31 julho, 2012

Mais de metade das universidades não vai aumentar propinas dos alunos

A propina mais barata do ensino superior público é de 780 euros e é paga nos institutos politécnicos do Cávado e Ave (IPCA) e de Bragança (IPB).
Mais de metade das instituições de ensino superior que já definiram as propinas para o próximo ano lectivo não vão mexer no valor que cada aluno tem que pagar. Das 20 universidades ouvidas pelo PÚBLICO, 12 decidiram não aumentar aquela prestação, ou seja, apenas oito vão seguir a recomendação feita em Abril pelo Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), no sentido de o valor arrecadado com a propina máxima poder ser encaminhado para um fundo social que permita apoiar os estudantes com dificuldades financeiras.
O receio de haver perda de estudantes num contexto de crise social e económica é o motivo apresentado para que o preço não seja alterado. Ainda assim, há cinco universidades e um instituto politécnico que vão cobrar o máximo permitido: 1037,20 euros.
A propina mais barata do ensino superior público é de 780 euros e é paga nos institutos politécnicos do Cávado e Ave (IPCA) e de Bragança. Em ambos os casos, a verba vai manter-se inalterada. "Pretendemos evitar o aumento das desistências por parte dos estudantes ou os pedidos de adiamento do pagamento de prestações de propinas", explica João Carvalho, presidente do IPCA.
A mesma justificação é apontada pelo presidente do Instituto Politécnico de Leiria, Nuno Mangas, onde a propina de licenciatura se vai manter nos 999 euros, para garantir que "nenhum estudante do IPL deixe de continuar estudos por falta de condições económicas". A instituição aplicou o mesmo princípio aos segundos ciclos, mantendo o valor das propinas nos mestrados cuja propina era igual à das licenciaturas, mas reduzindo os restantes, o que na maioria dos casos resulta num decréscimo de 25% do preço.
A manutenção dos preços das propinas foi decidida sobretudo por politécnicos (nove), mas foi seguida igualmente por três universidades: a dos Açores (940 euros), Trás-os-Montes e Alto Douro e Porto. Estas últimas mantêm os 999 euros do ano passado. "O conselho geral deliberou não aumentar a propina para o novo valor máximo permitido por lei com a intenção de não sobrecarregar os estudantes com custos nesta altura de grave crise económica", avalia a reitoria da Universidade do Porto.
A decisão de não aumentar as propinas pode ainda ser seguida por outras universidades e politécnicos. Do universo total de 29 instituições, há seis que ainda não decidiram o valor a cobrar aos estudantes no próximo ano lectivo, às quais se juntam os institutos de Viana do Castelo, Coimbra e Beja que não responderam às perguntas do PÚBLICO.
Em sentido contrário, oito instituições vão aumentar as propinas. A Universidade do Algarve decidiu rever o valor em 35 euros, passando a cobrar 965 euros anuais. Também a Universidade da Madeira vai fazer crescer o custo da frequência aos seus alunos para os 1035 euros. As restantes instituições que vão aumentar as propinas fixaram o valor máximo previsto pela Direcção-Geral do Ensino Superior. Assim, os estudantes que frequentem as universidades do Minho, Aveiro, Coimbra, Beira Interior e Técnica de Lisboa terão que desembolsar 1037,20 euros anuais, mais 37,49 euros do que no ano anterior. O único politécnico a seguir esta opção foi o de Lisboa, que definiu a propina máxima na generalidade das suas escolas, com excepção da Escola Superior de Educação e do Instituto Superior de Contabilidade e Administração.
O valor da propina máxima corresponde a uma actualização de 3,75%, que foi fixada tendo por base a variação do índice de preços no consumidor fixado pelo Instituto Nacional de Estatística.

Publicado em 'Público'.

27 julho, 2012

Corte no orçamento põe em causa sobrevivência de Politécnicos

Mais um corte no orçamento do Estado para as instituições de ensino superior.
No próximo ano, universidades e politécnicos vão ter uma redução média de cerca de 3 por cento nas transferências do poder central. Sobrinho Teixeira, presidente do Instituto Politécnico de Bragança e do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, diz que a instituição de Bragança vai conseguir dar a volta a esta redução no orçamento, mas receia que alguns politécnicos não consigam sobreviver.
“A redução é sempre um problema. O IPB neste processo ficou relativamente bem. Nós tínhamos confiança que o aumento do número de alunos nos últimos anos se iria traduzir nalgum benefício para o instituto e o IPB foi o que teve a menor redução. Como presidente do CCISP não posso olhar para Bragança, mas tenho que olhar para todas as instituições e portanto queremos encontrar aqui formas alternativas, porque eu tenho receio que algumas instituições não consigam pagar as despesas permanentes com a transferência do orçamento de Estado”, realça o responsável.
Sobrinho Teixeira sublinha que as instituições vão negociar com o governo para encontrarem alternativas de financiamento. “Iremos conversas com o Governo, com a secretaria de Estado para serem encontradas fontes de receita principalmente para as instituições que tiveram cortes de cinco e seis por cento, porque já no ano passado houve um corte transversal de 8,5 por cento e estão numa situação muito complicada”, afirma Sobrinho Teixeira.
Entretanto, o secretário do Ensino Superior, João Filipe Queiró, reconhece que as instituições vão ter dificuldades com mais um corte no orçamento, mas justifica esta decisão com a crise que o País atravessa. “Vão sobreviver em dificuldade como todo o País. A redução média andou pelos 2,5 por cento, não tem qualquer comparação com o que aconteceu no ano passado, ainda assim é uma redução e corresponde às dificuldades que o País atravessa”, justifica o secretário de Estado. O governante a confirmar mais um corte no orçamento para as instituições de ensino superior no próximo ano.

Publicado em 'Rádio Brigantia'.

«As mais altas, as mais largas, as maiores e as mais velhas»

Ciênci@Bragança
De que falamos? Leia mais um pouco e surpreenda-se. A Assembleia-Geral das Nações Unidas declarou 2011 como o Ano Internacional das Florestas para, deste modo, sensibilizar a comunidade internacional para a necessidade de uma gestão sustentável, conservação e desenvolvimento sustentável de todos os tipos de florestas, sob o lema "Floresta para todos". Um lema que desafia todas as pessoas a conhecer a Floresta, valorizando todos os recursos que dela provêm e englobando todas as árvores nela contidas. Começando pelo desafio do conhecimento mais fundamental da sua morfologia, perguntamos: conhece as mais altas, as mais grossas, as maiores e as mais velhas ÁRVORES do mundo? Algumas espécies de árvores apresentam copas altíssimas, sombreando as florestas, enquanto outras têm ramos antigos e nodosos, que pouco, abrigo oferecem nas paisagens áridas. Muitas destas árvores tornaram-se presas do abate madeireiro intensivo e da invasão humana. Algumas, contudo, persistem. Conheçamos então as "mais", dentro dos parâmetros de altura, diâmetro, volume e idade.
As mais altas. As árvores mais altas do planeta são as sequóias sempre-verdes (Sequoia sempervirens) da costa norte-americana do Pacífico. A mais alta, à qual foi posto o nome de Hyperion, (estes nomes personificam as árvores e assim ajudam a fomentar o apoio à sua contínua proteção) foi descoberta em 2006, no Parque Natural das Sequoias, na Califórnia. Com 115,6 metros de altura, é uma das espantosas 180 sequoias conhecidas com mais de 107 metros. O eucalipto da Tasmânia, a mais alta planta angiospérmica do mundo, é endémica de dois estados australianos, Victoria e Tasmânia. Em 2008, descobriu-se um exemplar de eucalipto "o Centurion", da espécie (Eucalyptus regnans), que atingiu novo recorde, com 99,6 metros de altura. O Centurion é não só o eucalipto mais alto do mundo mas também a angiospérmica mais alta do mundo.
As mais grossas. Necessitando de água, o taxódio-de-montezuma pode nunca atingir grandes alturas como os concorrentes. Mas esta espécie pode atingir grandes dimensões em diâmetro ou circunferência. A árvore de Tule ou cipreste de Montezuma ou ahuehuete (o homem velho da água), como é conhecida, é a árvore de tronco único mais grossa do mundo e localiza-se em Santa Maria del Tule, no estado mexicano de Oxaca. Trata-se de um exemplar de taxódio (Taxodium mucronatum) com 11,62 metros de diâmetro, o que corresponde a 36,2 metros de circunferência (medição de 2005). Estima-se que tenha entre 1200 e 3000 anos.
As maiores em volume, mais majestosas. A sequoia-gigante "General Sherman" é a maior árvore de tronco único em termos de volume total de madeira. No Parque Nacional das Sequoias, um monstro com 83,8 metros de altura deteve o recorde de tamanho durante quase 8 décadas - atualmente tem 1487 metros cúbicos só no tronco principal. As sequoias-gigantes têm uma casca grossa e rugosa (pode ter 90 centímetros de espessura na base do tronco) que ajuda a protegê-las dos incêndios florestais; as pinhas abertas pelo calor de um incêndio podem espalhar milhões de sementes numa área equivalente a meio campo de futebol.
As mais velhas. As árvores mais velhas são os pinheiros da espécie Pinus longaeva. Um espécime da Califórnia, a quem foi dado o nome de Matusalém, é considerado o mais antigo organismo não clonado que se conhece, tendo sobrevivido 4800 anos. As raízes superficiais destas coníferas, permitem-lhes absorver água, enquanto as agulhas ajudam a reter humidade. Em ambientes extremos, este pinheiro não mede mais do que 9 metros, mas o tronco robusto continua a ganhar peso. Com frequência, tiras estreitas de caule sustentam a folhagem em troncos maioritariamente mortos. As espécies coníferas são as mais antigas. É o caso dos pinheiros californianos Pinus longaeva e das sequoias. No entanto, uma das árvores mais velhas (se considerarmos os clones, na medida em que resultam da propagação vegetativa do pé original) localiza-se na ilha australiana da Tasmânia, na reserva florestal do monte Real, situada a uma altitude de cerca de 1000 metros. Este fóssil vivo, Lagarostrobos franklinni, é uma conífera com uma idade estimada de 10 mil anos. Este exemplar foi capaz de estender os seus ramos por duas eras geológicas. Quando a sua semente germinou, ainda o Homem andava a pintar as gravuras de Foz Coa. Um outro exemplar bastante mais velho, igualmente um clone, mas de Populus tremuloides, está referenciado no Utah, USA, com estimativas de idade entre 80 mil anos e 1 milhão de anos.
Publicado em 'Mensageiro' de 26/07/2012.

Visualização de células sanguíneas em microcanais

Ciênci@Bragança
O corpo humano possui aproximadamente cinco litros de sangue, sendo este um dos elementos fundamentais do organismo. Assim, para compreender melhor o seu comportamento e propriedades, têm sido efectuados vários estudos. Um dos grandes desafios atuais é conseguir obter a geometria (tamanho e posição relativa) dos vasos sanguíneos o mais próxima possível da realidade. Uma abordagem possível é a utilização de microcanais (canais com dimensões próximas a um fio de cabelo) em polidimetilsiloxano (PDMS), um silicone. Através desta técnica, conhecida por litografia suave, é possível construir geometrias semelhantes às dos vários tipos de artérias: arteriolas, capilares evénulas.
Para efetuar estes estudos, é necessário efetuar a colheita de sangue animal ou humano e proceder à separação de todos os seus constituintes através de várias centrifugações (processo pelo qual se consegue separar os glóbulos vermelhos do plasma e dos restantes elementos celulares), para se poder obter apenas os glóbulos vermelhos.
Em seguida, é necessário imprimir os micro canais com uma impressora de alta resolução e, com o auxílio de equipamentos existentes numa sala limpa (local com um ambiente controlado para fabricar produtos onde a contaminação por partículas presentes no ar pode interferir no resultado final), é possível obter um molde de uma geometria similar a uma arteríola. O molde é coberto com PDMS, o qual necessita de ir alguns minutos ao forno para se tornar rigido. O passo seguinte é retirar o molde do PDMS, e aderir o PDMS a uma lamela de vidro.
Com o microcanal e a amostra de sangue assim preparados, podemos passar para a última fase deste processo e observar o escoamento das células sanguíneas no interior do microcanal. Com o apoio de um microscópio e de uma câmara de alta velocidade é possível observar, gravar imagens e vídeos dos glóbulos vermelhos para serem estudados, posteriormente, com mais detalhe. Este tipo de estudos são muito importantes, pois permitem melhorar o conhecimento das células sanguíneas e o seu comportamento em microcanais. Possibilitam também o desenvolvimento de novas técnicas e métodos de análises clínicas, com aplicações quer na prevenção quer no tratamento de alguns tipos de doenças.
Publicado em 'Jornal Nordeste' de 24/07/2012.

Caça ao tesouro no Castelo

A Junta de Freguesia de Santa Maria e as alunas do 3.º ano do Curso de Arte e Design da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Bragança, organizaram uma caça ao tesouro, na qual participaram cerca de 70 pessoas.
Trata-se de uma actividade que conjugou as vertentes da História e do Património, com a vertente lúdica. A iniciativa teve lugar no Castelo de Bragança e pretendeu dar a conhecer os factos históricos associados à princesa e à sua torre. No final, as equipas participantes, foram premiadas com o livro “D. Mendo e o Rapto da Princesa da Arménia”, de António Afonso.  
Publicado em 'Jornal Nordeste'.

26 julho, 2012

Domus Universitária

Centro histórico de Bragança revitalizado com duas residências de estudantes

Exibido em 'RTP'.

Residências dão vida ao centro histórico de Bragança

O centro histórico de Bragança vai ganhar mais vida com a chegada de alunos estrangeiros já no início do próximo ano lectivo.
As primeiras residências universitárias, que resultam da requalificação de edifícios devolutos no centro da cidade, foram ontem inauguradas. O presidente da Câmara de Bragança, Jorge Nunes, acredita que esta zona da cidade vai ganhar dinâmica com a instalação dos jovens. “Pensamos que uma das formas mais activas de rejuvenescer o centro histórico é trazer juventude para os centros históricos, seja através de estudantes, ou casais jovens. Porque atrás dos jovens vem a actividade económica. Podem vir as papelarias, os bares, os cafés, as mercearias”, realça o autarca.
O próximo passo é a remodelação de mais casas devolutas para estudantes e casais jovens. Projectos que dependem de fundos comunitários.
A par das residências também foi inaugurado um campo de jogos e o complexo pedagógico do Instituto Politécnico de Bragança. O presidente da instituição, Sobrinho Teixeira, sublinha que são obras importantes para o IPB e para a cidade de Bragança. “O campo de jogos do IPB vai permitir uma maior aplicação no desporto da parte dos estudantes e vai ser aberto à comunidade e várias associações da cidade vão poder usufruir deste campo.
O complexo pedagógico vai dar resposta ao aumento de alunos que houve nestes últimos anos, havia alguma desconcentração de serviços, o que provocava alguma ineficácia nos serviços prestados aos alunos. Tudo isso vai ficar agora concentrado. E estas duas residências vão permitir ao instituto expandir os programas de internacionalização”, realça Sobrinho Teixeira.
A cerimónia foi presidida pelo secretário de Estado do Ensino Superior, João Filipe Queiró, que aplaudiu a concretização deste investimento em tempo de crise. A construção das residências representa um investimento de cerca de 1 milhão e 165 mil euros, comparticipados em 80 por cento por fundos comunitários. Os dois imóveis vão acolher 41 estudantes.

Publicado em 'Rádio Brigantia'.

Novas infraestruturas

Domus Universitária, Campo de Jogos e Bloco Pedagógico

Exibido em 'LocalvisãoTV'.

“É cada vez mais difícil ser empresário em Trás-os-Montes”

“É cada vez mais difícil ser empresário em Trás-os -Montes”. A afirmação é do empresário Nuno Gomes, da empresa de transformação de madeiras - Ecolignum, que acusa as Câmaras do distrito de comprarem tudo fora da região.
Declarações do empresário em mais uma tarde empresarial, organizada pelo Núcleo Empresarial de Bragança, que decorreu ontem, em Vinhais. “As câmaras municipais gastam fora e não gastam na região”.
Esta é já a sétima tarde empresarial realizada no distrito de Bragança. O objectivo é identificar as potencialidades de cada concelho. O presidente do Nerba, Eduardo Malhão, sublinha que no final “vai realizar-se um congresso para promover a economia e as empresas da região”.
O Instituto Politécnico de Bragança também tem um papel de destaque nestas iniciativas. Albino Bento, director da Escola Superior Agrária, diz que “este tipo de iniciativas servem para dar a conhecer as valências do IPB aos empresários”. “No caso deste evento, organizado pelo Nerba, focalizado na fileiras florestal e agro-industrial, a Escola Superior Agrária tem desenvolvido trabalho vasto”, conclui.
A mesa redonda das tardes empresariais vai realizar-se ainda em Macedo de Cavaleiros, Vimioso, Mogadouro e Moncorvo.

Publicado em 'Rádio Brigantia'.

“Bragança podia transformar-se num pólo industrial”

Tem o Instituto Politécnico, que é um dos melhores de Portugal.
A crise europeia que afecta Portugal e as medidas de austeridade que se traduzem no encerramento de serviços no distrito de Bragança foram alguns dos temas analisados por Nuno Rogeiro. O comentador político esteve em Bragança, na passada quinta-feira, para participar numa conferência sobre a Europa, organizada pelo Secretariado Distrital de Bragança dos Trabalhadores Sociais-Democratas.

Jornal Nordeste (JN) – Disse que esteve em Bragança há 25 anos atrás. As assimetrias, que têm vindo a ser reforçadas com o anúncio de encerramento de serviços públicos, podem levar Bragança recuar no tempo?
Nuno Rogeiro (NR) – Tenho pena que algumas possibilidades de desencravar Bragança, como por exemplo a linha de comboio, tenham sido abandonadas. Eu sei que na altura as pessoas protestaram, mas acho que era importante perguntar se Bragança não precisava de ter novos serviços para a ligar a uma zona de Espanha, que também se queixa de ser abandonada por Madrid. Porque esta zona de Léon e Zamora, também se queixa de ser desprezada por Madrid. A interioridade não é uma ficção. Há custos da interioridade. Vir de Lisboa para Bragança, se não houvesse este aviãozinho, era complicadíssimo. E Bragança tem que arranjar uma maneira de ultrapassar esses custos. Eu sei que Bragança tem uma vantagem. É que enquanto outras cidades têm pessoas que já não gostam muito delas, Bragança ainda tem muitas pessoas que gostam de Bragança. Agora é preciso mais do que isso. Bragança podia transformar-se num pólo industrial mais importante do que é actualmente. Tem cá uma fábrica para a criação de componentes para veículos. Tem o Instituto Politécnico, que é um dos melhores de Portugal. Mas, não sei se não seria a altura para seguir numa aposta mais estratégica na indústria. E se Portugal não produzir não vai a lado nenhum.

JN – Considera dramática a retirada de serviços do distrito de Bragança?
NR – Eu acho que há serviços públicos que são perfeitamente essenciais e há outros que são redundantes. Agora fechar a única opção acho que não faz sentido nenhum. Antes de se tomarem as decisões tem que haver um plano estratégico em que as pessoas sejam informadas sobre o que é que vai acontecer. Que haja discussão pública suficiente antes de se tomarem as decisões. Dizem que há discussão, mas o que é certo é que as decisões chegam e as pessoas ficam sem saber porque é que elas foram tomadas. Esse é que é o grande problema.

JN – Falou aqui da passagem de uma Europa consentida, para uma Europa sem sentido. Perante a actual situação acha que esta Europa ainda faz sentido?
NR – Em muitos aspectos não faz, porque não se consegue explicar em relação a algumas decisões que toma. Por exemplo, na última Cimeira Europeia, a aplicação aos bancos espanhóis de regras específicas que parecem vantajosas não foi muito bem explicada, porque infelizmente muitos dos bancos espanhóis que são beneficiados são bancos delituosos. E eu sempre fui ensinado que a fraude não tinha uma recompensa, mas sim um castigo. É importante explicar se este pacote é uma recompensa para entidades que não deviam ser recompensadas, mas deviam antes ser investigadas, ou se é outra coisa. A Europa sem sentido também vive muito destas ambiguidades, que eu acho que não ajudam ninguém.

JN – E Portugal tem sido prejudicado?
NR – Eu acho que Portugal nem no futebol foi prejudicado. Nós dependemos de nós próprios. Se jogamos bem ou se não jogamos bem. Acho que nesse aspecto Portugal não se pode queixar de ter sido prejudicado por ninguém. Se compararmos o memorando de entendimento com a Troika celebrado com Portugal com o irlandês e o grego acho que o memorando português até é vantajoso em muitos aspectos e dá mais liberdade do que dá, por exemplo, o memorando grego. Acho que o Governo português teria mais capacidade de actuação com este memorando do que um governo grego. Portanto acho que não podemos queixar-nos de males exteriores.

JN – E é um jogo bem jogado pelos nossos políticos?
NR – A questão é saber se em Portugal estamos ou não bem representados. Isso se calhar traduz-se na abstenção, que tem atingido níveis perfeitamente recorde. A abstenção em Portugal é optimista, no caso de pessoas que dizem que não é preciso votar porque está tudo decidido, e pessimista, no sentido de haver pessoas que dizem que está tudo viciado. Mas que há graves crises de representação em Portugal, isso sem dúvida.
Publicado em 'Jornal Nordeste'.