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21 novembro, 2014

Bragança recebe 1200 alunos estrangeiros

Sociedade das nações
Chegam da China, do Peru, da Síria ou do Senegal. O Instituto Politécnico de Bragança apostou forte na captação de alunos estrangeiros - este ano receberá l 200, de 25 países diferentes
 Descontraído, de andar gingão, Hebert Camilo responde com um sorriso à admiração de Olga Padrão, secretária da direção do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), por andar de chinelos de enfiar o dedo num dia chuvoso e frio. Além do acentuado sotaque de Minas Gerais, o jovem de 21 anos, chegado em setembro ao nordeste transmontano, veio equipado com roupa leve, pouco apropriada para o rigoroso inverno que se aproxima. «Tem problema, não», garante.
Apesar das dificuldades com o termóstato, o jovem estudante do 3.° ano de Engenharia Agronómica está a adorar a experiência portuguesa. De tal forma que, dois meses após a chegada a Bragança, já começou a tratar das burocracias para prolongar a estadia inicialmente prevista para um semestre, mas que ele agora quer estender a dois. «A cidade é pequena mas recebe bem a 'gente' e estou gostando muito da experiência. O Instituto está bem equipado e as aulas são muito interessantes», adianta, em jeito de justificação. Hebert chegou a Bragança ao abrigo de um protocolo com o Instituto Federal do Norte de Minas Gerais. No seu caso, o programa de intercâmbio prevê que o IPB se responsabilize pelo alojamento e refeições, enquanto a sua universidade de origem lhe assegurou as passagens aéreas e uma bolsa de três mil euros por semestre.
O jovem mineiro é apenas um dos 650 alunos estrangeiros - num universo de cerca de seis mil estudantes - que atualmente frequentam o IPB. Números que pecam ainda por defeito uma vez que há muitos inscritos ainda à espera de visto para fixar residência em Trás-os-Montes - os casos mais complicados têm sido os de alunos provenientes de países africanos que foram afetados pela epidemia de ébola, como a Libéria e a Serra Leoa, o que fez complicar as burocracias. Além disso, tal como sucedeu em anos anteriores, e a avaliar pelas inscrições já efetuadas e os processos em fase de aceitação, é de esperar que no segundo semestre o número de alunos chegue aos 1200 (mais 300 que no ano passado). Números impressionantes, numa cidade com pouco mais de 23 mil habitantes e onde, segundo um estudo recente encomendado pelo Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, o peso desta instituição na economia local é superior a 11 por cento do Produto Interno Bruto - o valor mais elevado do País.

Bragança lidera o 'ranking' dos politécnicos e cobra as propinas mais baixas do País
O IPB está atualmente no ranking das dez melhores instituições de ensino superior a nível nacional - o primeiro entre os politécnicos - e, em boa medida, isso também contribui para facilitar a captação de alunos através de convénios com instituições espalhadas pelo mundo fora. Além dos que chegam ao abrigo do programa Erasmus, provenientes da União Europeia, o maior contingente vem de paragens tão diversas como o Turquemenistão, China, Timor-Leste, Paquistão, Síria, México ou Peru, só para referir alguns dos mais distantes dos 25 países ali representados. Para o sucesso dessas «formas pró-ativas ou menos ortodoxas», na expressão do vice-presidente Luís Pais, contribuem ainda as propinas mais baixas (755 euros, para estudantes de licenciatura nacionais, e 1100, para os internacionais) e o facto de haver já vários cursos lecionados exclusivamente em inglês.

Hospitalidade transmontana

Exemplo sólido de uma integração feliz é o de Auro dos Santos. O cabo-verdiano, de 24 anos, chegou a Bragança em 2009 e diz que se sente em casa, «tal como todos os alunos africanos», os maiores contribuintes da larga comunidade estrangeira do IPB. A Associação de Estudantes Africanos representa peno de 400 alunos, a maioria deles de Cabo Verde, mas também muitos são-tomenses e angolanos. Sentindo-se em casa, já criaram uma equipa de futebol que alinha nos distritais de Bragança, uma equipa de futsal feminina, um grupo de dança, um conjunto musical (AfroBanda) e, para breve, prometem um grupo de teatro. Além disso, explica Auro, que preside à associação, «ajudamos muitos alunos a tratar de toda a burocracia para aqui chegar». A terminar o mestrado em Tecnologia Biomédica, depois de ter completado a licenciatura, vê aproximar-se a passos largos a hora de regressar a Cabo Verde e já começa a sentir saudades. «A minha adaptação foi cinco estrelas, nunca tive problemas e, se é verdade que quero ajudar ao desenvolvimento do meu país, também é certo que Bragança vai ficar sempre no meu coração.»
Tal como Auro dos Santos, também os habitantes da cidade se afeiçoaram e habituaram já à presença dos alunos estrangeiros. A chegada de sangue-novo estava a fazer falta, para dinamizar o comércio da cidade. Aos 75 anos, Vitalino Miranda e a mulher, Maria de Lurdes, mantêm a pequena mercearia, com quase meio século, de portas abertas, apenas porque funciona no rés-do-chão da sua casa e não pagam renda. «O centro histórico hoje está quase deserto. Levaram daqui os serviços e as pessoas começaram também a sair porque as casas estão velhas... e as que foram arranjadas têm rendas muito caras», considera Vitalino. Hoje, são os jovens da renovada residência universitária os poucos clientes que têm. «Nós queremos é vê-los cá, e que levem umas comprinhas. Mas a gente sabe que eles também não trazem dinheiro à larga e são muito regrados. Perguntam sempre pelo preço antes de levar alguma coisa... não é verdade?», atira. para Alexandre Ximenes, um jovem timorense de 19 anos, mais fluente em inglês do que em português, que consente com um sorriso envergonhado. Acabou de chegar a Bragança, para iniciar a licenciatura em Engenharia Informática, com uma bolsa de estudo concedida pelo Institut of Business de Díli, com quem o IPB tem uma parceria, e também ele está fascinado com a cidade. «As pessoas são muito simpáticas», arrisca, num português razoável, ao lado de Peltier Aguiar, um angolano de 26 anos, estudante de Agroecologia e que vive com ele na residencial Domus. É o africano que hoje faz de cicerone, acompanhando o timorense às compras. «Quando precisamos de alguma coisa vimos aqui à mercearia ou então vamos à loja do senhor Valdemar. Mesmo que tenha a porta fechada, basta tocar à campainha que ele atende-nos a qualquer hora», explica.
Gil Gonçalves, um dos atarefados elementos do Gabinete de Relações Internacionais, encarregue dos processos burocráticos dos alunos estrangeiros, não se mostra surpreendido com a boa reação dos habitantes. «Somos transmontanos, é a nossa forma de ser. Aqui, primeiro mandamos entrar; só depois perguntamos quem é.»

Publicado em 'Visão' nº1133, 20 a 26 novembro 2014.

03 novembro, 2014

Cristãos, muçulmanos e budistas no mesmo espaço em Bragança

Abertura aos estudantes estrangeiros trouxe ao Nordeste Transmontano diferentes credos. Direcção da instituição criou agora um espaço de oração para todos sem excepção
 Já foi a casa senhorial de uma das quintas mais ricas da zona de Bragança, antes de ser transformada em pólo de investigação do Instituto Politécnico de Bragança (IPB). Agora, o espaço que albergou o Centro de Investigação de Montanha tornou-se um espaço intercultural e inter-religioso, onde alunos de todos os credos e religiões podem coabitar. E o pontapé de saída desta experiência inédita foi dado por três estudantes alemãs, que ao longo do último mês estiveram em Bragança a recolher experiência de vida e a aprender os desafios de viver em comunidade.
“Tem sido muito bom”, garantiram ao PÚBLICO Margarete, de 21 anos, estudante de Psicologia e oriunda de Triest, Anna, de 18, que veio de Munique e quer ser professora, e Lisa, também de 18, proveniente de Colónia e que quer estudar Teologia. As três jovens participaram numa acção promovida pela Taizé, uma comunidade ecuménica localizada em França, que acolhe jovens e adultos das várias confissões cristãs no mesmo espaço, de partilha. “É uma forma diferente de viver a fé, com respeito pelos outros”, dizem. Apesar da dificuldade com a língua, comunicar não tem sido um problema. “Entre inglês, francês ou por gestos”, explicam, com um sorriso tímido. Aproveitaram para conhecer a região e participar em alguns momentos importantes na vida da diocese de Bragança-Miranda, como a comemoração do Dia Nacional dos Bens Culturais, que decorreu em Torre de Moncorvo, no dia 18 de Outubro.
A presença das três jovens surgiu como forma de um “desafio” lançado ao padre Calado Rodrigues, capelão do Instituto. “[A comunidade de Taizé] está num ritmo de preparação do centenário do nascimento do fundador, do aparecimento do fundador da comunidade, e está a colocar em diversos pontos do globo pequenas comunidades temporárias. A ideia é terem uma experiência de vida comunitária, depois uma experiência de oração (três vezes ao dia). E depois uma experiência de solidariedade”, explica o sacerdote, que supervisionou a estadia das jovens em Bragança.
O trabalho foi um pouco dificultado pela questão da língua, mas conseguiram ultrapassar isso e comunicar com os idosos e com as crianças das IPSS. “Encontrámos muita gente que fala inglês e francês”, recordam as jovens.
Para além disso, tiveram contactos com os estudantes do IPB, das escolas, para divulgar a comunidade, o seu objectivo e espírito, “que é sobretudo marcado pelo espírito ecuménico, com um bom relacionamento entre as diferentes igrejas cristãs”, sublinha o sacerdote. O grande objectivo foi “motivar as pessoas a participar, de 9 a 16 de Agosto, nessas comemorações”. ”Estamos a organizar um grupo daqui para participar. Estarão milhares de jovens de todo o mundo”, acredita. Esta experiência serviu de ponto de partida para um outro projecto do IPB, que passa pela criação de um espaço intercultural e inter-religioso, situado à entrada da Escola Superior Agrária, em Bragança. “Primeiro pensámos em criar um espaço para oração ecuménica. Mas chegou-se à conclusão que o IPB tem-se internacionalizado muito, e há estudantes vindos de diversas latitudes religiosas e culturais, pelo que se sentiu a necessidade de criar um espaço de reflexão intercultural e inter-religiosa”, explica o capelão do Politécnico de Bragança. A necessidade foi identificada, inicialmente, pela direcção do Instituto. “A proveniência dos alunos tem aumentado, assim como o número de religiões. Este ano tivemos candidaturas dos Países Africanos de Língua Portuguesa, mas de muitos outros países africanos, da América, da Europa e do Oriente, de países como o Bangladesh, a Índia ou o Irão”, explicou Sobrinho Teixeira, o presidente do IPB, ao PÚBLICO, revelando que o objectivo “é ter uma atitude preventiva e afirmativa desta situação, de maneira a que se possa fazer disto uma cultura de tolerância pela diferença”.
Funciona como “um mesmo espaço para onde vão ser convidados os alunos do IPB, de diferentes regiões, de diferentes religiões, para cada um ter a sua afirmação”. “Pretende-se o acentuar da diferença mas com harmonia e tolerância. Para que cada um possa ter um espaço para orar mas afirmar aquilo em que acredita”, sublinha. Será um espaço em branco, ou seja, de decoração neutra, em que cada grupo pode colocar a decoração consoante as suas crenças (imagens, por exemplo), e que retira e guarda após a oração.
A ideia é peregrina e nem mesmo as três jovens alemãs esperavam algo semelhante. “Nunca tínhamos visto nada semelhante. É uma ideia muito boa porque se o fizermos todos os dias torna-se um hábito. E é uma forma de reflexão e introspecção”, dizem. “[As pessoas] não precisam de rezar juntas mas têm de se respeitar e podem conhecer-se melhor”, diz mesmo Margarita, a mais velha das três, estudante de Psicologia.
O espaço foi visitado pelo bispo da diocese de Bragança-Miranda, D. José Cordeiro, o mais jovem bispo do país e um dos mais jovens de toda a Europa. Participou num dos três momentos diários de oração, que inclui a leitura de algumas passagens da Bíblia, cânticos e meditação. “Creio que é um bom começo e uma boa continuidade do serviço que a capelania do Politécnico pode prestar. Tem essa missão de congregar todas as culturas e todas as línguas na mesma linguagem da verdade, da vida, do amor, da tolerância, do respeito dos valores universais, que são valores cristãos e valores humanos. Para nós, são valores novos, concretizados aqui”, frisa o prelado. “Temos a experiência de ser um povo missionário e de emigrantes mas temos agora a experiência de ser um povo de missão e que acolhe multiculturas. Bragança está a ser uma cidade multicultural. E o aspecto religioso e cultural é fundamental para o acolhimento na diversidade das línguas e das culturas”, fez questão de sublinhar D. José Cordeiro. O bispo transmontano, que já foi ele próprio capelão do IPB há mais de 20 anos, acredita que não haverá choque cultural. “Espero, sinceramente, que não”, diz, até porque, “a criação de um espaço religioso integrado no campus é a expressão de uma cultura preventiva, para que, ao chegarem, [os estudantes] se sintam acolhidos e incluídos, com perspectivas diferentes mas apostados num mundo novo e global”.
Por outro lado, surge na sequência das acções do Papa Francisco de promoção do diálogo para a Paz na Terra Santa. “No nosso caso, é uma Igreja em saída. Temos de estar preparados para isso e ainda não estávamos. Em Bragança, experimentamos a multiculturalidade e a universalidade da fé. Isto é muito positivo e tem de ser cultivado, porque é uma experiência completamente nova”, conclui.
Este ano, o IPB teve um crescimento de 25 por cento no número de alunos novos. Praticamente metade são estudantes estrangeiros.

Publicado em 'Público'.

07 abril, 2014

Atração de mais estudantes estrangeiros entre as prioridades do IPB


A captação de ainda mais alunos estrangeiros para o Instituto Politécnico de Bragança (IPB) é um dos grandes desafios a que se propõe Sobrinho Teixeira para o próximo mandato enquanto presidente da instituição de ensino, revelou na tomada de posse, na passada terça-feira. Uma alteração legislativa vai permitir a captação direta de estudantes, o que alarga o leque de possibilidades e pode ser grande oportunidade para o interior. A aposta na atração de alunos das vias profissionalizantes também pode ser uma das formas para Portugal ultrapassar as metas do índice de formação.

A aprovação do mestrado em Agricultura Tropical também é uma vantagem competitiva para atrair alunos, sobretudo estrangeiros “por representar uma grande empregabilidade”, acrescentou o presidente da instituição brigantina.
O IPB já leciona três cursos em língua inglesa. “O nível de procura de informação sobre o estabelecimento de ensino por parte de alunos estrangeiros tem sido muito grande. Veem aqui uma instituição de grande qualidade que consegue estar nos patamares de desenvolvimento da investigação, à frente dos indicadores dos rankings internacionais, e uma região que lhes pode oferecer um baixo custo de vida”, explicou Sobrinho Teixeira.
A relação com a comunidade, aproveitando os fundos do próximo Quadro Comunitário de Apoio (CQA), pode servir para aumentar a inovação e a criação de emprego.
“Terá de haver uma grande associação com as instituições de ensino superior, as forças locais, e uma capacidade de atrair empresas de fora da região, mediante condições negociais que têm se ser estipuladas”, acrescentou.
Nesse âmbito o IPB já está a trabalhar com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, as três Comunidades Intermunicipais da região, nomeadamente A CIM Trás-os-Montes, CIM Douro e CIM Tâmega. “Para que após a elaboração do plano estratégico exista uma concertação para afirmação da região face ao próximo quadro”, Sobrinho Teixeira defende que “a região não pode ficar abaixo dos índices de desenvolvimento e aquilo que por direito nos caberia nós não teríamos retorno”.

Publicado em 'Mensageiro de Bragança'.

06 fevereiro, 2014

Estudantes de 34 países em Bragança


Os alunos do IPB receberam os diplomas de conclusão de licenciatura e prémios de mérito no Dia do Instituto, nomeadamente os estudantes estrangeiros.
Este ano o IPB é frequentado por 680 alunos estrangeiros, oriundos de 34 países, 22 de países da Europa, sendo que 12% não têm nacionalidade portuguesa. A maior comunidade é a de Cabo Verde, com 171; seguida de São Tomé e Príncipe com 90; e do Brasil com 77. De Espanha e da Polónia vieram 47 e 55 jovens, chineses são já 21. Há ainda estudantes que vieram dos Estados Unidos da América, do México, Peru, Nigéria, Equador e Quénia.

Publicado em 'Mensageiro'.

02 maio, 2013

United Colors of Trás-os-Montes

UTAD tem 3% de alunos estrangeiros e quer chegar os 20%. IPB tem 11% de internacionais. Aposta na China e África
O futuro da UTAD e do IPB está lá fora. Têm cada vez mais alunos estrangeiros e a ambição é continuar a aumentar essa percentagem.


18 março, 2013

Macaenses em Bragança

A par deste protocolo, o IPB tem um projeto em que se ensina a Língua e Cultura portuguesas a 30 alunos chineses


Exibido em 'LocalvisãoTV'.

06 março, 2013

Estudantes de Enfermagem de Macau fazem estágios em Bragança


Com o protocolo realizado entre o Instituto Politécnico de Bragança, a Unidade Local de Saúde do Nordeste e a Universidade de Macau, duas estudantes de enfermagem estão há três semanas em Bragança a estagiar no Hospital da cidade.
Sendo um memorando elaborado entre todos os politécnicos com a universidade de Macau, Luís Pais, vice-presidente do IPB, distingue a importância do mesmo. “Estes estágios enquadram-se numa colaboração de longa data com o Instituto Politécnico de Macau. Trata-se de um projecto que não é só do IPB, mas sim de todos os politécnicos de Portugal. Existe um memorando entre os politécnicos e o politécnico de Macau que visa a colaboração e a mobilidade internacional de estudantes”.
Helena Pimentel, directora da Escola Superior de Saúde de Bragança, sublinha a importância destes estágios. “Os estágios são muito importantes. Desde logo os nossos estudantes têm a oportunidade de contactar com estudantes de outros continentes, neste caso, e exercerem uma função e um objectivo que é colaborar na aprendizagem destes tudantes, através de uma orientação tutorial, através de um acompanhamento de maior proximidade. É uma mais-valia para a escola enviar e receber estudantes”.
Ângela Prior, enfermeira directora ad ULS Nordeste, sabe que existem dificuldades, mas diz ser bom para as estudantes a experiência em Bragança. “Este estágio tem características muito peculiares e são diferentes dos outros. O estágio já está a decorrer. Desenvolveram três semanas no contexto de prática clinica de medicina onde tiveram oportunidade de, sobretudo, observar mais do que actuar. Permitiu-lhes uma relação de proximidade com os utentes, sempre supervisionadas pelo professor da escola e acompanhadas pelos profissionais dos serviços”.
Hanne e Pemily, as jovens macaenses, estão a gostar da experiência, tendo apenas problemas a nível de comunicação. “Esta mos a gostar muito do hospital. Os colegas e os pacientes são muito amáveis para nós. Os colegas tentam ajudar-nos a comunicar com os pacientes. Temos dificuldades em comunicar, mas tentamos vários métodos, como a linguagem corporal, a tradutora, mas temos algumas dificuldades. No entanto, estamos muito felizes. Na cidade não há muita gente que fale inglês. Nós não falamos muito bem português, estamos a tentar aprender, mas é muito difícil”.
É a quarta semana das futuras enfermeiras de Macau em Bragança e, num futuro próximo, poderá haver ainda mais intercâmbios entre estudantes de Macau e brigantinos.

Publicado em 'Rádio Brigantia'.

19 dezembro, 2012

Alunos do primeiro ciclo vão ter aulas de mandarim em Bragança

O presidente do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), João Sobrinho Teixeira, disse hoje em Macau que os alunos do primeiro ciclo do ensino básico desta cidade vão ter aulas de mandarim a partir do ano letivo de 2013/2014.
"Temos um projeto emblemático para iniciar o mandarim logo na primeira classe, no primeiro ano do ensino básico, para os alunos com seis anos", disse João Sobrinho Teixeira, à margem de um fórum em Macau.
O projeto de ensino da língua chinesa, segundo João Sobrinho Teixeira, vai resultar de uma parceria que envolve o Politécnico, a Câmara Municipal de Bragança, e a Universidade de Pequim em Zhuhai (Beijing Normal University at Zhuhai- BNUZ).
Depois de um período experimental de um mês e meio, a partir de junho, as aulas de mandarim iniciar-se-ão efetivamente em setembro, com um professor que será destacado por aquela universidade chinesa para Bragança.
"Esperamos que, com este embrião, Bragança se comece a afirmar como núcleo da cultura chinesa e da língua chinesa, na região do interior de Portugal e na região vizinha com Espanha", sublinhou, ao referir que estão a ser ultimados os detalhes com os parceiros em Zhuhai, região adjacente a Macau.
Antes da deslocação a Macau, João Sobrinho Teixeira esteve na semana passada em Pequim para a celebração de um acordo com a Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim (Beiwai) - a primeira universidade chinesa a abrir uma licenciatura de português em 1961 - com vista ao intercâmbio e aperfeiçoamento da língua portuguesa dos alunos chineses.
O novo acordo com Bewai deverá elevar o número de universitários chineses em Bragança, atualmente estimados em quase meia centena proveniente das universidades chinesas de Guangdong e de Nanjing, sobretudo dos cursos de português e jornalismo.
"Penso que começa a haver aqui uma cada vez maior consolidação entre Portugal e a China. Os politécnicos de Portugal pretendem ser um elo de ligação entre os países europeus e sobretudo os países de expressão portuguesa, e o Instituto Politécnico de Macau tem sido uma instituição charneira" nesse processo, disse.
Numa cidade "com cerca de 25 mil habitantes, o Instituto Politécnico de Bragança tem 7,5 mil alunos, dos quais cerca de mil são internacionais", sublinhou.
O responsável explicou também que foi estabelecida uma parceria com a autarquia, que incluiu a candidatura a fundos europeus para a recuperação de casas do centro histórico destinadas ao alojamento de alunos estrangeiros.
"Há ali uma pequena cidade cosmopolita, que permite aos alunos chineses, o contacto não só com os alunos portugueses, mas com alunos dos países de expressão portuguesa e alunos europeus", afirmou.
O IPB inaugurou a 15 de outubro o Centro de Língua e Cultura Chinesas, um projeto que Sobrinho Teixeira descreveu como "pioneiro".
"É um espaço próprio da Universidade de Pequim em Zhuhai aberto para o politécnico e para a região, e que irá fazer traduções e divulgar a cultura chinesa não só em Bragança, mas em todos os municípios da região", afirmou.
O centro deverá também ajudar "na facilitação de negócios entre os empresários de ambas as regiões", concluiu.

Publicado em 'i'.

16 maio, 2012

Mandarim leccionado no IPB

O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) vai leccionar aulas de mandarim já no próximo ano lectivo.
Este projecto surge na sequência das relações do IPB com o Oriente, que teve início com a vinda de 24 alunos chineses para Bragança, há cerca de um ano.
O presidente do IPB, Sobrinho Teixeira, sublinha que o Politécnico vai receber agora um Centro de Estudos Orientais, que deverá ser inaugurado em Outubro do próximo ano.
“Ficou já aqui estabelecido que irá ser constituído aqui um Centro de Língua Chinesa. Iremos ter também aqui uma professora de Macau que irá leccionar aos alunos de Línguas e Relações Internacionais na Escola de Educação de Bragança e aos cursos de Turismo na Escola de Mirandela”, realça o presidente IPB.
A introdução do mandarim nos planos de estudos de alguns cursos vai enriquecer os currículos dos alunos. Sobrinho Teixeira garante que esta é uma forma de alargar o leque de oportunidades de emprego para os profissionais formados pelo IPB. Sobrinho Teixeira salienta que o Centro de Língua Chinesa vai ser aberto à comunidade e servirá toda a região Norte.
O Centro de Estudos Orientais vai ficar sedeado no IPB e tem inauguração marcada para Outubro do próximo ano.

Publicado em 'Rádio Brigantia'.

08 maio, 2012

Instituto Politécnico de Bragança aposta nas relações com o Oriente

Depois de terem chegado ao IPB, em Setembro passado, 24 alunos da Universidade de Nanjin, para estudarem a Língua Portuguesa, agora o intercâmbio alarga-se a mais quatro universidades da República Popular da China. No próximo mês de Setembro, o número de alunos deverá subir para perto de 80 e em 2013 deverá chegar aos 300. Na Última Hora fomos perceber como está a decorrer esta experiência.
Uma situação que o presidente do Politécnico atribui ao interesse, dos orientais, pela Língua Portuguesa e pelas oportunidades que o mundo da lusofonia pode oferecer. Esta ligação à Ásia será selada também com abertura de um Centro de Estudos Orientais, que ficará sediado em Bragança e servirá todo o norte do País.

Publicado em 'TSF'.

22 setembro, 2011

Estudantes chineses já chegaram ao IPB

Ainda não vêm charters de chineses, como previu Paulo Futre, mas a partir deste novo ano lectivo, o Instituto Politécnico de Bragança acolhe 24 estudantes de uma universidade chinesa.Vão ficar por Bragança durante um ano, para aprender português. São 24 alunos que há uma semana chegaram a Bragança para um ano de aulas de português no Instituto Politécnico de Bragança. Para melhor se adaptarem, escolheram todos um nome português. Neste caso, olá Olívio.“Para nós é um pouco difícil aprender a falar português, mas depois de um ano de estudo acho que já é mais fácil” considera.O grupo já teve dois anos de aulas teóricas de português, na China, na universidade de Nanjing. O objectivo é abrir melhores perspectivas de emprego.“Na China um estudante de Português pode procurar um bom trabalho bem como em Angola e em Macau” refere.Para Cármen, a professora chinesa encarregue de acompanhar o grupo, a língua portuguesa apresenta muitas dificuldades principalmente “de conjugação porque a língua chinesa não tem conjugação. Têm de memorizar muitas formas dos verbos”.Este é um projecto pioneiro do IPB, que vai permitir também a alunos portugueses terem aulas de chinês. Para o presidente do IPB este intercâmbio e, sobretudo, a possibilidade de os alunos portugueses aprenderem chinês, vai abrir portas no emprego.“Isso vai representar uma mais-valia para os alunos que o frequentarem porque sendo uma potência emergente como é a China, os empregadores olharão sempre de uma forma positiva para quem tenha alguns conhecimentos de língua chinesa” refere Sobrinho Teixeira.

Para além deste protocolo, o IPB também vai ter um intercâmbio com a universidade de Zuhai, perto de Macau, que vai permitir enviar alunos portugueses para um ano na China, obtendo um diploma da língua.
Publicado em 'Rádio Brigantia'.

12 setembro, 2011

Chineses vêm estudar para o IPB

Vão vir Charters diria o Futre
Um grupo de 25 estudantes chineses vai frequentar, a partir deste mês, o Instituto Politécnico de Bragança.São alunos da Universidade de Nanjing que frequentam uma licenciatura de Português e vão passar aqui um ano para treinar a língua. “Os cursos de licenciaturas deles são de quatro anos e o terceiro ano, eles fazem num país de língua oficial portuguesa para treinarem o Português” explica a directora da Escola Superior de Educação. “Neste caso escolheram o Politécnico de Bragança. Vão chegar em Setembro e vão estar cá até Julho de 2012 a fazer a formação” acrescenta, referindo ainda que “vão frequentar unidades curriculares de dois dos nossos cursos de licenciaturas que são a Educação Básica e Línguas e Relações Internacionais porque são os que têm mais unidades curriculares na área da língua e cultura portuguesa”. Conceição Martins congratula-se pela escolha do IPB para a formação destes alunos.“Para nós foi bastante bom porque com o esforço de internacionalização a nível de todo o politécnico, em várias áreas, interessa-nos a China porque está em expansão em termos do domínio do Português, não só pela presença que tínhamos em Macau, mas também pelo interesse crescente da China em falar Português, não só para virem para Portugal mas também para os países de língua oficial portuguesa” afirma. “Foi com muito agrado que soubemos que eles tinham escolhido o Politécnico de Bragança quer pela qualidade de formação que lhes demonstrámos mas também pela cidade” salienta. Através desta parceria, espera-se depois estabelecer mais contactos com o ensino superior da China.“Em relação a esta universidade e a este curso, nós esperamos que a situação se vá mantendo para anos seguintes” refere. Amém disso. “Com esta experiência nós poderemos alargar para outras universidades até porque um dos professores que fez os contactos iniciais é português mas reside e trabalha em Macau” acrescenta. O grupo de estudantes deve chegar em breve e por cá vai ficar durante um ano lectivo.
Publicado em 'Diário de Trás-os-Montes'.

25 agosto, 2011

Estudantes do IPB partem para Macau

Quatro jovens estudantes de Bragança já estão em território chinês para estudar durante um semestre
Os primeiros estudantes portugueses que vão usufruir do protocolo de intercâmbio com uma universidade de Macau já estão em território chinês. O Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos Portugueses (CCISP) estabeleceu um protocolo de intercâmbio de estudantes e professores, com o Instituto Politécnico de Macau, semelhante ao Programa Europeu ERASMUS. Ao abrigo deste protocolo, os estudantes portugueses e chineses, poderão estudar por um semestre em Macau e Portugal, respectivamente, com pleno reconhecimento dos estudos efectuados e, com alimentação e alojamento suportadas pela Instituição de acolhimento.

Os primeiros alunos a usufruírem deste protocolo partiram ontem, dia 23 de Agosto, para realizarem um semestre de estudos no IPMAcau. Fora 14, os jovens que partiram do aeroporto da Portela, em Lisboa e que regressarão no dia 10 de Janeiro de 2012, pertencentes aos Politécnicos de Bragança (4), Castelo Branco (4), Guarda (2), Leiria (2) e Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (2).

No 2º semestre deste mesmo ano lectivo de 2011/2012 os Politécnicos Portugueses receberão os primeiros estudantes chineses ao abrigo do protocolo e, mais alunos portugueses participarão deste intercâmbio.

Publicado em 'Mensageiro Bragança'.

15 junho, 2011

IPB alarga programas de mobilidade para Macau

O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) vai alargar os programas de mobilidade de alunos e professores com a formalização de mais uma parceria com o Politécnico de Macau.
A informação foi avançada pelo presidente do IPB, Sobrinho Teixeira, na passada terça-feira, durante a abertura do 21º Encontro da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP), que decorreu em Bragança.
O responsável lembrou que a capital de distrito já recebe 900 alunos estrangeiros, ao abrigo de acordos de mobilidade estabelecidos entre instituições de ensino superior lusófonas.
“O IPB foi pioneiro num programa, que sem financiamento, consegue ter neste momento uma centena de alunos com grande incidência nas universidades federais brasileiras”, realça o presidente do IPB.
A partir do próximo ano, o Politécnico abre as portas a alunos de Macau e proporciona aos alunos portugueses entrarem em contacto com uma realidade diferente. Esta parceria vai possibilitar a mobilidade de cerca de cem alunos numa filosofia de partilha de custos entre os dois países.
O financiamento dos programas de mobilidade foi uma das questões que esteve em cima da mesa durante este encontro, que reuniu professores e investigadores lusófonos de quatro continentes.

5 milhões de euros para permitir a mobilidade de um maior número de alunos no espaço lusófono

Na óptica de Sobrinho Teixeira, se houver uma partilha de custos entre as instituições de ensino superior é possível incluir os alunos com menos recursos financeiros nestes programas de partilha de conhecimentos. “Penso que se nós tivermos imaginação, o financiamento é só parte do problema. No programa que Bragança iniciou há um sistema de custos partilhados, em que a instituição de acolhimento e a instituição de envio acordam entre si garantir a acomodação e o alojamento dos alunos e o aluno terá que custear a viagem, que pode ser financiada”, explica o responsável.
Para a alargar a mobilidade a um maior número de alunos, a AULP está a delinear um programa, com uma verba estimada de 5 milhões de euros, para facilitar o intercâmbio de alunos no espaço lusófono.
O ainda Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, esteve presente na cerimónia de abertura deste encontro e durante a sua intervenção disse mesmo que há instituições de ensino superior que não estão preparadas para dar resposta às solicitações de mobilidade de milhões de jovens. À saída o governante recusou prestar declarações aos jornalistas.
O encontro da AULP encerrou na passada quarta-feira sem a presença do ex-presidente da república de Moçambique, Joaquim Chissano, que não conseguiu estar em Bragança devido a compromissos profissionais.
Publicado em 'Jornal Nordeste'.

08 junho, 2011

Universidades de língua portuguesa vão criar “erasmus lusófono” para estudantes e professores

As instituições de ensino superior dos países lusófonos estão a estudar a criação de um programa de mobilidade que deverá ficar definido no XXI encontro da Associação de Universidades de Língua Portuguesa (AULP) que começou hoje, em Bragança.
Mais de 400 académicos dos oito países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e da região de Macau estão reunidos, durante quatro dias, no Nordeste Transmontano, para discutirem novas formas de cooperação.

A ideia da criação de um programa que seja uma espécie de “erasmus lusófono” já vem de encontros anteriores e o presidente da AULP, Clélio Diniz Campolina, espera reunir agora condições para avançar.

Alguns dos países da CPLP já têm individualmente programas de mobilidade, mas a ideia da AULP é “ampliar e incentivar o intercâmbio que já existe” com uma acção concertada.

Segundo aquele responsável, o programa envolverá recursos financeiros na ordem dos cinco milhões de euros para apoiar a mobilidade de 1500 estudantes e professores, em cinco anos.

No Brasil estão reunidos os apoios necessários, porém o presidente da AULP admitiu que esta “é uma negociação complexa porque são oito países mais a região administrativa de Macau. É um esforço de convergência”.

Alguns países têm mais dificuldade financeira, segundo disse, nomeadamente Timor-Leste e alguns países africanos que, defendeu, “deveriam receber um apoio maior”.

Clélio Diniz Campolina entende que o programa “não deve ficar na dependência de assinaturas concretas e deve ser iniciado por aqueles países que já têm condições de implementá-lo”.

A língua portuguesa é o património comum que junta estas instituições num encontro anual que tem como anfitrião o Instituto Politécnico de Bragança (IPB), onde estudam mais de 900 jovens estrangeiros entre os oito mil alunos, segundo o presidente.

Sobrinho Teixeira realçou que esta vertente “cosmopolita” faz de Bragança “um exemplo de como uma pequena cidade se pode transformar numa alma abrangente de poder acomodar dentro de si uma grande diversidade”.

A sessão de abertura contou hoje com a presença do ministro português da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, para quem a AULP “é uma janela de observação sobre uma parte extremamente importante no mundo”.

“Se há mudança visível é a força que a educação ganhou”, declarou.

O director-geral da CPLP, Hélder Vaz, recordou que entre os 17 objectivos prioritários desta organização encontra-se a cooperação universitária a diversos níveis e o reforço das políticas de formação de quadros.

No encontro estão também representantes da Comissão Europeia e uma delegação do Bairro Português de Malaca, que passou a integrar o intercâmbio lusófono com docentes dos politécnicos portugueses a ensinarem português aos descendentes lusos da Malásia.
Publicado em 'Público'.

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Feira de cooperação universidades de língua portuguesa

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26 outubro, 2010

“Base” para “Erasmus lusófono” passa pelo Politécnico de Macau

Primeiros alunos em mobilidade entre Politécnicos de Portugal e IPM esperados em Março
Estão a ser limadas as últimas arestas para o lançamento de um projecto piloto, ao abrigo do qual é dada a possibilidade aos alunos do IPM de frequentar um semestre do curso em Politécnicos de Portugal e vice-versa. Em Março, deverá arrancar o novo programa de mobilidade, que se espera que sirva de alavanca à criação de um “Erasmus lusófono”, adiantou Sobrinho Teixeira, presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, em entrevista ao JTM.

Estão a ser limadas as últimas arestas para o lançamento de um projecto piloto, ao abrigo do qual os alunos do Instituto Politécnico de Macau podem frequentar um semestre do curso em Politécnicos de Portugal e vice-versa. Em Março, deve arrancar a “aventura” dos primeiros estudantes do novo programa de mobilidade, que se espera que sirva de alavanca à criação de um “Erasmus” capaz de abraçar a lusofonia

As sementes já foram lançadas, mas só a aproximação da Primavera deve trazer os frutos ou as “bases” para a criação de um programa de mobilidade de estudantes, que englobe o universo lusófono, semelhante ao “Erasmus” desenhado dentro do espaço europeu. Cozinhadas no seio do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) – do qual o Instituto Politécnico de Macau (IPM) faz parte –, essas bases traduzem-se na realização de uma “experiência piloto”, que irá permitir aos estudantes do IPM realizar um semestre do curso em Politécnicos de Portugal e vice-versa.
Considerada um “desafio”, a novidade foi avançada ao JTM pelo presidente do CCISP, Sobrinho Teixeira, na sequência de uma reunião do núcleo, que teve lugar no IPM, e onde a ideia foi “trabalhada” e “aceite”. Com efeito, espera-se que no segundo semestre – finais de Fevereiro/início de Março – se encontrem já em processo de mobilidade os primeiros alunos, revelou o presidente do CCISP. “O nosso objectivo é termos os primeiros alunos do IPM em processo efectivo de mobilidade em áreas que não sejam só as conotadas com a cultura e língua portuguesas”, afirmou, apontando como exemplos os cursos de engenharia, gestão ou administração, em que há “similitude de currículos e programas” entre as instituições de ensino.
Segundo Sobrinho Teixeira devem ser colocadas à disposição entre 25 a 30 vagas. Contingente que poderá ser alvo de uma reavaliação. “No futuro, temos de averiguar se é exagerado ou insuficiente”, disse o responsável. Dado que se trata de um programa novo e atendendo a que o número de alunos não deverá superar os 30, a oferta contempla, para já, sete Politécnicos de Portugal. “O IPM irá escolher os 25 ou 30 alunos mediante a disponibilização e a vontade dos alunos do leque de oferta que houve ao nível do CCISP, que coordenou este processo. Os Politécnicos portugueses, por seu turno, irão enviar para Macau estudantes depois de uma selecção feita a nível de cada instituição, à semelhança do que acontece com o “Erasmus”, sublinhou Sobrinho Teixeira, ao indicar que a definição dos critérios são, igualmente, da responsabilidade dos estabelecimentos de ensino. Critérios esses que, anotou, “passarão certamente pela demonstração da capacidade intelectual, bom domínio da língua inglesa ou estabilidade emocional”.
E a língua? Mais uma vez, as características do programa europeu voltam a servir de modelo. “Podemos receber alunos em Portugal que não falem português ou falem de uma forma rudimentar, mas também alunos que tenham conhecimentos de inglês”, sustentou Sobrinho Teixeira, ao destacar que “a realidade que existe hoje nos Politécnicos portugueses é uma realidade em que se recebe centenas de alunos provenientes do espaço europeu – a grande maioria deles provenientes até de países não latinos – e, portanto, a língua de comunicação com os colegas e com os próprios docentes é a inglesa”. Os Politécnicos lusos comprometem-se, ainda assim, a facultar um curso intensivo de português aos alunos do IPM.
Olhando para o programa, Sobrinho Teixeira considera que encerra três grandes funções. “Uma delas é naturalmente dar a conhecer a forma de ensino diferente do outro país ou território, o que figura como um enriquecimento tremendo no currículo dos alunos”, começou por enfatizar o também presidente do Instituto Politécnico de Bragança. A outra missão passa pelo “cimentar” de “um espírito de ligação àquilo que é o grande espaço da lusofonia que, em termos estratégicos futuros, tem um alcance muito grande”, destacou. Por outro lado, “um aluno de Engenharia que vá frequentar um semestre a Portugal não terá só o enriquecimento em termos da cultura, na medida em que terá acesso à aprendizagem de uma língua que cada vez tem mais expressão”. Em sentido inverso, um estudante de Portugal que venha frequentar um semestre da licenciatura em Comércio Internacional segue aqui as disciplinas com um enfoque que é ligeiramente diferente – porque é para a Ásia – e, portanto, há até um enriquecimento do ponto de vista científico”, exemplificou.
Em tudo idêntico ao programa “Erasmus”, o intercâmbio a ser lançado apresenta uma “mais-valia”, acentuou Sobrinho Teixeira, na medida em que “o protocolo prevê que os Politécnicos que recebem os alunos suportem as despesas de acomodação e alimentação. Há um acto de generosidade das próprias instituições”. Neste âmbito, o presidente do CCISP puxou das “condições” que o IPM oferece. “O IPM possui um edifício com 300 quartos e várias cantinas, o que lhe deu uma capacidade extraordinária. É uma mais-valia para esta cooperação”, relevou.
A ESCOLHA DE MACAU. A pergunta impõe-se: O que fez com que o IPM tenha sido escolhido para tomar parte do lançamento das bases para o “Erasmus lusófono”? Sobrinho Teixeira não hesita na resposta: “Estamos a implementar [este processo] com Macau por uma questão de afinidade porque há, de facto, uma grande ligação. O IPM faz parte do CCISP e depois tudo isso se traduz numa relação afectiva muito forte, o que determina que se possa iniciar este programa de forma voluntária”. Trata-se de aproveitar a ligação já existente, “até em termos pessoais”, o que faz com que “seja mais fácil criar aquilo que nos parece ser um grande projecto para a lusofonia”.
De salientar, contudo, que a ideia de se estabelecer um “Erasmus lusófono” não é nova, tendo sido recuperada no seio do XX Encontro da Associação de Universidades de Língua Portuguesa (AULP). “Este processo – a lançar pelos Politécnicos de Portugal e o de Macau – assume-se pioneiro no próprio desejo expresso em Macau por parte da AULP”, vincou. Assim, este passo figura como um “pequeno aspecto daquilo que a AULP quer concretizar que é alargar [o programa] a toda a lusofonia.
Segundo revelou ao JTM Sobrinho Teixeira, no próximo encontro da AULP – que vai decorrer entre 6 e 9 de Junho de 2011 em Bragança – espera-se precisamente dar “este exemplo” para que possa ser levado em conta como uma experiência e de modo a que o “processo de afirmação” dos Politécnicos saia realçado. “O facto do IPM e dos Politécnicos portugueses poderem mostrar já trabalho nessa área servirá de incentivo. É este trabalho que queremos apresentar como uma experiência na reunião da AULP” num painel que sirva de “reflexão” sobre a cooperação e proporcione a troca de experiências. “Não é só enviar um aluno, recebê-lo e pronto. Há todo um trabalho, até técnico, do modelo de organização e de responsabilidade. Por isso, pretendemos apresentar a todos os países lusófonos os resultados dessa experiência piloto de Macau e dos Politécnicos de Portugal”, completou.
OUTRAS COLABORAÇÕES. Há ainda expectativas em relação a outras cooperações futuras entre Politécnicos de Portugal e o de Macau, cujos tentáculos se estendem à investigação a mais de duas de mãos e à formação de docentes. Segundo o responsável, existe a vontade de se “estabelecer um diálogo para a formação de professores”. “Já tivemos oportunidade de dialogar com o Governo de Macau sobre esta matéria, numa abrangência conjunta de formação de docentes quer da Escola Portuguesa, quer das escolas secundárias luso-chinesas”, indicou Sobrinho Teixeira. Uma formação que, ressalvou, não tem de ser efectuada exclusivamente em português. “Esta capacidade tem de ser vista de uma forma pragmática e é essa a ultrapassagem que gostaríamos de fazer [no âmbito da] cooperação que, dentro em breve, deverá poder ser concretizada”, avançou.
“Ficou acordado e foi manifestado desejo de termos aqui [na RAEM] permanentemente um conjunto de três ou quatro docentes, por um período de mobilidade de seis meses ou de um ano, que ajudarão o IPM na afirmação da questão da língua. Ao mesmo tempo, iremos receber professores do IPM que irão falar sobre cultura chinesa e da história de Macau”, revelou o presidente do CCISP.
Outro aspecto passa pela colaboração em termos das áreas de investigação, tendo ficado estabelecido que o IPM será convidado a integrar a rede dos centros de investigação aplicada, cuja avaliação privilegia a capacidade de interacção desses centros com a comunidade em termos da realização de projectos concretos, em detrimento da produtividade científica. Tal, anotou, visa a “transferência de conhecimento entre Portugal e a Europa e, neste caso, Macau e a própria República Popular da China”.
O presidente do CCISP fez ainda um balanço “positivo” do programa de intercâmbio que une o Politécnico de Leiria e o IPM e se circunscreve ao curso de Tradução/ Interpretação português/chinês. O crescente interesse, a par com as experiências recolhidas junto dos alunos é prova disso mesmo, concluiu.


Publicado no 'Jornal Tribuna de Macau'.