17 junho, 2011

IPB desenvolve novo sistema para esterilizar castanha

Ajudar a aumentar a exportação de castanha e com custos mais reduzidos. Esse é o objectivo de um projecto pioneiro em que participa o Instituto Politécnico de Bragança, a Universidade do Minho e o Instituto Tecnológico e Nuclear, de Lisboa.Desde que a União Europeia proibiu a comercialização do químico usado para esterilizar a castanha que os produtores são obrigados a recorrer à água quente.O IPB propõe a utilização de raios Gama.
Segundo Albino Bento, o presidente da Escola Superior Agrária, este sistema tem muitas vantagens.“Não tenho dúvida que é muito mais económico. Além de a água quente ser um processo muito moroso, no final, demora entre 20 minutos a meia hora a 36º, 37º, e, no final do dia, não permite que se esterilize muita castanha. E no final disso é preciso passar por outro equipamento para secar a castanha, o que torna os custos energéticos muito maiores. E este processo vai permitir esterilizar muito mais quantidades”, explica. Este foi um dos projectos que ontem esteve em destaque, na abertura de um encontro europeu de produção de castanha.Segundo este investigador do Centro de Montanha do IPB, o projecto já está avançado.“Temos mais ou menos afinada a dose de esterilização que podemos utilizar. Sabemos que essa dose pode matar o bichado e o gorgulho. Nos fungos ainda temos de encontrar uma dose que os mate mas que não destrua a castanha.” No entanto, serão precisos mais um a dois anos de afinação do sistema até poder ser usado em segurança.Do lado dos produtores é que as vantagens são bastante apreciadas. Sobretudo, numa altura em que se pedem mais exportações ao país.
Mais barato e, sobretudo, a permitir esterilizar muito mais castanhas em muito menos tempo. Um processo que se torna apetecível para os empresários do sector.“Pensamos que o método é eficiente, bastante eficiente até, o que teremos de conseguir é a redução de custos. É um processo caro mas de massificação, o que é importante”, sublinha Vasco Veiga, administrador da Sortegel, uma das maiores empresas de transformação e venda de castanha do Nordeste Transmontano. Este ano comercializou oito mil toneladas de castanha mas apenas 30 por cento podem ser vendidas em fresco.“Essa era outra vantagem da radiação, é que só esterilizamos a castanha que é para consumo em fresco (ao natural, que vendemos para a grande distribuição). A que vai para a indústria, para ser transformada, não esterilizamos, porque se não, nunca mais lá chegávamos. Mas com este sistema penso que será possível fazê-lo”, diz. Vasco Veiga confessa que sente muitas dificuldades com o actual sistema de esterilização. Utilizando a radiação, poderá duplicar a quantidade de castanha exportada.“O processo com esterilização por água é muito reduzido. É-me impossível aumentar as quantidades que estou a fazer hoje. E a redução de custos também será muito grande. Mas terá de haver conjugação de produtores e apoios do Estado. Mas dá perfeitamente para duplicar a castanha vendida”, explica.
Actualmente, o IPB tem já uma parceria com uma empresa alemã, que utiliza um sistema de radiação portátil, montado numa carrinha, e com uma outra empresa turca, para testar diferentes níveis de radiação.Para além deste projecto, no primeiro dia do encontro de produção de castanha assinou-se também um protocolo de criação da RefCast, a rede portuguesa da castanha.
De acordo com Sobrinho Teixeira, presidente do IPB, vai permitir organizar a fileira e aumentar a área de produção.“Portugal é um dos maiores produtores mundiais de castanha, a nossa região é uma das principais produtoras e fico contente que esta associação fique ligada a Bragança. O que está perspectivado é, para além da investigação, haver uma ajuda financeira extracomunitária para a criação de uma área de plantação muito maior. Precisamos de mais área e de uma investigação associada, que ajuda a conter parte das pragas a que o castanheiro é sujeito.”
Há já 80 milhões de euros disponíveis para este projecto.

Publicado em 'Público'.

IPB assina protocolo para promover e organizar sector da castanha

A Rede Portuguesa da Castanha – composta por 25 empresas e instituições ligadas à investigação – assinou ontem, no IPB, um protocolo de cooperação para organizar o sector no nosso país, com o foco nas áreas da produção, exportação e transformação.

A assinatura do protocolo está integrada no II Encontro Europeu da Castanha. José Laranjo, investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, explica os objectivos:

“É um protocolo de cooperação entre agentes portugueses ligados à castanha, desde a investigação à produção, aos prestadores de serviços. É uma rede que pretende criar sinergias entre todos e relações de confiança. Acreditamos que, no final, a soma global deles todos juntos é superior à deles separados”.

O enquadramento da castanha na Política Agrícola Comum também é motivo de debate do encontro que termina amanhã, em Bragança.

“A castanha é um fruto que nem é fruto seco nem é dos outros, está ali no meio. Nem aparece num lado nem no outro e nós estamos muito preocupados com o futuro da castanha em termos na nova reforma da PAC, porque nós entendemos, atendendo às características da castanha, ao tipo de solos e regiões, que devia estar na classe dos frutos de casca rija. Temos aqui [no encontro] os colegas franceses e espanhóis que também estão muito empenhados em que assim seja”.

O encontro que termina esta tarde é organizado pelo IPB a par com a UTAD, a Sortegel e a Arborea e conta com um total de 250 participantes.
Publicado em 'RBA'.

Gerontologia em discussão

I Fórum Ciência - a realidade da pessoa idosa

Exibido em 'LocalvisãoTV'.

15 junho, 2011

O futuro da castanha na Europa

O futuro da castanha na Europa e o seu enquadramento na nova PAC vão estar em discussão durante o II Encontro Europeu da Castanha – produção e marketing, que vai ter lugar em Bragança, nos dias 16 e 17 de Junho.
O encontro contará com a participação de delegações de Portugal, Espanha, França, Itália e Grécia dividindo-se em três sessões: produção, transformação e organização.
De acordo com J. Gomes Laranjo, docente e investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), a abertura do encontro será ainda marcada pela assinatura pública do protocolo de cooperação da Rede Portuguesa da Castanha – RefCast, rede constituída actualmente por 25 parceiros, tendo como objectivo fomentar a organização da fileira em Portugal. Numa altura em que tanto se fala da necessidade de investimento na agricultura, a RefCast tem preparado, desde 2009, um plano de investimento a nível nacional para a fileira do castanheiro, no valor de cerca de 80 milhões de euros, visando o reforço da cultura em Portugal, quer ao nível da produção para o mercado nacional e internacional onde somos já dos maiores exportadores, quer ao nível da transformação. Este plano, aguarda o apoio efectivo dos decisores políticos nacionais.
O encontro é uma organização conjunta da Arborea, Instituto Politécnico de Bragança (IPB), Sortegel e Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). Este encontro decorrerá em Bragança, no Auditório Alcino Miguel da ESTIG do IPB (http://rotadacastanha.utad.pt/eurocast/index.html
Refira-se que a produção de castanha em Portugal representa cerca de 5% do total da produção frutícola nacional, estimando-se que possa gerar uma riqueza de 50 milhões de euros. Mais de 85% da produção está concentrada em Trás-os-Montes. No entanto, dado o rendimento que a cultura consegue assegurar, há cada vez mais investidores da região e de fora da região, a quererem investir nesta fileira. A atractividade deste sector advém da valorização que a castanha portuguesa tem quer no mercado nacional quer no mercado internacional, onde o saldo das exportações é largamente positivo, seja para o consumo em fresco, seja para a indústria transformadora europeia.
Publicado em 'Jornal Nordeste'.

IPB alarga programas de mobilidade para Macau

O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) vai alargar os programas de mobilidade de alunos e professores com a formalização de mais uma parceria com o Politécnico de Macau.
A informação foi avançada pelo presidente do IPB, Sobrinho Teixeira, na passada terça-feira, durante a abertura do 21º Encontro da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP), que decorreu em Bragança.
O responsável lembrou que a capital de distrito já recebe 900 alunos estrangeiros, ao abrigo de acordos de mobilidade estabelecidos entre instituições de ensino superior lusófonas.
“O IPB foi pioneiro num programa, que sem financiamento, consegue ter neste momento uma centena de alunos com grande incidência nas universidades federais brasileiras”, realça o presidente do IPB.
A partir do próximo ano, o Politécnico abre as portas a alunos de Macau e proporciona aos alunos portugueses entrarem em contacto com uma realidade diferente. Esta parceria vai possibilitar a mobilidade de cerca de cem alunos numa filosofia de partilha de custos entre os dois países.
O financiamento dos programas de mobilidade foi uma das questões que esteve em cima da mesa durante este encontro, que reuniu professores e investigadores lusófonos de quatro continentes.

5 milhões de euros para permitir a mobilidade de um maior número de alunos no espaço lusófono

Na óptica de Sobrinho Teixeira, se houver uma partilha de custos entre as instituições de ensino superior é possível incluir os alunos com menos recursos financeiros nestes programas de partilha de conhecimentos. “Penso que se nós tivermos imaginação, o financiamento é só parte do problema. No programa que Bragança iniciou há um sistema de custos partilhados, em que a instituição de acolhimento e a instituição de envio acordam entre si garantir a acomodação e o alojamento dos alunos e o aluno terá que custear a viagem, que pode ser financiada”, explica o responsável.
Para a alargar a mobilidade a um maior número de alunos, a AULP está a delinear um programa, com uma verba estimada de 5 milhões de euros, para facilitar o intercâmbio de alunos no espaço lusófono.
O ainda Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, esteve presente na cerimónia de abertura deste encontro e durante a sua intervenção disse mesmo que há instituições de ensino superior que não estão preparadas para dar resposta às solicitações de mobilidade de milhões de jovens. À saída o governante recusou prestar declarações aos jornalistas.
O encontro da AULP encerrou na passada quarta-feira sem a presença do ex-presidente da república de Moçambique, Joaquim Chissano, que não conseguiu estar em Bragança devido a compromissos profissionais.
Publicado em 'Jornal Nordeste'.

13 junho, 2011

Presidente do IPM homenageado em encontro académico lusófono

Mais de 400 reitores, presidentes e outros responsáveis de instituições de ensino superior e de investigação científica dos oito países lusófonos e de Macau juntaram-se em Bragança, de 6 a 9 de Junho, para o XXI Encontro da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP). Em torno do tema “Novas Formas de Cooperação: Espaços de Convergência nos Países Lusófonos”, debateram questões respeitantes à mobilidade académica, modalidades e programas de financiamento, creditação e múltipla titulação, transferência de conhecimento, parques tecnológicos, articulação entre projectos de inovação e empreendedorismo, formação docente e “e-learning”.

Visitas a locais de interesse histórico e cultural, incluindo o Douro vinhateiro, património mundial, exposições, lançamentos de livros, um concerto, jornadas de convívio e uma feira de cooperação no âmbito do ensino superior complementaram as palestras, mesas redondas e reuniões de trabalho, integrando um programa bem elaborado pelo secretariado da AULP e pelo Instituto Politécnico de Bragança, digno anfitrião deste Encontro, que contou com a colaboração da Câmara Municipal e de outros organismos desta cidade do nordeste transmontano, capital de distrito.

Mariano Gago, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Portugal, abriu o Encontro numa sessão que contou com intervenções de Clélio Diniz Campolina, reitor da Universidade Federal de Minas Gerais e presidente da AULP, João Sobrinho Teixeira, dinâmico presidente do Instituto Politécnico de Bragança e também presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), António Rendas, reitor da Universidade Nova de Lisboa e presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, e Hélder Vaz, director-geral da CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. A conferência de encerramento teve como orador convidado Joaquim Chissano, ex-Presidente da República de Moçambique.

Medalha de Mérito do CCISP

Instituída apenas em Abril do corrente ano, a Medalha de Ouro de Mérito do CCISP foi atribuída, por deliberação unanimemente aprovada no dia 10 de Maio por este Conselho, a Lei Heong Iok, presidente do Instituto Politécnico de Macau, sendo esta a primeira individualidade contemplada com tal distinção. O acto solene da entrega da medalha teve lugar a 6 de Junho, primeiro dia do Encontro, com a presença de altas individualidades académicas e políticas, tendo sido enaltecido pelo presidente do CCISP e por Adriano Moreira, vice-presidente da Academia das Ciências de Lisboa, o contributo relevante do homenageado para o fortelacimento das relações académicas entre Portugal e a Região Administrativa Especial de Macau e para a promoção e valorização da língua e cultura portuguesas através do Instituto Politécnico de Macau.

O ex-presidente do Instituto Politécnico de Leiria, também ex-presidente do CCISP, Luciano de Almeida, com quem foram iniciadas importantes acções de cooperação e intercâmbio com Macau, apresentou uma resenha das iniciativas académicas e culturais que o Instituto Politécnico de Macau tem levado a efeito com uma multiplicidade de instituições do mundo lusófono, após o que o presidente do CCISP convidou o autor deste artigo, na qualidade de presidente do Instituto Internacional de Macau e ex-membro do Governo do território, para fazer o elogio do homenageado.

O percurso do homenageado

Aceitando com prazer a incumbência, acentuei deste modo alguns momentos do seu percurso académico e profissional:

A atribuição da Medalha de Ouro de Mérito ao Prof. Lei Heong Iok, presidente do Instituto Politécnico de Macau, é um gesto simbólico de alto significado que homenageia uma instituição macaense que tem querido e conseguido reforçar os laços de cooperação com instituições académicas e culturais portuguesas e de outros países lusófonos, mais de dez anos após a transição bem sucedida de Macau, ao mesmo tempo que distingue a personalidade que, pelo seu esforço, interesse, saber, lucidez e entusiasmo, tem sabido assumir este relevante projecto, dando-lhe forma e sentido muito antes das autoridades centrais chinesas terem definido as linhas mestras de orientação política para Macau, confiando ao território, hoje Região Administrativa Especial da República Popular da China, a responsabilidade de funcionar como plataforma de cooperação da China com os Países de Língua Portuguesa, permitindo-lhe retomar, com pragmatismo e de forma ainda mais vigorosa e consequente, a sua vocação histórica, no cumprimento duma missão singular que uma língua, raízes comuns e interesses estratégicos actuais determinaram irrecusavelmente.

Ligam-me ao Prof. Lei relações de trabalho e de amizade que têm mais de três décadas. Julgo assim poder pôr de parte o seu currículo oficial de várias páginas que tenho aqui, para referir apenas dois conjuntos de circunstâncias, um de cariz político e o outro de natureza académica, para enaltecer o seu contributo e o seu percurso.

Foi na esfera política que o conheci quando ele, discreta e competentemente, desempenhava funções na Agência Noticiosa Nova China, que assegurava a representação das autoridades centrais chinesas em Macau, na vigência da administração portuguesa. Era eu membro do Governo Português de Macau, na década de 80, quando, numa visita oficial à RPC, foi ele designado por aquela agência para me acompanhar e à minha comitiva, que integrava o Dr. Manuel Coelho da Silva, que está hoje entre nós e que dirigia então e muito bem os Serviços de Educação e Juventude, uma das áreas que eu tutelava no Governo. Pudemos nessa visita apreciar as suas qualidades humanas, o seu saber e o seu profissionalismo.

Ao longo dos meus anos no Governo de Macau pude compreender a relevância e delicadeza da sua actividade, assegurando como intérprete e tradutor qualificado a ligação das autoridades chinesas locais com governadores e outras altas entidades portuguesas. Num meio como aquele, esse papel era mesmo da maior importância, já que todos sabemos como é muitas vezes decisiva a actuação do intérprete em conversações e negociações...

Como chefe adjunto do Gabinete de Assuntos Externos da Delegação em Macau da Agência Noticiosa Nova China e como oficial de ligação do Grupo de Terras Luso-Chinês, creio que o Prof. Lei cumpriu exemplarmente a sua missão.

Retornou depois a Pequim, sua terra natal, onde tinha permanecido até concluir a licenciatura em Estudos Ingleses na Universidade de Línguas Estrangeiras, que teve a maior eficácia na formação de quadros superiores que permitiram à China estreitar relações diplomáticas, culturais e económicas com outros países.

Tinha, entretanto, estudado português em Macau e depois em Lisboa, onde teve como mestres os Professores Malaca Casteleiro e Fernando Alves Cristóvão. E era professor de Língua Portuguesa na Universidade de Línguas Estrangeiras antes de desempenhar os cargos que há pouco referi. Retomou, assim, funções docentes na sua universidade, mas por pouco tempo porque as saudades de Macau eram enormes e para lá decidiu um dia retornar. Foi um processo algo atribulado que o Prof. Lei poderá um dia recordar no seu livro de memórias.

Esclarecida a sua situação perante as autoridades chinesas e estando eu novamente no Governo, já na última década da administração portuguesa, obtive a concordância do Governador Vasco Rocha Vieira para aproveitar a experiência e o saber do Prof. Lei, colocando-o na Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, como assessor da directora, Dra. Maria Edith da Silva, que dirige proficientemente, desde 1998, a Escola Portuguesa de Macau. Ao mesmo tempo, foi redactor-chefe e coordenador da edição chinesa do jornal ʻEducação e Juventudeʼ. Esteve nessas funções de 1994 a 1996, ano em que lhe lancei um novo desafio – o de assumir responsabilidades na Escola Superior de Línguas e Tradução do IPM, como subdirector. Doutorou-se, entretanto, na Universidade de Sun Yat Sen em História Moderna da China.

Tive o privilégio de ser o presidente da comissão instaladora do IPM e, como tal, o seu primeiro presidente, sendo agora, por especial deferência dos seus responsáveis, o seu presidente honorário. Ligam-me, pois, ao IPM laços de grande afecto. À medida que nos aproximávamos do fim do período de transição, fomos escolhendo as pessoas para os cargos cimeiros nas instituições públicas de Macau e, no caso do IPM, fizemos uma aposta segura no Prof. Lei. No ano lectivo de 1998-99 foi vice-presidente e de 1999 até ao presente é presidente e professor coordenador do IPM, sendo também professor honorário de vários outros institutos e universidades.

Não abandonou, porém, completamente a actividade política. Foi membro da comissão eleitoral do Chefe do Executivo da RAEM e é membro da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês e de diversos outros organismos consultivos.

Tem obra publicada e recebeu prémios e outras distinções académicas.

Para caracterizar a personalidade do Prof. Lei, posso recorrer àquelas sábias e conhecidas palavras de Lao Zi: ʻNão se expondo a si próprio, resplandece; não fazendo alarde dos seus méritos, é honrado; não se ufanando do que fez, tem carácter; não se vangloriando a si mesmo, é respeitadoʼ. Ou, como diria Confúcio: ʻO homem que é firme, paciente, simples, natural e tranquilo está próximo da virtudeʼ. Estas palavras aplicam-se por inteiro a Lei Heong Iok.

Parabéns ao IPM e a Lei Heong Iok por esta merecida distinção.

Jorge A. H. Rangel - Presidente do Instituto Internacional de Macau

Publicado em 'Tribuna de Macau', 13/06/2011.

09 junho, 2011

Bragança: Universidades de Língua Portuguesa estiveram reunidas no IPB

Mobilidade de alunos, graus académicos, dupla titularidade fgoram alguns dos assuntos em debate no encontro que juntou mais de 400 académicos de oito países dos CPLP e Região Administrativa de Macau.

Do XXI Encontro das Associações das Universidades de Língua Portuguesa (AULP) realizado esta semana em Bragança resultou a criação de um programa de mobilidade de alunos, um género de Erasmus Lusófono. Sobrinho Teixeira, presidente do IPB, destaca o investimento do Brasil neste projecto que vai rondar os cinco milhões de dólares nos próximos cinco anos:

“Saiu a decisão de implementar equipas de trabalho para a criação de graus conjuntos e mobilidade. O professor Campolina anunciou aqui a disponibilidade do Brasil para injectar um fundo de cerca de cinco milhões de dólares nos próximos cinco anos para promover essa mobilidade naquilo que o IPB já foi Pioneiro e sem financiamento”.

Também a Região Administrativa de Macau vai investir no programa de Mobilidade. No próximo ano lectivo espera-se que uma centena de alunos integre o Erasmus Lusófono. Já a partir de Agosto alunos do Politécnico vão para Macau e vice-versa.

Outro assunto em debate do encontro das AULP foi o reconhecimento comum de diplomas e graus académicos. Sobrinho Teixeira destaca a importância de um curso em Portugal ser reconhecido nos países onde se fala a língua de Camões:

“Falou-se sobretudo como harmonizar a dificuldade que existe entre países que não aderiram ao processo de Bolonha como o Brasil e países de África. Reparem na importância que tem um curso administrado em Portugal ser reconhecido em Angola, no Brasil ou outro país de expressão portuguesa”.

A sessão de encerramento contou ainda com uma conferência de Joaquim Chissano. O ex-presidente de Moçambique falou aos participantes através de vídeo-conferência.

Foi ainda eleita a nova direcção da AULP para o próximo triénio, Jorge Ferrão da Universidade de Lurio em Monçambique sucede a Clécio Campolina da Universidade Federal de Minas Gerais no Brasil.
Simultaneamente ao encontro decorreu uma Feira de Cooperação do Ensino Superior de Língua Portuguesa. Na cerimónia de encerramento foi ainda lançado o Livro relativo ao XXI Encontro da Associação de Universidades de Língua Portuguesa.
Mais de 400 académicos dos oito países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e da Região Administrativa de Macau estiveram em Bragança onde discutiram “Novas formas de cooperação, espaços de convergência nos países lusófonos”.
Publicado em 'RBA'.

Chissano falha encontro da AULP em Bragança

É preciso aumentar o apoio aos programas de mobilidade no Ensino Superior. Essa foi a principal conclusão do 21º encontro da Associação das Universidades de Língua Portuguesa, que ontem terminou em Bragança. O reitor da Universidade de Lúrio, em Moçambique, foi eleito novo presidente da AULP para um mandato de três anos.No final, apontava a reformulação dos programas de mobilidade como uma prioridade.O objectivo é conseguir levar mais estudantes portugueses e brasileiros às universidades africanas.“Vamos fazer um Erasmus à nossa maneira. Um Erasmus Lusófono que não precisa de ser necessariamente como é o Erasmus. Podemos faze-lo em condições diferente e ter resultados bem melhores” refere Jorge Ferrão, acrescentando que “temos de colocar todas as nossas instituições a fazer um pequeno investimentos”. O presidente do Instituto Politécnico de Bragança e anfitrião do evento, sublinha a aprovação da proposta de criação de um fundo de cinco milhões de euros para apoiar os programas de mobilidade como a maior vitória deste encontro.“É comparticipado em dois milhões de euros pelo Brasil mais 500 mil euros da AULP, mais 500 mil do Banco Mundial e da CPLP” adianta Sobrinho Teixeira, salientando que “isto já é o pioneirismo de termos uma mobilidade dentro do espaço da lusofonia”. Este foi mesmo o maior encontro de que há memória, com 460 participantes. Mas ontem foi especialmente notada a ausência de Joaquim Chissano, ex-presidente de Moçambique.Sobrinho Teixeira diz que foi um imprevisto de última hora que obrigou ao cancelamento da viagem.“Ele fez um esforço imenso para vir, mas ficou retido no Botswana onde teve uma reunião para estabelecer a paz em Madagáscar” explica. “Ele ainda consegui chegar a Joanesburgo mas o avião chegou atrasado meia hora e já não conseguiu apanhar a ligação para Amsterdão”. De qualquer forma, salienta que “ele mandou uma conferência gravada”. Ontem terminaram os debates.

Hoje o dia é dedicado ao programa social, que vai decorrer em Vila Real.
Publicado em 'Rádio Brigantia'.