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04 dezembro, 2015

IPB reforça cooperação com os PALOP na área das Ciências Agrárias


A Escola Superior Agrária de Bragança (ESAB) recebeu a reunião anual da Associação de Ensino Superior em Ciências Agrárias dos Países de Língua Portuguesa (ASSESCA- PLP), que teve lugar na passada segunda-feira, onde mais uma vez ficou implícita a vontade de aumentar a cooperação entre as instituições portuguesas e as dos restantes países da lusofonia.
Há vários projetos em curso, como a mobilidade dos alunos, dupla titulação de cursos, bem como a ministração de licenciaturas e mestrados nos PALOP. “Há um objetivo comum, o de fortalecer e fomentar a área agrária nos países da lusofonia e da CPLP, porque representa uma reserva estratégica para os países e para a eliminação e erradicação da pobreza e da fome”, explicou Sobrinho Teixeira, presidente do IPB.
Está ainda a ser perspectivada uma ligação estreita dentro da CPLP para aumentar a produção alimentar. “Pode ser feito através da extensão da área agrícola de acordo com a realidade de cada país e o aumento da qualificação de pessoas e técnicos para que eles possam induzir o desenvolvimento da atividade agrícola dessa região”, adiantou o responsável. Já estão agendadas ações de formação cá e lá.

Agrária tem 850 alunos 
O IPB mantém estreitas relações com institutos politécnicos de São Tomé e Príncipe, Moçambique, Angola e Timor Leste, para onde deslocam docentes. “Esta reunião tem como objetivos juntar todos os intervenientes, bem como reitores e presidentes das instituições, no sentido de podermos encontrar novas formas de aprofundamento”, acrescentou Sobrinho Teixeira. As técnicas de combate a algumas pragas, como a mosca da azeitona, podem ser estendidas a produções tropicais.
O presidente da ASSESCA-PLP, Hortênsio Comissal, que presidiu à reunião em Bragança, referiu que a agricultura é um sector fundamental, mas em alguns dos países dos PALOP “a investigação ainda não está muito desenvolvida, daí que seja fundamental esta troca de experiências para alavancar os países do terceiro mundo”.
A análise de programas de financiamento para programas de investigação e desenvolvimento foi outro tema em destaque. O presidente da Escola Agrária, Albino Bento, deu conta que são muito procurados por alunos estrangeiros, mas não só dos PALOP. “A Agrária tem este ano 850 alunos. Nos últimos dois anos a procura tem aumentado”, notou. Os mestrados desta escola são mais frequentados por alunos estrangeiros do que pelos nacionais. “Se não fossem os que vêm de fora provavelmente só tínhamos um mestrado em funcionamento, assim temos sete em curso. Não temos só alunos de língua portuguesa, pois temos também de Marrocos, Tunísia e outros”, acrescentou.

Publicado em 'Mensageiro'.

IPB impõe-se na cooperação com países lusófonos no ensino agrário


O IPB tem-se afirmado no desenvolvimento de projectos de cooperação com os países lusófonos nomeadamente a nível agrícola.
A aposta que tem vindo a crescer, vai reflectir-se agora na promoção de um mestrado conjunto de Agro-Ecologia, que vai ser criado no Instituto Superior Politécnico de Gaza, em Moçambique, com a ajuda da Escola Superior Agrária.
É o primeiro mestrado da instituição e vai arrancar na comemoração do décimo aniversário da escola superior moçambicana. Hortêncio Comissal, director do Instituto Superior Politécnico de Gaza, refere que a colaboração do IPB será essencial para o desenvolvimento desta oferta formativa, já que “80 por cento dos docentes serão do IPB”. “Portugal está muito avançado na investigação. O IPB e outras instituições portuguesas vão ajudar-nos a desenvolver essa área da investigação e a formar os nossos quadros”.
Na cooperação de três anos com o IPB, já houve a formação em Bragança de mais de uma dezena de professores do instituto moçambicano, que frequentaram mestrados. É um dos vários exemplos que se repete em diversos países africanos de língua oficial portuguesa “O IPB tem cooperação com quase todos os países lusófonos com a ida de professores do IPB por alguns períodos de tempo”, adianta Albino Bento, o presidente da Escola Superior Agrária de Bragança.
A cooperação com países lusófonos tem vindo a intensificar-se, e tem contribuído para “o desenvolvimento das instituições e desses países”. As parcerias e os instrumentos para financiar as colaborações entre instituições de ensino foram assuntos debatidos na reunião da associação de ensino superior em ciências agrárias dos países de língua portuguesa, que aconteceu nos últimos dois dias no IPB.

Publicado em 'Rádio Brigantia'.

20 novembro, 2015

Estudantes festejaram os 40 anos da independência de Angola


A comunidade angolana em Bragança assinalou o 40º aniversário da Independência de Angola numa sessão realizada no Instituto Politécnico, onde estudam cerca de 60 alunos angolanos, que consideram a data marcante.
O vice-cônsul de Angola, José Tavares, que participou nas comemorações, pediu aos jovens que após a conclusão do curso regressem ao país para levar conhecimento. “Levem também empresários e investimento no ramos da educação, saúde e construção”, uma vez que em Angola faltam quadros superiores. O responsável ficou muito bem impressionado com o IPB e considera que estudar na região “é uma boa oportunidade para os angolanos”. Os estudantes angolanos organizaram também uma mostra sobre Angola no pátio da cantina do IPB para divulgar a sua cultura.
Os jovens estão bem integrados na cidade, por onde já passaram mais de 80 estudantes desta nacionalidade.

Publicado em 'Mensageiro'.

12 novembro, 2015

Representante de Angola frisa importância da formação de quadros superiores no IPB


O vice-cônsul de Angola no Porto, José Tavares, frisou a importância da formação superior que os alunos do país estão a receber no Instituto Politécnico de Bragança (IPB), para fazer face ao que é considerado um dos maiores problemas naquele país actualmente, a falta de quadros qualificados.
“É aberrante a falta de quadros em Angola desde o pós-independência até agora. Estamos a formar lá e mesmo assim ainda não temos o suficiente, temos de recorrer ao exterior”, garante.
O representante da república angolana esteve ontem no IPB para as comemorações alusivas aos 40 anos de independência de Angola. Cerimónia na qual José Tavares desafiou os mais de 60 estudantes angolanos do IPB a regressarem ao país e levarem consigo na bagagem “investimento português ou empresários nos ramos da educação, saúde, agricultura e construção. Podem levar e têm aqui muito know-how”.
Por seu turno, o presidente do IPB, Sobrinho Teixeira, espera que o impacto para a região da passagem destes estudantes se prolongue para além da sua estadia. “Não importa só o número de estudantes que temos cá agora, para o IPB e para a economia regional. Mas também o que estes estudantes representam em Angola, sendo eles próprios já professores de instituições de ensino de superior públicas. É uma ligação de grande interesse para a região e empresários. Seria importante estabelecer pontes com estes estudantes e que houvesse a disponibilização de estágios e de trabalho nas empresas na região, porque estamos a falar de estudantes que representam o futuro do ensino superior e dos quadros angolanos”, referiu o representante do IPB.
Até ao momento, já passaram pelo Instituto Politécnico de Bragança 82 estudantes angolanos, a maioria em mestrados. Espera-se que no próximo ano se ultrapasse a centena de alunos oriundos daquele país.

Publicado em 'Rádio Brigantia'.

02 novembro, 2015

Cozinha internacional em Bragança

Os estudantes estrangeiros que frequentam o Instituto Politécnico de Bragança estão este fim de semana a confecionar ao vivo os pratos típicos dos seus países. As sessões de cozinha acontecem na Feira da Caça que decorre até domingo.

Exibido em 'SIC'.

29 outubro, 2015

Estratégia de combate à fome na CPLP começou a ser delineada no IPB


O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) vai participar na definição de uma estratégia para o combate à fome e a manutenção da segurança alimentar nos países da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), adiantou Hélder Muteia, representante da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e a Agricultura) em Portugal, à margem da primeira Reunião do Comité de Coordenação do Mecanismo de Facilitação da Participação das Universidades no CONSAN- CPLP, que teve lugar na Escola Superior Agrária na quinta e sexta-feira.
Este primeiro encontro teve como objectivo “refletir sobre o problema”, referiu aquele responsável, bem como sobre a participação dos diferentes atores da academia, sociedade civil e comunidade empresarial nos sistemas agro-alimentares e de segurança alimentar para “garantir a governança participativa em que possamos pôr em consideração todos os factores importantes”, acrescentou. A complexidade dos sistemas agro-alimentares requer a participação de multi-actores para definir prioridades e um plano de acção.
Sobrinho Teixeira, presidente do IPB, considera importante a união dos países da CPLP para combater a fome, que já constituíram um comité para aconselhar sobre a estratégia a seguir, no qual as instituições de ensino superior têm uma palavra a dizer. “A escolha de Bragança para a primeira reunião é simbólica e tem que ver com o facto de o IPB ser uma referência nos países da comunidade da lusofonia. Temos vários mestrados de referência na área, como o da Qualidade e Segurança Alimentar, que já foi lecionado em São Tomé e será ministrado em Moçambique, e temos cá diversos alunos e docentes de Angola, Cabo Verde e Timor”, referiu. O IPB disponibiliza ainda outros mestrados, com Agroecologia e Agricultura Tropical, este último é único no país. “Temos capacidade instalada para dar formação e apoio”, acrescentou.
Em causa está a garantia de disponibilidade e o acesso aos alimentos em vários países onde ainda há carências, mas também do posto de vista social para garantir dignidade e possibilitar o desenvolvimento económico. “Os pequenos produtores e agricultores são fundamentais neste processo para ajudar a aumentar a disponibilidade dos alimentos e ajudando a encontrar as melhores soluções sustentáveis”, explicou Hélder Muteia. Cerca de 70% dos alimentos que são consumidos nestes países provêm da pequena agricultura, pelo que o representante da FAO defende um aumento dos apoios e políticas públicas adequadas ao sector, bem como a existência de mercado “pois muitas vezes são relegados para segundo plano e negligenciados”.
No universo total da população dos países da CPLP, cerca de 200 milhões de habitantes, 22 milhões passam fome. “Um número inaceitável”, afirmou Hélder Muteia que considera que a comunidade tem que fazer alguma coisa e materializar a estratégia em acções concretas que passam pela cooperação, partilha de tecnologias e de informação sobre o mercado. “Temos de avançar de forma mais decisiva e mostrar que não pactuamos com esta situação que não dignifica a humanidade”, destacou. A próxima reunião vai decorrer em Timor Leste.

Publicado em 'Mensageiro'.

21 novembro, 2014

Bragança recebe 1200 alunos estrangeiros

Sociedade das nações
Chegam da China, do Peru, da Síria ou do Senegal. O Instituto Politécnico de Bragança apostou forte na captação de alunos estrangeiros - este ano receberá l 200, de 25 países diferentes
 Descontraído, de andar gingão, Hebert Camilo responde com um sorriso à admiração de Olga Padrão, secretária da direção do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), por andar de chinelos de enfiar o dedo num dia chuvoso e frio. Além do acentuado sotaque de Minas Gerais, o jovem de 21 anos, chegado em setembro ao nordeste transmontano, veio equipado com roupa leve, pouco apropriada para o rigoroso inverno que se aproxima. «Tem problema, não», garante.
Apesar das dificuldades com o termóstato, o jovem estudante do 3.° ano de Engenharia Agronómica está a adorar a experiência portuguesa. De tal forma que, dois meses após a chegada a Bragança, já começou a tratar das burocracias para prolongar a estadia inicialmente prevista para um semestre, mas que ele agora quer estender a dois. «A cidade é pequena mas recebe bem a 'gente' e estou gostando muito da experiência. O Instituto está bem equipado e as aulas são muito interessantes», adianta, em jeito de justificação. Hebert chegou a Bragança ao abrigo de um protocolo com o Instituto Federal do Norte de Minas Gerais. No seu caso, o programa de intercâmbio prevê que o IPB se responsabilize pelo alojamento e refeições, enquanto a sua universidade de origem lhe assegurou as passagens aéreas e uma bolsa de três mil euros por semestre.
O jovem mineiro é apenas um dos 650 alunos estrangeiros - num universo de cerca de seis mil estudantes - que atualmente frequentam o IPB. Números que pecam ainda por defeito uma vez que há muitos inscritos ainda à espera de visto para fixar residência em Trás-os-Montes - os casos mais complicados têm sido os de alunos provenientes de países africanos que foram afetados pela epidemia de ébola, como a Libéria e a Serra Leoa, o que fez complicar as burocracias. Além disso, tal como sucedeu em anos anteriores, e a avaliar pelas inscrições já efetuadas e os processos em fase de aceitação, é de esperar que no segundo semestre o número de alunos chegue aos 1200 (mais 300 que no ano passado). Números impressionantes, numa cidade com pouco mais de 23 mil habitantes e onde, segundo um estudo recente encomendado pelo Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, o peso desta instituição na economia local é superior a 11 por cento do Produto Interno Bruto - o valor mais elevado do País.

Bragança lidera o 'ranking' dos politécnicos e cobra as propinas mais baixas do País
O IPB está atualmente no ranking das dez melhores instituições de ensino superior a nível nacional - o primeiro entre os politécnicos - e, em boa medida, isso também contribui para facilitar a captação de alunos através de convénios com instituições espalhadas pelo mundo fora. Além dos que chegam ao abrigo do programa Erasmus, provenientes da União Europeia, o maior contingente vem de paragens tão diversas como o Turquemenistão, China, Timor-Leste, Paquistão, Síria, México ou Peru, só para referir alguns dos mais distantes dos 25 países ali representados. Para o sucesso dessas «formas pró-ativas ou menos ortodoxas», na expressão do vice-presidente Luís Pais, contribuem ainda as propinas mais baixas (755 euros, para estudantes de licenciatura nacionais, e 1100, para os internacionais) e o facto de haver já vários cursos lecionados exclusivamente em inglês.

Hospitalidade transmontana

Exemplo sólido de uma integração feliz é o de Auro dos Santos. O cabo-verdiano, de 24 anos, chegou a Bragança em 2009 e diz que se sente em casa, «tal como todos os alunos africanos», os maiores contribuintes da larga comunidade estrangeira do IPB. A Associação de Estudantes Africanos representa peno de 400 alunos, a maioria deles de Cabo Verde, mas também muitos são-tomenses e angolanos. Sentindo-se em casa, já criaram uma equipa de futebol que alinha nos distritais de Bragança, uma equipa de futsal feminina, um grupo de dança, um conjunto musical (AfroBanda) e, para breve, prometem um grupo de teatro. Além disso, explica Auro, que preside à associação, «ajudamos muitos alunos a tratar de toda a burocracia para aqui chegar». A terminar o mestrado em Tecnologia Biomédica, depois de ter completado a licenciatura, vê aproximar-se a passos largos a hora de regressar a Cabo Verde e já começa a sentir saudades. «A minha adaptação foi cinco estrelas, nunca tive problemas e, se é verdade que quero ajudar ao desenvolvimento do meu país, também é certo que Bragança vai ficar sempre no meu coração.»
Tal como Auro dos Santos, também os habitantes da cidade se afeiçoaram e habituaram já à presença dos alunos estrangeiros. A chegada de sangue-novo estava a fazer falta, para dinamizar o comércio da cidade. Aos 75 anos, Vitalino Miranda e a mulher, Maria de Lurdes, mantêm a pequena mercearia, com quase meio século, de portas abertas, apenas porque funciona no rés-do-chão da sua casa e não pagam renda. «O centro histórico hoje está quase deserto. Levaram daqui os serviços e as pessoas começaram também a sair porque as casas estão velhas... e as que foram arranjadas têm rendas muito caras», considera Vitalino. Hoje, são os jovens da renovada residência universitária os poucos clientes que têm. «Nós queremos é vê-los cá, e que levem umas comprinhas. Mas a gente sabe que eles também não trazem dinheiro à larga e são muito regrados. Perguntam sempre pelo preço antes de levar alguma coisa... não é verdade?», atira. para Alexandre Ximenes, um jovem timorense de 19 anos, mais fluente em inglês do que em português, que consente com um sorriso envergonhado. Acabou de chegar a Bragança, para iniciar a licenciatura em Engenharia Informática, com uma bolsa de estudo concedida pelo Institut of Business de Díli, com quem o IPB tem uma parceria, e também ele está fascinado com a cidade. «As pessoas são muito simpáticas», arrisca, num português razoável, ao lado de Peltier Aguiar, um angolano de 26 anos, estudante de Agroecologia e que vive com ele na residencial Domus. É o africano que hoje faz de cicerone, acompanhando o timorense às compras. «Quando precisamos de alguma coisa vimos aqui à mercearia ou então vamos à loja do senhor Valdemar. Mesmo que tenha a porta fechada, basta tocar à campainha que ele atende-nos a qualquer hora», explica.
Gil Gonçalves, um dos atarefados elementos do Gabinete de Relações Internacionais, encarregue dos processos burocráticos dos alunos estrangeiros, não se mostra surpreendido com a boa reação dos habitantes. «Somos transmontanos, é a nossa forma de ser. Aqui, primeiro mandamos entrar; só depois perguntamos quem é.»

Publicado em 'Visão' nº1133, 20 a 26 novembro 2014.

12 novembro, 2014

Vírus do ébola e burocracia roubam alunos ao Nordeste Transmontano e ao Algarve

Politécnico de Bragança queixa-se de que 20% dos alunos estrangeiros de países fora dos PALOP ainda não conseguiram visto
A crise do ébola está a dificultar o processo de obtenção de vistos de entrada em Portugal para os alunos estrangeiros.
Em declarações ao PÚBLICO, o presidente do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), Sobrinho Teixeira, nota que "20% dos estudantes provenientes de países fora dos PALOP e da Europa ainda não puderam chegar". A Universidade do Algarve também está à espera de sete alunos dos Camarões. Além dos obstáculos criados pela crise do ébola em África, o responsável do IPB queixa-se da burocracia e falta de meios no Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) que, segundo diz, também está a colocar muitos obstáculos à entrada dos estudantes estrangeiros no país.
Estudantes dos Camarões, por exemplo, país onde Portugal não tem representação consular, recorriam à Nigéria para obter o visto de entrada em território nacional, mas a epidemia que já fez milhares de vítimas em África levou ao encerramento de fronteiras na Nigéria, impedindo, assim, a chegada dos camaroneses. Existem ainda estudantes da Serra Leoa, Guiné Conacri e Libéria. Entre os 2500 novos alunos no IPB, há cerca de 1200 que chegam do estrangeiro.
Sobrinho Teixeira admite que tem estado “em contacto com as autoridades de saúde portuguesas”, existindo já um plano que passa “pela monitorização do estado de saúde dos alunos” provenientes desses países. “Foi-nos dito que o vírus é transmissível não no período de incubação mas no período em que se manifesta e em que começa a haver sinais, como febre, pelo que temos de ter essa atenção”, frisou.
Mas não é só o ébola que está a atrasar a chegada de estudantes estrangeiros ao Nordeste Transmontano, que devido ao sucesso dos cursos oferecidos em inglês, tem aumentado a procura. Segundo Sobrinho Teixeira, esta esbarra na “burocracia” e na “falta de meios” do MNE.
“O processo de concessão de vistos está a ser muito custoso. Não é aceitável que alunos que pediram o visto há sete meses continuem fechados numa burocracia dos Negócios Estrangeiros. E pior, na falta de funcionários do MNE, que faz com que o atraso dos vistos seja, neste momento, algo que está a provocar um retrocesso completo na capacidade de captação de alunos estrangeiros”, lamentou Sobrinho Teixeira.
O presidente do IPB lembra que o Governo lançou um programa de captação de alunos estrangeiros, concedeu bolsas, 200 delas atribuídas à instituição de ensino a que preside. Por isso, “não se compreende que todo esse esforço do Governo seja completamente inconsequente pela capacidade que o MNE está a ter em dar vazão aos pedidos que lhe chegam”, reclama.
O IPB vai duplicar a sua oferta formativa em inglês no próximo ano, passando a ter 14 cursos e mestrados ministrados unicamente em inglês. “Obviamente que os cursos de mestrado têm uma dimensão menor mas irão funcionar já este ano com candidatos internacionais, aos quais se juntam os alunos portugueses, que entendem que é uma mais-valia não só ter o mestrado mas tê-lo em inglês, porque abre outras portas, os habitua a comunicar em inglês e lhes permite ter um contacto com colegas internacionais”, explicou ao PÚBLICO Luís Pais, vice-presidente da instituição, que coordena esse pelouro.
Com os atrasos provocados, quer pelo ébola, quer pela burocracia, alguns alunos já perderam o início do ano lectivo, pelo que o IPB tentará integrá-los nos semestres do próximo ano. O PÚBLICO já pediu um esclarecimento ao MNE mas, até ao momento, ainda não obteve resposta.

Publicado em 'Público'.

03 novembro, 2014

Cristãos, muçulmanos e budistas no mesmo espaço em Bragança

Abertura aos estudantes estrangeiros trouxe ao Nordeste Transmontano diferentes credos. Direcção da instituição criou agora um espaço de oração para todos sem excepção
 Já foi a casa senhorial de uma das quintas mais ricas da zona de Bragança, antes de ser transformada em pólo de investigação do Instituto Politécnico de Bragança (IPB). Agora, o espaço que albergou o Centro de Investigação de Montanha tornou-se um espaço intercultural e inter-religioso, onde alunos de todos os credos e religiões podem coabitar. E o pontapé de saída desta experiência inédita foi dado por três estudantes alemãs, que ao longo do último mês estiveram em Bragança a recolher experiência de vida e a aprender os desafios de viver em comunidade.
“Tem sido muito bom”, garantiram ao PÚBLICO Margarete, de 21 anos, estudante de Psicologia e oriunda de Triest, Anna, de 18, que veio de Munique e quer ser professora, e Lisa, também de 18, proveniente de Colónia e que quer estudar Teologia. As três jovens participaram numa acção promovida pela Taizé, uma comunidade ecuménica localizada em França, que acolhe jovens e adultos das várias confissões cristãs no mesmo espaço, de partilha. “É uma forma diferente de viver a fé, com respeito pelos outros”, dizem. Apesar da dificuldade com a língua, comunicar não tem sido um problema. “Entre inglês, francês ou por gestos”, explicam, com um sorriso tímido. Aproveitaram para conhecer a região e participar em alguns momentos importantes na vida da diocese de Bragança-Miranda, como a comemoração do Dia Nacional dos Bens Culturais, que decorreu em Torre de Moncorvo, no dia 18 de Outubro.
A presença das três jovens surgiu como forma de um “desafio” lançado ao padre Calado Rodrigues, capelão do Instituto. “[A comunidade de Taizé] está num ritmo de preparação do centenário do nascimento do fundador, do aparecimento do fundador da comunidade, e está a colocar em diversos pontos do globo pequenas comunidades temporárias. A ideia é terem uma experiência de vida comunitária, depois uma experiência de oração (três vezes ao dia). E depois uma experiência de solidariedade”, explica o sacerdote, que supervisionou a estadia das jovens em Bragança.
O trabalho foi um pouco dificultado pela questão da língua, mas conseguiram ultrapassar isso e comunicar com os idosos e com as crianças das IPSS. “Encontrámos muita gente que fala inglês e francês”, recordam as jovens.
Para além disso, tiveram contactos com os estudantes do IPB, das escolas, para divulgar a comunidade, o seu objectivo e espírito, “que é sobretudo marcado pelo espírito ecuménico, com um bom relacionamento entre as diferentes igrejas cristãs”, sublinha o sacerdote. O grande objectivo foi “motivar as pessoas a participar, de 9 a 16 de Agosto, nessas comemorações”. ”Estamos a organizar um grupo daqui para participar. Estarão milhares de jovens de todo o mundo”, acredita. Esta experiência serviu de ponto de partida para um outro projecto do IPB, que passa pela criação de um espaço intercultural e inter-religioso, situado à entrada da Escola Superior Agrária, em Bragança. “Primeiro pensámos em criar um espaço para oração ecuménica. Mas chegou-se à conclusão que o IPB tem-se internacionalizado muito, e há estudantes vindos de diversas latitudes religiosas e culturais, pelo que se sentiu a necessidade de criar um espaço de reflexão intercultural e inter-religiosa”, explica o capelão do Politécnico de Bragança. A necessidade foi identificada, inicialmente, pela direcção do Instituto. “A proveniência dos alunos tem aumentado, assim como o número de religiões. Este ano tivemos candidaturas dos Países Africanos de Língua Portuguesa, mas de muitos outros países africanos, da América, da Europa e do Oriente, de países como o Bangladesh, a Índia ou o Irão”, explicou Sobrinho Teixeira, o presidente do IPB, ao PÚBLICO, revelando que o objectivo “é ter uma atitude preventiva e afirmativa desta situação, de maneira a que se possa fazer disto uma cultura de tolerância pela diferença”.
Funciona como “um mesmo espaço para onde vão ser convidados os alunos do IPB, de diferentes regiões, de diferentes religiões, para cada um ter a sua afirmação”. “Pretende-se o acentuar da diferença mas com harmonia e tolerância. Para que cada um possa ter um espaço para orar mas afirmar aquilo em que acredita”, sublinha. Será um espaço em branco, ou seja, de decoração neutra, em que cada grupo pode colocar a decoração consoante as suas crenças (imagens, por exemplo), e que retira e guarda após a oração.
A ideia é peregrina e nem mesmo as três jovens alemãs esperavam algo semelhante. “Nunca tínhamos visto nada semelhante. É uma ideia muito boa porque se o fizermos todos os dias torna-se um hábito. E é uma forma de reflexão e introspecção”, dizem. “[As pessoas] não precisam de rezar juntas mas têm de se respeitar e podem conhecer-se melhor”, diz mesmo Margarita, a mais velha das três, estudante de Psicologia.
O espaço foi visitado pelo bispo da diocese de Bragança-Miranda, D. José Cordeiro, o mais jovem bispo do país e um dos mais jovens de toda a Europa. Participou num dos três momentos diários de oração, que inclui a leitura de algumas passagens da Bíblia, cânticos e meditação. “Creio que é um bom começo e uma boa continuidade do serviço que a capelania do Politécnico pode prestar. Tem essa missão de congregar todas as culturas e todas as línguas na mesma linguagem da verdade, da vida, do amor, da tolerância, do respeito dos valores universais, que são valores cristãos e valores humanos. Para nós, são valores novos, concretizados aqui”, frisa o prelado. “Temos a experiência de ser um povo missionário e de emigrantes mas temos agora a experiência de ser um povo de missão e que acolhe multiculturas. Bragança está a ser uma cidade multicultural. E o aspecto religioso e cultural é fundamental para o acolhimento na diversidade das línguas e das culturas”, fez questão de sublinhar D. José Cordeiro. O bispo transmontano, que já foi ele próprio capelão do IPB há mais de 20 anos, acredita que não haverá choque cultural. “Espero, sinceramente, que não”, diz, até porque, “a criação de um espaço religioso integrado no campus é a expressão de uma cultura preventiva, para que, ao chegarem, [os estudantes] se sintam acolhidos e incluídos, com perspectivas diferentes mas apostados num mundo novo e global”.
Por outro lado, surge na sequência das acções do Papa Francisco de promoção do diálogo para a Paz na Terra Santa. “No nosso caso, é uma Igreja em saída. Temos de estar preparados para isso e ainda não estávamos. Em Bragança, experimentamos a multiculturalidade e a universalidade da fé. Isto é muito positivo e tem de ser cultivado, porque é uma experiência completamente nova”, conclui.
Este ano, o IPB teve um crescimento de 25 por cento no número de alunos novos. Praticamente metade são estudantes estrangeiros.

Publicado em 'Público'.

30 outubro, 2014

Ébola e burocracia atrasam vinda de alunos estrangeiros para o IPB


O surto de Ébola que se faz sentir em alguns países africanos está a atrasar a chegada de alunos da Comunidade de Países de Língua Portuguesa ao Instituto Politécnico de Bragança.
Alguns dos 1200 alunos internacionais previstos este ano são provenientes de países como a Guiné Conacri, a Libéria, a Serra Leoa, e os Camarões. Há estudantes que têm que se deslocar à Nigéria para tirar o visto para poderem vir para Portugal, o que está a provocar atrasos, uma vez que este país tem as fronteiras encerradas devido ao Ébola.
O presidente do IPB acredita que os alunos vão chegar brevemente e garante que não há motivos para alarme. “Esses países têm milhões de pessoas. Não é toda a gente que vem de lá que está infectada”, salienta o responsável. No entanto, o presidente da instituição afirma que o IPB vai estar atento a possíveis casos de Ébola. “Temos de ter todos os cuidados mas dado que o período de incubação é de cerca de um mês, podemos controlar a recepção desses alunos juntamente com as autoridades sanitárias nacionais”, acrescenta Sobrinho Teixeira.
O presidente do Instituto Politécnico está ainda preocupado com o atraso na obtenção de vistos dos alunos de países como o Bangladesh, o Nepal, a Indonésia, a Índia e o Paquistão. Sobrinho Teixeira aponta o dedo à burocracia e à falta de recursos humanos do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que diz não condizer com a política de atracção de alunos estrangeiros que o governo quer implementar. “Não se compreende que, depois de todo esse esforço duma parte do governo, seja completamente não consequente pela incapacidade que o Ministério dos Negócios Estrangeiros está a ter em dar vasão aos pedidos que lhe chegam”, frisa o responsável.

Publicado em 'Rádio Brigantia'.

24 outubro, 2014

IPB aumentou o número de novos alunos

O Instituto Politécnico de Bragança aumentou o número de novos alunos em cerca de 25 por cento, em relação ao ano lectivo passado.
Os cerca de 2400 novos alunos que já ingressaram no IPB foram ontem recebidos oficialmente pela instituição, numa sessão de boas vindas. O presidente do IPB não esconde a satisfação deste crescimento, numa altura em que houve um decréscimo de alunos a nível nacional.“Crescemos a nível do sistema nacional de acesso e dos outros regimes. O país teve um ligeiro decréscimo, o IPB conseguiu crescer quase 25 por cento, o que nos deixa muito satisfeitos”, sublinha Sobrinho Teixeira.
A comunidade de alunos internacionais é cada vez mais representativa. Mais do que preencher vagas de cursos que não tiveram alunos nacionais interessados, Sobrinho Teixeira destaca o espírito de convívio entre as várias culturas, que considera que deve ser visto como um exemplo. “Temos representados países de todos os continentes, quase 40 países representados. O IPB, a cidade e a região, estão de parabéns. É esta capacidade que nós temos mostrado, de que há uma grande tolerância pela diferença e de que na diferença somos todos iguais, e é uma lição de civilidade que estamos a dar ao país”, considera o responsável.
O IPB espera este ano ultrapassar os 1200 alunos internacionais, sendo que alguns ainda não chegaram. Do Ceará veio Jayne Morais que está a gostar da cidade, do Instituto Politécnico e sobretudo das praxes. “Lá não temos esse costume, são só brincadeiras educativas mas que não duram mais de uma semana. Aqui é mais cultural e competitivo entre as escolas, é interessante”, considera a estudante. Já Fabio Hordini veio da região de Andalucia, em Espanha. Após ter pesquisado sobre várias cidades do país, escolheu Bragança pela proximidade com Espanha e pelas condições que proporciona aos estudantes. “Fiz uma pesquisa de vários locais em Portugal e gostei de Bragança porque é bastante bonita, tem cerca de 30 mil habitantes, dos quais cerca de 8 mil estudantes, por isso tem muita vida e gostei deste tipo de cidade”, conta o jovem.
O presidente da Associação Académica do IPB, Ricardo Pinto acredita que a melhor forma de dar as boas vindas aos novos alunos continua a ser através das praxes, e frisa que em Bragança sempre tiveram como principal objectivo a integração.“ Nós achamos que a praxe que é praticada ao longo dos anos em Bragança é uma praxe de integração, por isso decidimos não mudar nada porque já praticávamos uma boa praxe”, realça o representante dos estudantes.
O IPB deu as boas vindas, ontem aos novos alunos do primeiro ano das licenciaturas, dos Cursos de Especialização Tecnológica e aos alunos internacionais.

Publicado em 'Rádio Brigantia'.

23 outubro, 2014

Estudantes alemãs vieram rezar ao IPB


 Pegar na mochila e partir, durante um mês, a aprofundar a Fé. Foi isso que três estudantes alemãs fizeram durante o mês de outubro. Deixaram as suas casas, no Norte, e vieram ao Nordeste Transmontano recolher experiência de vida e aprender os desafios de viver em comunidade.
Até ao dia 30 conjugam a meditação com a oração, três vezes por dia, no Instituto Politécnico de Bragança, para alémd e prestarem algum serviço social junto de algumas instituições, sob a supervisão do Pe. Calado Rodrigues, capelão do IPB. “Tem sido muito bom”, garantem Margarita, de 21 anos, Anna, de 18 e Lisa, também de 18.
Apesar da dificuldade com a língua, comunicar não tem sido um problema. “Entre inglês, francês ou por gestos”, explicam, com um sorriso tímido.
As três estão a participar numa ação promovida por Taizé, uma comunidade ecuménica localizada em França, que acolhe jovens e adultos das várias confissões cristãs no mesmo espaço, de partilha. “É uma forma diferente de viver a Fé, com respeito pelos outros”, garantem.
O Pe. Calado Rodrigues explica que este “foi um desafio que a comunidade de Taizé lhe fez. “Estão num ritmo de preparação do centenário do nascimento do fundador, do aparecimento do fundador da comunidade, e estão a colocar em diversos pontos do globo pequenas comunidades temporárias. A ideia é terem uma experiência de vida comunitária, depois uma experiência de oração (rezam três vezes ao dia). E depois uma experiência de solidariedade. Aqui o trabalho está a ser um bocado dificultado pela questão da língua mas elas conseguem ultrapassar isso e comunicar com os idosos e com as crianças das IPSS”, frisa. Para além disso, têm, também, uma experiência de contactos com os estudantes do IPB, das escolas, para divulgar a comunidade, o seu objetivo e espírito, “que é sobretudo marcado pelo espírito ecuménico, com um bom relacionamento entre as diferentes igrejas cristãs”, sublinha o sacerdote. O grande objetivo é “motivar as pessoas a participar, de 9 a 16 de agosto, nessas comemorações”. “Estamos a organizar um grupo de aqui. Estarão milhares de jovens de todo o mundo”, acredita.
Esta experiência acaba por ser o ponto de partida para um outro projeto que o IPB pretende implementar, e que passa pela criação de um espaço intercultural e interreligioso, situado à entrada da Escola Superior Agrária, em Bragança. “Primeiro pensámos em criar um espaço para oração ecuménica. Mas chegou-se à conclusão que IPB tem-se internacionalizado muito, e há estudantes vindos de diversas latitudes religiosas e culturais, e sentiu-se necessidade de criar um espaço de reflexão intercultural e interreligiosa”, explicou o campelão do politécnico de Bragança.
“Pretende-se, ao mesmo tempo, acompanhar esse espaço de reflexão com o espaço de oração interreligiosa. Vai funcionar sem qualquer símbolo religioso específico. Depois, conforme a oração, colocamos os nossos símbolos, se sentirmos necessidade deles, e retiramo- los no fim”, acrescentou.
O local já foi visitado pelo presidente do IPB, Sobrinho Teixeira, e pelo bispo diocesano.
Para D. José Cordeiro, esta é “uma ideia e um projeto excelentes”. “Permite o cultivo dos valores espirituais mas, sobretudo, os valores da tolerância, do diálogo inter-religioso e mesmo do ecumenismo. Com tantas línguas e tantas culturas no Politécnico, um espaço religioso e agora de modo especial, iniciado com o modelo de Taizé, creio que é um bom começo e uma boa continuidade do serviço que a capelania do politécnico pode prestar e tem essa missão de congregar todas as culturas e todas as línguas na mesma linguagem da verdade, da vida, do amor, da tolerância, do respeito dos valores universais, que são valores cristãos e valores humanos, e para nós são valores novos, concretizados aqui. Temos a experiência de ser um povo missionário e de emigrantes mas temos agora a experiência de ser um povo de missão e um povo que acolhe multiculturas e Bragança está a ser uma cidade multicultural. E o aspeto religioso e cultural é fundamental para o acolhimento na diversidade das línguas e das culturas”, frisou o prelado.
Para as jovens, a experiência tem sido gratificante. Ficaram mesmo “agradavelmente surpreendidas” com a ideia, pois na Alemanha não á habitual haver algo semelhante. Mas, para o presidente do IPB, Sobrinho Teixeira, é uma questão “preventiva”. “Este ano tivemos candidaturas dos PALOP mas de muitos outros países africanos, América, Europa mas também do Oriente, como Bangladesh, Índia, Irão. Bragança tem dado sempre um exemplo de uma grande capacidade de acomodação que existe, de pessoas de diferentes pensamentos, raças ou religiões, conseguirem aqui encontrar harmonia e acomodação.
A nossa perspetiva é ter uma atitude preventiva e afirmativa desta situação, de maneia a que possamos fazer disto uma cultura de tolerância pela diferença”, concluiu

Publicado em 'Mensageiro de Bragança'.

03 outubro, 2014

12 setembro, 2014

Oferta em cursos internacionais no IPB vai duplicar em 2015


O sucesso com a captação de alunos estrangeiros para frequentarem cursos internacionais no Instituto Politécnico de Bragança vai levar a um aumento da oferta formativa nestes moldes, que no próximo ano deverá mesmo duplicar.
Luís Pais, vice-presidente da instituição, adianta que a decisão já foi discutida internamente e deverá mesmo avançar no próximo ano letivo. “IPB já é conhecido no país. Tem uma vasta experiência na receção de alunos internacionais, do programa Erasmus e em cooperação com países de expressão portuguesa, o que representa um envio e uma receção de quase mil alunos por ano. De há uns anos para cá, o IPB começou a apostar numa outra vertente, a da oferta de cursos na língua inglesa, para captar alunos não só do mercado da língua portuguesa mas alunos europeus ou de fora da Europa que queiram estudar connosco. Neste momento temos uma oferta não muito larga mas que estamos a alargar. Temos um curso de licenciatura, que é um curso europeu e integralmente lecionado em inglês. Para além dos alunos portugueses através do sistema nacional de acesso, que entram sabendo que é um curso internacional, o que significa que o segundo ano é obrigatoriamente passado numa instituição europeia. Alargámos agora esse curso para outros alunos de fora da União Europeia. Temos, agora, dois cursos de mestrado lecionados integralmente na língua inglesa, que é o mestrado em Engenharia Química e o mestrado em Engenharia Biotecnológica. Este ano tivemos ainda mais candidatos. Obviamente que os cursos de mestrado têm uma dimensão menor mas irão funcionar já este ano com candidatos internacionais, aos quais se juntam os alunos portugueses, que entendem que é uma mais valia não só ter o mestrado mas tê-lo em inglês, porque abre outras portas e os habitua a comunicar em inglês e lhes permite ter um contacto com colegas internacionais”, revelou Luís Pais ao Mensageiro.
A licenciatura em inglês é a de Negócios Internacionais e a procura tem sido superior às vagas disponíveis. “Temos recebido muitas candidaturas, algumas de dentro da Europa, outras de fora. Estamos a tratar dos vistos e pensamos que irá ser uma turma verdadeiramente mundial. Recebemos mais de 50 candidaturas de alunos internacionais para esse curso, com 40 vagas disponíveis. Vamos começar o curso brevemente. Pensamos que será necessariamente um sucesso”, resume. “Desses, tivemos a entrada de nove alunos do concurso nacional de acesso português. Temos também alunos interessados nas vagas para detentores dos cursos de especialização tecnológica. Tudo o resto são alunos internacionais, desde espanhóis até aos PALOP, africanos que não são de expressão portuguesa, nomeadamente da Nigéria, de Marrocos, da Índia”, adianta o mesmo responsável.

Publicado em 'Mensageiro de Bragança'.

15 maio, 2014

Atletismo serviu de charme ao Politécnico de Bragança


Uma forma de divulgar o Instituto Politécnico de Bragança. Foi desta forma que o presidente do IPB, Sobrinho Teixeira, ainda afogueado pela corrida, explicava o propósito da segunda edição da IPB for all, uma corrida pela cidade de Bragança que atraiu mais de meio milhar de participantes, sobretudo entre a comunidade de estudantes estrangeiros a residir em Bragança. João Melgo foi o mais rápido entre os participantes masculinos enquanto a brasileira Cleyce venceu entre as participantes femininas.
“O IPB tem mais de mil estudantes estrangeiros e isso é importante economicamente para a cidade e no futuro será ainda mais importante”, frisou Sobrinho Teixeira. Por outro lado, sublinha o papel de integração da escola. “Mil estudantes estrangeiros num universo de 24 mil pessoas. Diria que é, talvez, dos maiores rácios de comunidade estrangeira integrada na comunidade portuguesa”, disse.

Publicado em 'Mensageiro'.

08 maio, 2014

África através do olhar de docentes da Escola Superior Agrária


Os mais de 20 anos de colaboração da Escola Superior Agrária de Bragança (ESAB) com vários países de língua e expressão portuguesa em África foram documentados através de fotografias feitas por vários docentes, no âmbito de projetos de investigação ou cooperação, em exibição no centro cultural Adriano Moreira. “É a experiência em África. Há aqui uma parte mais pessoal dos docentes que trazem as suas aventuras, através de imagens de plantas, pessoas, flora e agricultura”, explicou Carlos Aguiar, um dos docentes que colaborou na exposição, inaugurada no passado sábado.
As fotografias são da autoria de Carlos Aguiar e de outros docentes da ESA. A decisão de organizar a exposição prende-se com a necessidade de divulgar o trabalho da escola e de esta se abrir à comunidade. “Fazemos coisas que as pessoas não sabem, coisas que são muito apreciadas pelos irmãos dos PALOP dentro da academia, e ao mesmo tempo é uma oportunidade de mostrar que há um conhecimento que muita gente sabe. Estamos a preparar um mestrado de agricultura tropical, que será único no país”, acrescentou o docente.
O presidente da câmara, Hernâni Dias, congratulou-se pelas novas exposições do centro cultural Adriano Moreira. “Tem uma enorme variedade de fotografias, representando a população, a paisagem, os frutos e os ofícios, algo que será marcante para quem desenvolve o seu trabalho em África”, referiu o autarca.

Publicado em 'Mensageiro de Bragança'.

27 fevereiro, 2014

Mestrado em Agricultura Tropical no IPB

Curso arranca em Setembro, em Bragança, mas o objectivo é levá-lo para Angola e Moçambique Objectivo deste mestrado é formar profissionais para o mercado de trabalho em expansão nos países africanos
A Escola Superior Agrária de Bragança vai leccionar um mestrado em Agricultura Tropical. A proposta do Instituto Politécnico foi aprovada recentemente.
Deverá arrancar no próximo ano lectivo, em parceria com instituições africanas. “Em Outubro apresentámos à agência de avaliação e acreditação das formações um mestrado em Agricultura Tropical e foi aprovado há duas semanas. Vai contar com a colaboração de uma universidade brasileira, do Politécnico de São Tomé e Príncipe, de Gaza (Moçambique), e ainda do Kwanza Sul e da Universidade José Eduardo dos Santos (Angola)”, adianta o director da ESAB.
O responsável acrescenta que a primeira edição do mestrado vai arrancar em Setembro aqui no IPB, neste primeiro ano. “A nossa intenção é deslocá-lo para Angola e Moçambique”, realça Albino Bento.
A novidade foi avançada, na passada sexta-feira, durante o último Café de Ciência, organizado pelo Centro de Ciência Viva de Bragança, onde se deram a conhecer os projectos desenvolvidos pela escola nos países africanos.
O objectivo deste mestrado é formar profissionais para o mercado de trabalho em expansão nos países africanos e, ao mesmo tempo, atrair mais estudantes para o IPB. “A ideia é preparar alguns dos nossos jovens, sobretudo aqueles que queiram procurar emprego nos países onde o emprego está em elevado crescimento, mas também é dirigido a estudantes africanos, pois nesses países há necessidade de formação de quadros no ministério da agricultura, universidades e politécnicos”, refere Albino Bento, salientando que “esta é uma oportunidade interessante de atrair estes estudantes”.
O IPB vai agora divulgar este mestrado, que tem um número máximo de 20 vagas, em Angola e Moçambique, para a captação de alunos.

Publicado em 'Jornal Nordeste' edição 902 de 25 de fevereiro, 2014.

06 fevereiro, 2014

Estudantes de 34 países em Bragança


Os alunos do IPB receberam os diplomas de conclusão de licenciatura e prémios de mérito no Dia do Instituto, nomeadamente os estudantes estrangeiros.
Este ano o IPB é frequentado por 680 alunos estrangeiros, oriundos de 34 países, 22 de países da Europa, sendo que 12% não têm nacionalidade portuguesa. A maior comunidade é a de Cabo Verde, com 171; seguida de São Tomé e Príncipe com 90; e do Brasil com 77. De Espanha e da Polónia vieram 47 e 55 jovens, chineses são já 21. Há ainda estudantes que vieram dos Estados Unidos da América, do México, Peru, Nigéria, Equador e Quénia.

Publicado em 'Mensageiro'.

03 janeiro, 2014

«Bragança é a cidade mais falada nos PALOP»


O intercâmbio entre Bragança e vários países africanos fez da cidade «a mais falada nos PALOP». A afirmação é de Óscar Monteiro, avançado e mentor da equipa de futebol da Associação de Estudantes Africanos do Instituto Politécnico bragantino.
«Neste momento a cidade mais falada nos PALOP é Bragança. Ainda o ano passado fizemos um encontro de estudantes africanos que trouxe à cidade 800 pessoas. Isso é bom até para o comércio local», declara o jogador de 29 anos.
Os exemplos de sintonia entre cidade, clube e universidade são vários. «As pessoas perceberam que queremos integrar-nos, estar dentro da sociedade e que somos um veículo de promoção da cidade no exterior. Quando nos encontram na rua dão-nos os parabéns pelo que a equipa está a fazer e agradecem».
«Fazemos muitas festas com música africana», continua Óscar Monteiro. «Organizamos eventos culturais, convivemos com as pessoas nas festas, nos jantares, nos cafés da cidade. A última festa africana que fizemos, por exemplo, tinha 200 africanos e 400 portugueses».
E como é que tudo começou? Como é que surgiu o clube de futebol?
«Recebemos apoio do Politécnico de Bragança, da Embaixada de Cabo Verde em Portugal, de algumas empresas da cidade e de alguns estudantes cabo-verdianos. Foi uma tarefa difícil fazer esta equipa praticamente sem dinheiro, mas com esses apoios conseguiu-se».
«Representámos a Associação Académica do Politécnico de Bragança, não temos um presidente, nem uma direção. Utilizamos o complexo do Politécnico e a direção do clube é a direção da Associação, da qual eu faço parte», explica Óscar Monteiro, verdadeiro dinamizador deste projeto interessantíssimo.
Matéria-prima para atacar a subida não falta. Nem sequer há lugar no plantel para todos os candidatos.
«Temos 40 jogadores a treinar, quase todos cabo-verdianos, mas só podemos escolher os melhores. A maior parte não foi inscrita. A equipa é formada quase toda por pessoas que já jogavam noutros clubes».
O dinheiro não entra nesta equação. Não há ninguém a ganhar salário. Bem pelo contrário. «Quase todos ganhavam dinheiro nessas equipas, aqui não ganham nada, mas abdicaram desse dinheiro para poder jogar numa equipa que representa os cabo-verdianos».

Publicado em 'Mais Futebol'.