04 setembro, 2012

Como reage o nosso corpo à variação da temperatura?

CiênciaBragança
A todo o momento, acontecem, no interior do corpo humano, diversas reações químicas, quando nos movimentamos (através dos músculos), quando comemos, quando trabalhamos, quando nos divertimos, quando recuperamos de alguma doença, quando sorrimos, choramos e também quando captamos energia para nos mantermos vivos.
O corpo humano, ao longo dos anos, sofreu transformações e tem evoluído para melhor se desenvolver e adaptar ao ambiente. Todas as partes que o constituem funcionam de forma integrada e em harmonia com as outras.
A temperatura interna do ser humano, em condições normais, mantém-se constante e independente das variações da temperatura ambiente. Pelo contrário, a temperatura superficial, ou seja, a da pele, varia de acordo com a temperatura do meio ambiente, dentro de certos limites. O organismo utiliza a camada externa, pele e tecido subcutâneo, como um regulador auxiliar da sua temperatura interna. O que acontece quando temos frio? Arrepiamo-nos e, deste modo, aquecemos. E quando temos calor? Libertamos suor pelos poros da pele, ou seja, arrefecemos. É esta constante adaptação do nosso corpo aos estímulos externos que nos mantém em harmonia com o meio ambiente.
Quando a temperatura interna atinge os 42ºC, uma pessoa pode entrar em coma, pois ocorre um conjunto de transformações químicas que levam ao funcionamento deficiente dos órgãos, podendo causar a morte.
A hipertermia tem como consequência a perda de líquido e sais minerais, podendo originar náuseas, tonturas, vómitos, confusão, perda de consciência e desidratação, delírio, cãibras musculares e perturbações visuais. Pelo contrário, quando estamos com hipotermia, a temperatura do organismo desce abaixo da temperatura normal, o que prejudica o metabolismo. As pessoas entram numa fase de tremor, provocada pelas contrações dos vasos sanguíneos, dormência nos membros, esfriamento dos pés e das mãos, problemas respiratórios, entre outros, e nas situações mais avançadas, a hipotermia provoca falta de memória, dificuldades em controlar os membros, perda dos sentidos e da pulsação e as pupilas ficam dilatadas.
Em suma, não podemos esquecer que se o nosso organismo está a aumentar ou a diminuir a temperatura interna, estará, de alguma forma, a tentar manter-nos em equilíbrio. De facto, o nosso corpo não reage por acaso.
Assim, para a sobrevivência de qualquer organismo humano é fundamental que este esteja em equilíbrio com o meio ambiente, sendo a temperatura um importante mecanismo de regulação.
Rita Moreira Pires
Publicado em 'Mensageiro' de 23 agosto 2012.

O mundo atual seria o mesmo se o papel não tivesse sido inventado?

CiênciaBragança
Há muitos anos atrás, no tempo em que os homens viviam em cavernas, estes pintavam situações do seu dia a dia nas paredes das grutas. A pedra foi durante muito tempo o único material de registo utilizado.
No ano 3500 antes do nascimento de Cristo, os egípcios inventaram um novo material de registo, feito a partir de papiro, uma planta que crescia nas margens do rio Nilo. O talo desta planta era cortado em tiras longas e finas, que depois de sobrepostas e cruzadas, eram batidas com um martelo, secas ao sol e finalmente alisadas com uma pedra polida. Foi a palavra “papiro” que deu origem à palavra “papel”.
Por sua vez, o pergaminho situa-nos na Ásia Menor, na cidade de Pérgamo, onde os seus habitantes desenvolveram uma técnica de secagem de peles de animais, que depois de raspadas, secas e polidas com uma pedra pomes, se tornavam lisas e flexíveis, permitindo que se escrevessem nelas, dos dois lados. Este novo material de escrita, embora dispendioso, foi utilizado na Europa durante quase toda a Idade Média.
A invenção do papel é atribuída a T-Sai Lun, no ano 105 depois de Cristo, na China. Durante mais de 500 anos este segredo foi guardado pelos chineses, até que no ano 751, em Samarcande, os Árabes tomaram conhecimento desta técnica. A partir daí, o fabrico do papel difundiu-se por toda a Europa. Pela mão dos árabes, a técnica da produção de papel aproximou-se, progressivamente, da Península Ibérica, surgindo em Espanha no ano de 1150.
Em Portugal, o primeiro moinho de papel surgiu somente em 1411, na cidade de Leiria. Os moinhos de papel, tal como os moinhos de cereal, aproveitavam a energia hidráulica, a energia da água e, por isso, localizavam-se junto a cursos de água. O papel era produzido a partir de trapos de algodão ou linho, aproveitando-se roupas velhas para esse fim. Contudo, quando as necessidades de papel aumentaram e os trapos já não eram suficientes para a sua produção, começou-se a reutilizar o papel velho como matéria prima para a produção de papel novo.
Como vê, a reciclagem já não era, na altura, uma novidade! Há mais de 100 anos, os fabricantes de papel encontraram uma nova matéria prima, a pasta de celulose, que é retirada da madeira das árvores. A partir dos anos 60, o eucalipto tornou-se a espécie mais utilizada para o fabrico de celulose, uma vez que apresenta um ciclo de crescimento mais rápido do que outras espécies arbóreas e, por isso, tornou-se a principal fonte de fibras para a produção do papel. Este facto constitui uma ameaça à biodiversidade planetária, pois verificam-se plantações massivas de monoculturas de eucalipto e, consequentemente, o corte de milhares de árvores, provocando uma visível desflorestação. A solução poderá passar pela reciclagem de papel, ou seja, pelo aproveitamento de papel usado como matéria prima para o fabrico de papel novo. Desta forma, uma tonelada de papel reciclado evita o abate de 15 a 20 árvores.
O processo de reciclagem, com enormes vantagens, começa, nos aglomerados populacionais, pelo uso de recipientes de recolha de papel usado. Quem não conhece o contentor azul do Ecoponto?
Márcia Moreno
Publicado em 'Jornal Nordeste' 21 agosto 2012.

O que é a luta biológica ?

CiênciaBragança
É a utilização de organismos vivos, ou dos seus produtos, para evitar ou reduzir as perdas ou danos causados pelos organismos nocivos.
Em Portugal são conhecidos alguns casos de luta biológica já nos finais do século XIX e início do século XX. O primeiro foi a introdução de Vedalia, inseto semelhante a uma joaninha, em 1897, para o combate à Icerya, cochonilha que suga a seiva dos citrinos, em laranjais dos arredores de Lisboa, no que foi o primeiro ensaio de luta biológica moderna levado a cabo na Europa.
Este meio de luta, alternativo à utilização de fitossanitários químicos, inclui o uso de numerosos grupos de inimigos naturais ou auxiliares, como: insetos, as joaninhas; ácaros, os fitoseídeos; vertebrados, as aves; nematodes, bactérias e fungos, que podem atuar como predadores, parasitoides, parasitas ou patogénicos. Neste meio de luta está incluída, também, a utilização de feromonas, hormonas juvenis, técnicas autocidas e manipulações genéticas.
Existem três modalidades de luta biológica: limitação natural; luta biológica clássica e tratamento biológico.
Na limitação natural, os auxiliares asseguram a redução das populações de pragas e de alguns patogénios. Na luta biológica clássica, procura-se combater uma praga exótica que causa prejuízo numa cultura de uma região através da introdução de auxiliares provenientes, normalmente, da região de origem dessa espécie. O tratamento biológico pretende aumentar a proporção de inimigos naturais indígenas.
Os benefícios deste meio de luta são a redução do gasto em produtos químicos; a maior segurança alimentar e proteção do meio ambiente pela redução do uso de produtos fitossanitários; a melhoria da saúde do ecossistema; a volta às condições ecológicas do ecossistema antes da introdução da praga. Contudo, uma série de limitações podem ser apontadas, nomeadamente: os efeitos indesejados sobre a fauna indígena; o risco sanitário, uma vez que podem estar a ser introduzidos patogénios para as plantas; os auxiliares podem estar infestados e resultar, por isso, ineficazes; é necessário o apoio técnico e, também, comprovar a eficácia dos inimigos naturais na zona da cultura.
Mª José Miranda Arabolaza, Paula Cristina Batista, Sónia Santos

Publicado em 'Mensageiro' de 16 agosto 2012.

Determinação da Idade e Crescimento dos peixes: Como? e Para Quê?

CiênciaBragança
Pode parecer estranho, mas o trabalho de muitos investigadores que trabalham na gestão sustentável das pescas é determinar a idade e crescimento de várias espécies de peixes. Certamente já ouviu falar que muitas espécies de peixes têm um tamanho mínimo de captura. Porquê?
Como é que se avalia a idade e o crescimento dos peixes? As variações que ocorrem sazonalmente na intensidade luminosa, temperatura e disponibilidade do alimento vão influenciar determinados mecanismos fisiológicos dos peixes, ocorrendo períodos alternados de crescimento rápido e lento. Estas variações no crescimento vão induzir a formação anual de anéis concêntricos nas escamas, otólitos (ossos do ouvido interno), vértebras e opérculos. Como estes anéis se originam quando os peixes têm apenas algumas semanas de idade e se mantêm ao longo de toda a sua vida, contando os anéis e medindo as distâncias entre eles é possível determinar a idade e o crescimento dos peixes. De salientar que nada disto é novo. De facto, os naturalistas do século XVII já faziam este tipo de estudos!
Quais são as estruturas ósseas mais utilizadas?
Sempre que possível são as escamas. São fáceis de obter e a sua utilização não implica a morte do peixe.
E, afinal, como é que se determina o tamanho mínimo de captura?
Ao contrário da maior parte dos vertebrados, os peixes são animais que crescem durante toda a sua vida. No entanto, a sua taxa de crescimento decai acentuadamente quando se reproduzem pela primeira vez, porque toda a energia que obtinham até então era somente para crescerem e, agora, passa a ser também necessária para a reprodução. Este aspeto reflete-se na distância entre anéis, que é muito maior quando os peixes são jovens. À medida que a idade aumenta os anéis estão cada vez mais juntos. Assim, quando a distância entre anéis se reduz pela primeira vez significa que o' peixe tornou-se reprodutor.
Para que a pesca seja considerada uma atividade sustentável deve deixar-se que os peixes se reproduzam pelo menos uma vez antes de serem capturados. Contudo, deparamo-nos com um problema. Em muitos peixes os machos e as fêmeas não se tornam reprodutores nem com a mesma idade nem com o mesmo tamanho. Por exemplo, no caso dos barbos', os machos tornam-se adultos quando têm 2 a 3 anos e medem cerca de 10 cm. As fêmeas, por sua vez, só são adultas por volta dos 7 anos, quando têm cerca de 20 cm. Por isso, este peixe só pode ser capturado quando tem, pelo menos, 20 cm (tamanho mínimo de captura). 
Ana Geraldes, Amílcar Teixeira

Publicado em 'Nordeste' de 14 agosto 2012.

UEM realiza curso da Escola de Altos Estudos

A Universidade Estadual de Maringá está realizando curso da Escola de Altos Estudos, que é uma iniciativa da Capes para fomentar a cooperação acadêmica e o intercâmbio internacional em cursos e programas de pós-graduação stricto sensu de mestrado, doutorado e pós-doutorado. Seu objetivo é trazer professores e pesquisadores estrangeiros de elevado conceito internacional para a realização de cursos monográficos, a fim de fortalecer, ampliar e qualificar os programas de pós-graduação de instituições brasileiras.
O curso na UEM, coordenado pelo professor Francisco de Assis Macedo, está sendo ministrado pelo professor Alfredo Teixeira, da Universidade de Bragança, de Portugal. Iniciado nesta segunda-feira, dia 13, prossegue até 8 de setembro, com aulas teóricas e práticas. O curso enfoca a metodologia de avaliação de carcaças de ovinos e caprinos, tendo a ultrassonografia como tema principal.
O Programa Escola de Altos Estudos é financiado pela Capes para cursos de pós-graduação de excelência, ou seja, com conceitos 6 e 7. Além de alunos do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da UEM, o curso está recebendo pós-graduandos em Zootecnia de outras universidades do Paraná, São Paulo e Bahia. Os créditos da Escola de Altos Estudos valerão para os programas de pós-graduação.
Publicado em 'UEM'.

Treino de Força Muscular em Idosos

Ciênci@Bragança
O envelhecimento está, de uma forma geral, associado à perda de massa muscular, com repercussões na funcionalidade em realizar as actividades diárias e consequentemente na qualidade de vida. A perda da força e da massa muscular progressiva predispõe esta população a uma limitação funcional, com repercussões na sua independência, sendo este um fator de predisposição para muitos dos processos patológicos associados ao aumento da morbilidade e mortalidade. Porém, o fenómeno em causa, denominado de sarcopenia, deverá ser igualmente interpretado tendo em conta a diminuição da atividade física que acompanha o envelhecimento. Além disso, a perda gradual de massa e força muscular agravam os problemas ortopédicos, levando a uma maior decadência no estado de condição física e de saúde geral.
Este complexo fenómeno que é a sarcopenia deverá ser compreendido como tendo origem em componentes de ordem nutricional, endócrina, nervosa e funcional, com aumento dos problemas ao nível metabólico, diminuição da capacidade funcional e maior susceptibilidade a quedas e fraturas. Geralmente observa-se uma diminuição da flexibilidade e força das estruturas musculares e o predomínio de posturas incorre tas que conduzem a desalinhamentos nas curvaturas da coluna, que por sua vez vão causar perda do equilíbrio.
A realização de atividade física surge como um elemento relevante na prevenção. O tipo de treino que mais tem sido estudado e recomendado é o treino de força. Este tipo de treino tem sido efetuado com elevada tolerância por parte de idosos, com excelentes resultados em termos de adaptação e ganhos na melhoria da capacidade funcional, o que por si só conduz a uma melhoria da qualidade de vida. Desta forma, os efeitos do treino da força na melhoria da função muscular são igualmente apontados como sendo específicos, pelo que outras formas de treino não (ex.: resistência cardiovascular), pois os mesmos não atenuam os declínios funcionais e morfológicos do tecido muscular associados ao envelhecimento.
É fundamental a promoção de programas de intervenção através das Autarquias e entidades locais, de forma a promover a inclusão da população idosa na sociedade, respeitando as necessidades e características do envelhecimento. Além disso, recomenda-se o acompanhamento e supervisão dos programas por profissionais da área das Ciências do Desporto. O respeito pela individualidade transporta normas e princípios que apenas podem ser determinados com conhecimento.
Miguel Monteiro

Publicado em 'Mensageiro' de 09 agosto 2012.

Impacto do IPB na cidade


Exibido em 'LocalvisãoTV'.

Alunos formados no IPB trabalham na região

A região de Trás-os-Montes emprega mais de metade dos alunos formados no Instituto Politécnico de Bragança que conseguiram trabalho.
Um inquérito feito a diplomados que terminaram o curso no ano lectivo 2008/2009 demonstra que uma grande percentagem ficou em Bragança. O vice-presidente do IPB, Luís Pais, sublinha que este estudo revela que a região tem capacidade de fixar os jovens do litoral que vêm para cá estudar. “86 por cento dos nossos graduados estão a exercer uma actividade profissional e o que é mais interessante é que denotámos uma capacidade de fixação dos próprios diplomados. Daqueles que estão a exercer uma actividade profissional, 39 por cento exercem-na em Bragança, e 53 por cento exercem-na em Trás-os-Montes, ou seja nos distritos de Bragança e Vila Real”, realça o responsável.
Luís Pais realça, ainda, que dos mais de mil diplomados que participaram no inquérito, 30 por cento são do distrito de Bragança e 43 por cento são dos distritos de Vila Real e Bragança. O vice-presidente do IPB diz que para além dos licenciados e mestres que arranjam trabalho nas empresas da região, também há quem aposte no seu próprio negócio em Bragança. “Alguma capacidade empreendedora dos nossos alunos. Não podemos esquecer que a região de Trás-os-Montes não é industrializada, é um caminho que ainda temos que percorrer, mas eu acho que esses resultados são prometedores nesse sentido”, salienta o vice-presidente do IPB.
Luís Pais garante que o IPB vai continuar a realizar este inquérito para acompanhar o percurso dos diplomados e também para conhecer o seu grau de satisfação com a instituição de ensino.
Publicado em 'Rádio Brigantia'.

A aprendizagem das ciências nas primeiras idades

Ciênci@Bragança
As crianças pequenas aprendem pela ação através do envolvimento ativo a nível psicomotor, cognitivo e afetivo. O trabalho experimental surge por necessidade de encontrar soluções para os problemas com que as crianças se deparam, envolvendo- as num ambiente de discussão e reflexão sobre os processos científicos e tecnológicos inter-relacionados com a sociedade. Assim, devem envolver-se as crianças em tarefas de índole experimental e de sistematização de saberes da realidade natural, sobretudo os que se referem à natureza da matéria, ao sistema solar, aos seres vivos, à saúde e segurança do corpo humano, entre outros.
No caso particular do tema luz, justifica-se a sua pertinência na aprendizagem das crianças, por um lado porque a luz é fundamental para observarem o que existe à sua volta e para comunicarem com os outros. Por outro, desde cedo as crianças se apercebem da presença da luz e constroem brincadeiras, explorando os seus efeitos.
Estas situações podem ser motivo para a realização de atividades práticas e experimentais que admitem uma multiplicidade de conteúdos como: a luz apenas se propaga em linha reta; apenas vemos os objetos quando neles incide uma fonte de luz; há objetos que emitem luz e outros que não, apenas a refletem; existem materiais transparentes, translúcidos e opacos; quando a luz encontra um obstáculo pode atravessá-lo ou não (provocando uma sombra); a sombra formada por diferentes materiais depende da sua transparência; a luz atravessa materiais transparentes e translúcidos e não atravessa materiais opacos; quanto mais opaco é um material mais nítida é a sombra por ele formada; quanto mais transparente é um material melhor se observam os objectos através dele; a sombra de um objeto é sempre formada no lado oposto ao da fonte de luz que nele incide.
Partindo das questões do quotidiano e envolvendo as crianças na sua descoberta estaremos a contribuir para que elas possam construir saberes científicos que as capacitem para participar na sociedade, cada vez mais global.

Cristina Mesquita-Pires e Maria José Rodrigues

Publicado no 'Mensageiro' 2 de agosto 2012.

How to Win: The Butterfly



Exibido em 'The New York Times'.