robusto continua a ganhar peso. Com frequência, tiras estreitas de caule sustentam a folhagem em troncos maioritariamente mortos. As espécies coníferas são as mais antigas. É o caso dos pinheiros californianos Pinus longaeva e das sequoias. No entanto, uma das árvores mais velhas (se considerarmos os clones, na medida em que resultam da propagação vegetativa do pé original) localiza-se na ilha australiana da Tasmânia, na reserva florestal do monte Real, situada a uma altitude de cerca de 1000 metros. Este fóssil vivo, Lagarostrobos franklinni, é uma conífera com uma idade estimada de 10 mil anos. Este exemplar foi capaz de estender os seus ramos por duas eras geológicas. Quando a sua semente germinou, ainda o Homem andava a pintar as gravuras de Foz Coa. Um outro exemplar bastante mais velho, igualmente um clone, mas de Populus tremuloides, está referenciado no Utah, USA, com estimativas de idade entre 80 mil anos e 1 milhão de anos.
Publicado em 'Mensageiro' de 26/07/2012.

Visualização de células sanguíneas em microcanais

Ciênci@Bragança
O corpo humano possui aproximadamente cinco litros de sangue, sendo este um dos elementos fundamentais do organismo. Assim, para compreender melhor o seu comportamento e propriedades, têm sido efectuados vários estudos. Um dos grandes desafios atuais é conseguir obter a geometria (tamanho e posição relativa) dos vasos sanguíneos o mais próxima possível da realidade. Uma abordagem possível é a utilização de microcanais (canais com dimensões próximas a um fio de cabelo) em polidimetilsiloxano (PDMS), um silicone. Através desta técnica, conhecida por litografia suave, é possível construir geometrias semelhantes às dos vários tipos de artérias: arteriolas, capilares evénulas.
Para efetuar estes estudos, é necessário efetuar a colheita de sangue animal ou humano e proceder à separação de todos os seus constituintes através de várias centrifugações (processo pelo qual se consegue separar os glóbulos vermelhos do plasma e dos restantes elementos celulares), para se poder obter apenas os glóbulos vermelhos.
Em seguida, é necessário imprimir os micro canais com uma impressora de alta resolução e, com o auxílio de equipamentos existentes numa sala limpa (local com um ambiente controlado para fabricar produtos onde a contaminação por partículas presentes no ar pode interferir no resultado final), é possível obter um molde de uma geometria similar a uma arteríola. O molde é coberto com PDMS, o qual necessita de ir alguns minutos ao forno para se tornar rigido. O passo seguinte é retirar o molde do PDMS, e aderir o PDMS a uma lamela de vidro.
Com o microcanal e a amostra de sangue assim preparados, podemos passar para a última fase deste processo e observar o escoamento das células sanguíneas no interior do microcanal. Com o apoio de um microscópio e de uma câmara de alta velocidade é possível observar, gravar imagens e vídeos dos glóbulos vermelhos para serem estudados, posteriormente, com mais detalhe. Este tipo de estudos são muito importantes, pois permitem melhorar o conhecimento das células sanguíneas e o seu comportamento em microcanais. Possibilitam também o desenvolvimento de novas técnicas e métodos de análises clínicas, com aplicações quer na prevenção quer no tratamento de alguns tipos de doenças.
Publicado em 'Jornal Nordeste' de 24/07/2012.

18 julho, 2012

Para que serve a floresta?

Ciênci@Bragança
Quantas vezes a floresta não é motivo de inspiração na pintura de quadros, quer na primavera, no verão, no outono ou no inverno?
Já reparou que todos os anos, no dia 21 de março, se celebra o Dia Mundial da Floresta? Neste dia em particular, em quase todas as escolas no nosso país, quer do pré-escolar, quer do 1º ciclo do ensino básico, as crianças plantam árvores!
Em 2011, celebrou-se o ano internacional das florestas, no âmbito do qual se desenvolveram diversas acções que visaram dar a conhecer a importância da floresta. Esta celebração é um sinal inequívoco da importância e valor da floresta.
Se perguntarmos às crianças para que servem as florestas, prontamente nos respondem que são geradoras de oxigénio, que são os pulmões do nosso planeta e que purificam o ar. Referem também que é de onde vem a madeira e o papel.
Devido à tendência para a diminuição dos combustíveis fósseis, a floresta é vista como fonte de biomassa para a produção de energia. No entanto, a floresta tem outras funções importantes. O conceito de floresta, nos dias de hoje, é muito mais vasto do que o que se refere ao típico sistema de produção, constituído apenas por uma ou duas espécies e destinado apenas a explorar a madeira. Ele engloba a floresta de conservação e o seu uso múltiplo.
De entre as diversas funções da floresta, podemos salientar algumas, que todos conhecemos, muitas vezes sem nelas pensarmos:
  • é refúgio e local de alimento para alguns animais, grande parte deles, espécies que se podem caçar, ou seja cinegéticas;
  • tem um efeito protector do solo, evitando a erosão; 
  • fornece matéria orgânica ao solo, enriquecendo-o em nutrientes; 
  • retém a água no solo; 
  • é local de prática dos mais diversos tipos de actividades desportivas e recreativas; 
  • é uma fonte de matéria prima para vários tipos de indústrias; 
  • tem elevado valor paisagístico; 
  • é responsável pela retenção e armazenamento de carbono. 
Podemos dizer que a floresta é uma riqueza natural, que desempenha funções a nível ambiental, económico, social e cultural, sendo um valor a preservar.
No entanto, embora todos sejamos conscientes do papel da floresta, muitas vezes atentamos contra ela, das mais diversas formas. Todos os Verãos ardem hectares de floresta, em incêndios, muitas vezes de difícil combate. As causas podem ser várias, mas em todas o Homem tem responsabilidades! 
No nosso país, existe legislação relativa aos cuidados e à proteção da floresta, dirigida quer aos proprietários de espaços florestais, quer ao vulgar cidadão. Na época normal de fogos surgem vários apelos nos media aos quais devemos estar atentos, pois eles alertam-nos sobre os cuidados a ter com a floresta. Sabia que caso detete um incêndio, é seu dever comunicá-lo às entidades competentes? 
 
Publicado em 'Jornal Nordeste' de 17/07/2012.

17 julho, 2012

Atitude e comportamento... significam a mesma coisa?

Ciênci@Bragança
Atitudes e comportamentos são conceitos muito estudados na área das ciências sociais, em particular na psicologia.
Mas, será que significam o mesmo? Não.
As atitudes não são observáveis e os comportamentos são. Por outras palavras, a atitude é uma predisposição para a ação, logo, pode levar a um comportamento.
Podemos ter atitudes negativas e positivas, assim como, podemos ter comportamentos positivos e negativos. Mas, uma atitude positiva não significa, necessariamente, que tenhamos um comportamento positivo. Por exemplo:
Podemos ter uma atitude positiva em relação ao consumo de água. Isto é, sabemos que devemos poupar este recurso porque ele é escasso e sabemos ainda que Bragança, ciclicamente, atravessa períodos prolongados de ausência de chuva que poderão vir a limitar a quantidade de água que sai das nossas torneiras. No entanto, na hora de tomarmos o nosso banho diário, em vez do aconselhável duche de cinco minutos, demoramos cerca de 15 minutos, sempre com a água do chuveiro a correr. Logo, estamo-nos a comportar de forma negativa.
Neste caso, uma atitude positiva (ou seja, sabermos que devemos usar a água de forma racional), afinal, não corresponde a um comportamento positivo, antes pelo contrário (gastamos água descontrolada e desnecessariamente).
Desde muito cedo, vamos produzindo as nossas atitudes que se refletem, ou não, nos nossos comportamentos. As crianças vão construindo as suas crenças desde a infância, a partir da informação que recebem e das observações que fazem. As atitudes aparecem mais tarde, quando as crenças já estão adquiridas. Vêm acompanhadas de elementos emotivos que criam sentimentos positivos ou negativos face a objetos, situações ou pessoas. E, como a atitude é uma orientação para a ação, pode efectivamente condicionar o nosso comportamento.
Então, perguntamo-nos: Muitos de nós temos a convicção de que devemos separar os resíduos e colocá-los no ecoponto, para que possam ser devidamente encaminhados para as indústrias recicladoras. Temos, em relação a este assunto, uma atitude positiva. Mas, porque é que há pessoas que não se comportam de forma coerente com a sua atitude? De facto, atitudes e comportamentos não significam a mesma coisa...
Estas mudanças não ocorrem "da noite para o dia': Demoram tempo. Aqui a escola adquire um papel fundamental, pois vai capacitando os alunos a assumir novas atitudes que se poderão repercutir, mais tarde, em comportamentos positivos.

Publicado em 'Mensageiro de Bragança' de 5/07/2012.

02 julho, 2012

Envelhecer ativamente é viver mais e melhor

Ciênci@Bragança
Viver mais tempo não significa necessariamente viver bem. O aumento da esperança de vida alongou os anos mas não garante qualidade, principalmente, quando existem hábitos de vida que são potenciadores de doença, como por exemplo o sedentarismo. O processo normal de envelhecimento acarreta sempre um declínio ao nível das funções do corpo, que pode evoluir de forma mais lenta ou mais rápida, e a, longo prazo pode-se tornar incapacitante. O declínio da capacidade funcional, nomeadamente, ao nível da aptidão física que envolve a redução dos níveis de força muscular, alterações da marcha e alterações do equilíbrio estático é reconhecido pela comunidade científica como fator de risco importante para a ocorrência de quedas na população idosa. O sedentarismo aumenta em duas vezes tanto a velocidade em que ocorre como a gravidade do impacto sobre o organismo.
O estudo que estamos a realizar em idosos institucionalizados do concelho de Bragança permite, desde já, identificar baixos níveis de funcionalidade no que diz respeito a agilidade, flexibilidade e equilíbrio associados à diminuição da força de preensão manual e de preensão do polegar. Os resultados relativos à composição corporal, diminuição da massa muscular e óssea e aumento da gordura corporal, revelam-se, também, factores de risco de morbilidade, risco de queda e fraturas de baixo impacto.
Um programa de exercício físico regular e adaptado à idade e condição física do idoso seria útil para recuperar ou manter a capacidade funcional e retardar os efeitos do envelhecimento. O exercício físico tem efeitos benéficos demonstrados no aumento da longevidade, no aumento da força muscular e da qualidade do osso, no controlo do peso, na redução dos sintomas de depressão, na redução do colesterol, na melhoria da atividade sexual, na melhoria da memória, da capacidade cognitiva e da qualidade do sono, na prevenção e no controlo da diabetes, na promoção da saúde cardiovascular, na redução da tensão arterial e do risco de acidente vascular cerebral.
Melhorar a funcionalidade da população idosa reduz significativamente os factores de risco de quedas, aumentando também a actividade e participação social que conduz à melhoria da autoestima e da auto-imagem e a uma vida mais saudável.
Publicado em 'Mensageiro de Bragança' de 28/06/2012.

13 junho, 2012

PERIGO: Os alienígenas invadiram os nossos rios e albufeiras!!!!!

Ciênci@Bragança
Uma "legião invasora" de espécies alienígenas chegou silenciosamente aos nossos ecossistemas aquáticos e teima em expandir-se na rede hidrográfica, dia após dia, sem nos apercebermos ou, então, demostrando pouco interesse no seu combate.
Mas quem são estes seres alienígenas?
Compreendem várias espécies, não só de peixes como também de plantas, invertebrados e microrganismos. Ao nível da fauna piscícola podem citar-se espécies de peixes, maioritariamente da América do Norte, como a perca-sol (Lepomis gibbosus), o achigã (Micropterussalmoides), o lúcio (Esoxlucius) e a lucioperca (Sander lucioperca). Nos invertebrados, registo para a capacidade invasora de crustáceos como o lagostim-vermelho (Procambarusclarkii) e o lagostim-sinal (Pacifastacusleniusculus). Atualmente, troços de rios têm já o seu leito completamente coberto com mexilhão-asiático (Corbicula fluminea), outra espécie de bivalve invasora. Nas plantas aquáticas a pinheirinha-de-água (Myriophyllum aquaticum) e o jacinto-de-água (Eichhorniacrassipes) colonizam massivamente os rios.
Que impactos e prejuízos podem provocar nos ecossistemas?
Estão referenciados prejuízos assinaláveis em áreas tão diversas como a conservação (ex. eliminação de espécies autóctones), a economia (ex. ,a orizicultura afetada pela expansão do lagostim) e em diversos aspetos sociais (ex. hábitos de pesca desportiva, ocupação recreativa). A sua expansão está diretamente relacionada com a degradação dos ecossistemas, isto é, a ação do Homem facilita a invasão destas espécies. A título de exemplo, o mexilhão-zebra (Dreissena polymorpha), presente em várias bacias hidrográficas de Espanha, tem sido responsável pelo gasto de milhões de euros na sua erradicação, com resultados pouco expressivos.
Que estratégia urge definir e aplicar para erradicar/minimizar estes impactos?
Recurso a mecanismos de controlo (ex. físico, químico e biológico), de gestão de habitats e ao desenvolvimento de ações de conservação da biodiversidade e proteção de espécies autóctones ameaçadas, enquadrados na Diretiva Quadro da Água (DQA), com a requalificação dos sistemas degradados, a correta gestão ambiental de albufeiras, realização de monitorização ecológica e fiscalização apropriada, são algumas das estratégias que se podem implementar, no sentido da erradicação ou minimização dos impactos nos ecossistemas.
Afigura-se, ainda, essencial desenvolver ações de formação, divulgação e sensibilização das populações, em particular dos jovens, com o intuito de garantir a preservação dos recursos naturais únicos de ecossistemas singulares da região transmontana.

Publicado no 'Mensageiro de Bragança' de 07/06/2012.

08 junho, 2012

Salitres, o que são?

Ciênci@Bragança
Salitre é o nome dado, popularmente, aos pós de cor branca que se acumulam nas superfícies das paredes. O aparecimento do salitre pode surgir, por cima ou por baixo da camada de tinta, denominando-se, em termos técnicos, eflorescência ou criptoflorescência respetivamente, alterando, em qualquer um dos casos, a estética e o acabamento dos materiais.
Os sais solúveis existentes nos componentes das alvenarias e nas argamassas, como por exemplo no cimento, na cal e rias areias, são transportados pela água que circula pela parede através dos poros. Estes sais, quando entram em contacto com o ar, solidificam, causando os tais depósitos parecidos com pó branco. Outras fontes exteriores de sais solúveis podem também contribuir para o aparecimento de eflorescências, como por exemplo a água proveniente dos solos. Quando o solo está em contacto com a parede não protegida, a água do solo pode ser absorvida pela alvenaria e subir, por ação capilar, dando-se então uma possível acumulação de sais.
As condições necessárias para que ocorra a formação de tais depósitos são a coexistência de fatores determinantes como a água, sais solúveis e condições ambientais que proporcionam a percolação e evaporação da água. Basta a ausência de um destes fatores para que não ocorra tal fenómeno. A sua extensão altera-se em função da temperatura e da humidade, progredindo em estações do ano com um ritmo de secagem mais lento.
Regra geral, a eliminação dos sais solúveis é uma tarefa relativamente simples. É aconselhável que a limpeza das zonas afetadas seja efectuada em tempo quente e seco, já que no tempo propício a maior humidade, iriam ser transportados mais sais para a superfície. Normalmente estes podem ser removidos através de uma escovagem a seco. No entanto a melhor forma de evitar o seu reaparecimento, seria eliminar a presença de água na parede, caso frequente em caves não protegidas e posteriormente reparar as zonas afectadas pela patologia com aplicação de um isolamento adequado. Este passaria pela aplicação de tintas aquosas pelo exterior, de elevada impermeabilidade à água e elevada permeabilidade ao vapor de água. Contudo, existem outras soluções, como a utilização de primário antissalitre de modo a reduzir a influência das infiltrações de água ou a aplicação de um hidrofugante de silicone que impede a penetração de humidade.

Publicado em 'Jornal Nordeste' de 5 de Junho 2012.

28 maio, 2012

Obesidade infantil: um problema de saúde pública

Ciênci@Bragança
A obesidade é definida, pela Organização Mundial de Saúde (OMS), como uma doença crónica, que necessita de tratamento durante toda a vida. E inquestionavelmente um problema de saúde pública. No entanto, quer pela sua forte vertente comportamental, quer pelas complicações a que se associa, a sua abordagem terapêutica deverá ser multidisciplinar, envolvendo especialistas em nutrição, em psicologia e em exercício físico.
Para se classificar uma situação de obesidade é necessário que se verifique um aumento da gordura corporal total. A OMS considera que uma pessoa com um índice de massa corporal (IMC) superior a 30 apresenta sinais de obesidade, sendo que os valores normais de IMC rondam os 18-25. A perda de peso é aconselhada quando os valores são superiores a 25. De realçar que a obesidade infantil deve ser diagnosticada, usando um método diferenciado face aos adultos. Isto deve-se ao facto das crianças se encontrarem num processo dinâmico e contínuo de crescimento, que leva a que os seus corpos passem por inúmeras mudanças.
Mais de 90% das crianças e adolescentes obesos apresentam uma obesidade nutricional ou primária. Ou seja, na origem da obesidade está um desequilíbrio sustentado entre as necessidades nutricionais e o gasto energético. Isto é, em idade pediátrica são raras as situações em que a obesidade depende de doenças de outro tipo, dependendo sim, fundamentalmente, de um estilo de vida inadequado.
Com o objetivo de estudar a prevalência de sobrepeso e obesidade, bem como a sua associação com alguns comportamentos sedentários, foram avaliadas cerca de 1700 crianças, estudantes da cidade de Bragança, com idades compreendidas entre os 6 e os 14 anos, tendo-se concluído que a prevalência de sobrepeso e de obesidade era de 30,4% (sobrepeso: 21,8%; obesidade: 8,6%). As crianças, sobretudo os rapazes, que se deslocavam de automóvel e viam mais de 5 a 6 horas de televisão/videojogos ao longo dos 5 dias da semana, e em cada dia de fim de semana, apresentaram um risco mais elevado de se tomarem obesas.
Perante estes resultados, toma-se urgente uma intervenção, no sentido do aumento dos níveis de atividade física das crianças brigantinas em idade escolar.
Publicado em 'Mensageiro' de 24-05-2012.

24 maio, 2012

Quando a Terra treme

Ciênci@Bragança
O mundo vê-se periodicamente confrontado com um dos tipos de catástrofes naturais mais temidas: os terramotos, tremores de terra ou sismos. Especialmente mortíferos quando ocorrem em regiões muito populosas, sobretudo naquelas onde existem construções pouco ou nada preparadas para lhes resistir, os sismos são fenómenos geológicos muito frequentes, estreitamente relacionados com a constituição interna do nosso planeta.
O interior da terra é quente e constituído por várias camadas, umas líquidas, outras sólidas. A camada mais externa e que portanto está mais perto da superfície - a que chamamos crosta - é constituída por várias placas tectónicas. Os locais onde estas placas se encontram são as chamadas falhas e é sobre estas regiões que ocorrem, com muita frequência, episódios de libertação de energia. Esta energia é libertada em consequência de movimentos de gases nas camadas profundas da Terra, que leva a que as placas se movimentem, podendo chocar entre si, afastar-se ou simplesmente deslizar umas pelas outras.
O tremor de terra é a manifestação de libertação de energia: um fenómeno de vibração brusca e transitória da superfície terrestre. Há abalos sísmicos diariamente em todo o planeta, a grande maioria demasiado pequenos para serem detetados por nós, sem instrumentação apropriada.
O ponto onde se dá a libertação de energia pode situar-se a uma profundidade maior ou menor, consoante o local da Terra onde se dá a rutura. Chamamos a este ponto o epicentro. Quando o epicentro se situa muito próximo da superfície e se dá o infortúnio de este se encontrar junto a zonas habitadas, as consequências podem ser particularmente catastróficas. Foi o que sucedeu no Haiti, em janeiro de 2010, com o epicentro a localizar-se a baixa profundidade e muito próximo da capital do país. O facto de se tratar de um país muito pobre, onde a construção não incorpora técnicas que possibilitam alguma resistência aos sismos, tornou os efeitos ainda mais devastadores. No terramoto que ocorreu ao largo do Japão, em 2011, e de que a nossa memória ainda está bem fresca, sobretudo pelos efeitos indiretos da onda gigante que se formou (tsunami), uma das razões pelas quais o impacto nos edifícios se revelou menor, foi o facto de neste país os edifícios já serem construídos de modo a resistir aos sismos.
Há essencialmente dois modos de medir a intensidade de um sismo: através da escala de Richter e da escala de Mercalli. A primeira traduz a energia libertada no terramoto, medindo concretamente a amplitude das ondas sísmicas, com base em registos sismográficos. A escala de Mercalli, por seu lado, qualitativa e menos científica, mede de alguma forma os efeitos (danos) nas estruturas das construções e as sensações percebidas pelas pessoas.
No Centro de Ciência Viva de Bragança é possível compreender o que acontece durante um sismo e fazemo-lo com as nossas próprias mãos. O sismo é simulado através de um impacto num saco de boxe. Podemos então compreender, através de gráficos muito simples, a natureza das várias ondas sísmicas que são geradas e ainda estimar a intensidade do terramoto de acordo com as escalas de Richter e de Mercalli.
João Paulo Matias
Publicado em 'Jornal Nordeste'.