10 setembro, 2012

Apicultura: Especialistas de 30 países discutem setor num simpósio internacional em Bragança

Mais de uma centena de investigadores de 30 nacionalidades reúnem-se durante quatro dias, em Bragança, para discutirem a apicultura e elaborarem propostas de regulamentação do setor a apresentar à União Europeia, divulgou hoje a organização.
A implementação de normas para o comércio de produtos, como a geleia real e pólen, com um valor comercial superior ao próprio mel, é um dos temas da ordem de trabalhos do simpósio internacional que decorre entre domingo e quarta-feira, organizado pelo Centro de Investigação de Montanha do Instituto Politécnico de Bragança e pela Federação Nacional dos Apicultores de Portugal.
Segundo explicou à Lusa o coordenador do evento, Miguel Vilas Boas, "é deste fórum de discussão que muitas vezes sai a legislação e a regulamentação que a União Europeia aplica na apicultura".
No simpósio de Bragança serão apresentadas, de acordo com aquele responsável, "as primeiras propostas de regulamentação para a exportação da geleia real e pólen, que serão encaminhadas aos peritos da União Europeia".
A geleia real é um dos produtos mais caros da apicultura, vendida sobretudo para indústria farmacêutica, mas que também é consumida diretamente, assim como o pólen.
"Um dos grandes problemas na Europa é que a galeia real é toda importada da China e é necessário haver legislação para assegurar parâmetros de qualidade", afirmou.
A exploração comercial interna destes produtos ainda é pequena, segundo o coordenador do evento, que apontou o caso de Portugal, aonde "apenas um ou dois produtores exporta geleia real".
O interesse pela apicultura tem crescido em Portugal com uma produção média anual de mel que ronda as 10.800 toneladas, que representam um negócio superior a 29 milhões de euros em que a procura é superior à oferta.
O presidente da Federação Nacional dos Apicultores de Portugal (FNAP), Manuel Gonçalves, adiantou à Lusa que estão registadas no país 600 mil colmeias de 17 mil apicultores, mil dos quais profissionais que vivem exclusivamente desta atividade e detêm 40 por cento do total das colmeias nacionais.
A atividade é rentável, assegurou o dirigente, adiantando que "um apicultor com 350 colmeias, o patamar mínimo de rentabilidade de uma exploração apícola, consegue tirar um vencimento, para ele e outra pessoa, na ordem dos mil euros, amortizar o investimento e no final de seis anos tem tudo pago".
A realização do simpósio internacional em Bragança reflete, segundo os organizadores, "a dinâmica do setor apícola em Portugal e também a importância que a atividade representa na região" de Trás-os-Montes.
A maior parte dos participantes neste encontro são oriundos de países europeus, mas também de Brasil e Colômbia, Arábia Saudita, Rússia e Irão.
HFI. Lusa/fim
Publicado em 'Porto Canal'.

Rios transmontanos têm mexilhões de água doce

Há mexilhões de água doce raros nos rios transmontanos. São populações únicas que despertaram o interesse de mais de 100 especialistas de 20 países que vieram a Bragança mergulhar.
Exibido em 'SIC'.

Menos alunos no IPB

Nove licenciaturas do Instituto Politécnico de Bragança ficaram sem alunos.
Na primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior, das 1873 vagas que a instituição de ensino superior disponibilizava, foram preenchidas 555. Ainda assim, o presidente do IPB acredita que todas as vagas vão ser ocupadas.
“Este ano houve uma diminuição acentuada do número de candidatos e uma grande retracção sobretudo nas áreas de engenharia e tecnologias”, refere. “O instituto teve menos 72 alunos do que no último ano, mas esperava que a quebra fosse maior, tendo em conta a realidade”, acrescenta Sobrinho Teixeira, admitindo que “isso deixa-nos preocupados mas optimistas ao mesmo tempo porque o número de candidatos que temos noutros regimes irá compensar esta quebra”. E explica que “esperamos complementar através dos cursos de especialização tecnológica, alunos estrangeiros regimes especiais”.
Na Escola Superior Agrária, ninguém concorreu às engenharias Agronómica, Alimentar, Biotecnológica, Florestal e Zootécnica. Na Escola Superior de Tecnologia e Gestão as engenharias Electrotécnica e de Computadores e a de Química e Biológica também não registaram entradas. O mesmo aconteceu à licenciatura em Gestão pós-laboral. Já na Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo de Mirandela, o único curso que não registou entradas foi Informática e Comunicações.
Sobrinho Teixeira justifica o panorama com a portaria que entrou em vigor relativa às provas específicas. “Fizemos uma análise e, a nível nacional, o número de alunos na área das engenharia e tecnologias decresceu perto de 80%”, revela, acrescentando que “este ano entrou em vigor uma portaria que exige a passagem em simultâneo nos exames de matemática e físico-química, mas o ensino secundário não fez um esforço para aumentar o sucesso escolar e o resultado é que houve mais alunos reprovados e muito menos alunos a entrar na área das tecnologias”.
Quatro cursos ficaram com todas as vagas preenchidas: Desporto, Análises Clínicas, Enfermagem e Farmácia. Enfermagem é a licenciatura com a média mais alta do IPB (13,48) e a mais baixa (9,5) é a dos cursos de Educação Básica e Design de Jogos Digitais. Ainda assim, foi a licenciatura em Gestão que colocou o maior número de alunos (70).
Para a segunda fase ainda estão disponíveis 1321 vagas.

Publicado em 'Rádio Brigantia'.

05 setembro, 2012

IPB ganha escala internacional

O Instituto Politécnico de Bragança acolhe neste mês seis eventos científicos nacionais e internacionais.
O Congresso Internacional de Biologia e Conservação de Bivalves de água doce começou ontem, em Bragança, e reúne mais de cem investigadores de todo o mundo. As duas populações de Bivalves, conhecidos como “mexilhões do rio”, existentes nos rios Rabaçal e Tuela, levaram à organização do Congresso Internacional de Biologia e Conservação de Bivalves, em Bragança.
O docente do IPB responsável pelo evento explica que o interesse de mais de cem especialistas, representantes de vários países mostra a importância deste congresso para Bragança. “Penso que é um evento que o número de participantes, por si só diz tudo. São mais de 20 países representados, desde a América, do Chile, da Finlândia, da Suécia, da Rússia, enfim, toda a europa”, realça.
Amílcar Teixeira sublinha que o principal objectivo é desenvolver projectos que visem a protecção e conservação da espécie, através de um ciclo de conferências e debates. “Muitas destas populações estão ameaçadas, por exemplo, por barragens. Hoje em dia temos imperativos económicos e temos que compatibilizar todos estes aspectos. De facto é fundamental, mais do que extremarmos posições, é percebermos como é que nós devemos organizar o território”, salienta o responsável.
Neste mês o IPB realiza para além deste mais cinco eventos científicos abrangendo várias áreas.
Nos dias oito e nove, decorre o Congresso Nacional de Malacologia, dia nove começa o segundo Colóquio Internacional de Produtos com Mel, a dezasseis o décimo primeiro Encontro de Química dos Alimentos, a vinte e oito o quarto congresso da Fauna Selvagem WAVES Portugal, e no dia vinte e nove a segunda Conferência da Rede Europeia das Universidades de Ciências Aplicadas

Publicado em 'Rádio Brigantia'.

Escola Superior de Mirandela vai ter novas instalações

As obras de construção das instalações definitivas da Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo (ESACT) de Mirandela, já foram adjudicadas.
Vão custar cerca de 4 milhões e 350 mil euros, carecendo agora de autorização da Assembleia Municipal e do Tribunal de Contas, como determina a Lei dos Compromissos. O presidente da câmara de Mirandela gostaria que a obra começa-se já no próximo mês de Outubro.“Por causa da lei dos compromissos, que nos obriga a um conjunto de regras que antes não tínhamos para este tipo de obras, teremos de aguardar pelos procedimentos legais que é ir levar o assunto à Assembleia Municipal e depois ao Tribunal de Contas”, explica António Branco, acrescentando que por esse facto “não consigo adiantar uma data concreta mas a nossa esperança é que no início de Outubro consigamos iniciar a obra”.A Assembleia Municipal de Mirandela realiza-se na próxima sexta-feira.
Recorde-se que a ESACT começou como pólo do Instituto Politécnico de Bragança, em 1995, com 70 alunos, utilizando instalações provisórias, cedidas pela autarquia. Passou a escola autónoma em 1999, e com o aumento constante de alunos, a direcção da escola viu-se obrigada a alugar salas do edifício da Portugal Telecom. Apesar das constantes reivindicações e promessas de governos anteriores, a verba nunca chegou a vir.
O edifício, cuja obra foi agora adjudicada, vai ficar instalado num terreno cedido pela autarquia onde já funciona a cantina.
Publicado em 'Rádio Brigantia'.

04 setembro, 2012

Aprender a brincar

Aluna do IPB desenvolve projeto de prevenção do bullying

Exibido em 'LocalvisãoTV'.

A dimensão ambiental da educação

CiênciaBragança
“Meio ambiente” e “Educação” têm sido dois conceitos que têm evoluído juntos desde a origem da humanidade. Desde muito cedo o Homem começou a interagir com o mundo que o rodeava, ensinando os seus filhos a fazer o mesmo. Os primatas, por exemplo, desenvolveram uma perceção dos sistemas naturais e um profundo respeito por eles, passando esse conhecimento e respeito de geração em geração. Inicialmente, a relação do Homem com o meio ambiente estava essencialmente ligada à questão da sobrevivência, uma relação que sustentava uma natureza mais poderosa do que os Homens.
Com a evolução da civilização esta posição mudou. A natureza começou a ocupar uma posição de subserviência em relação ao Homem. Passou a procurar conhecê-la para a dominar, explorar, e o seu estudo pretendia satisfazer a curiosidade das pessoas a respeito do seu mundo.
A consciência acerca da dimensão ambiental surge a partir do Renascimento, quando chegam à escola os novos ares de renovação educativa que propiciam a inclusão do “Meio Ambiente”, como estímulo educativo, como recurso, conteúdo ou via metodológica.
O desenvolvimento das sociedades atuais tem conduzido a uma degradação generalizada do ambiente e a uma utilização irracional dos recursos naturais. Este quadro negro levou a uma consciencialização crescente das populações em geral e, paralelamente, à tomada de decisões pelo poder político em prol da proteção e conservação do ambiente. A educação vem na sequência lógica deste processo, e surge da necessidade de adquirir conhecimentos, tendo em vista a proteção da natureza e, assim, a correção de erros passados e atuais.
Para que a mudança seja possível é necessário mudar o próprio Homem, e isso só se consegue através da educação. Tal como se assumiu no ponto 3 do capítulo 36 da Agenda 21, no Rio de Janeiro: “A Educação é decisiva para promover o desenvolvimento sustentável e para melhorar a capacidade das pessoas para responder às questões de ambiente e desenvolvimento”. Neste sentido, o desenvolvimento da Educação Ambiental no sistema educativo necessita de uma nova abordagem que favoreça a sua integração no currículo escolar para que as crianças e jovens, para além de adquirirem conhecimentos sobre o ambiente, mudem os valores, atitudes e comportamentos para adotarem um estilo de vida compatível com um desenvolvimento sustentável. Importa, sobretudo, que se capacitem e criem propostas que contemplem a interdependência entre o ambiental, o político, o económico, o local e o global.
Além disso, já não se trata apenas de consciencializar, mas sim de atuar, e somente a Educação Ambiental pode preparar os cidadãos para que assumam as suas responsabilidades, modifiquem os seus comportamentos e atuem a favor do ambiente.
Mas, ainda assim, num planeta finito, os limites da humanidade serão, apesar do engenho tecnológico, as leis da natureza.
Márcia Moreno
Publicado em 'Mensageiro' de 30 agosto 2012.

Como reage o nosso corpo à variação da temperatura?

CiênciaBragança
A todo o momento, acontecem, no interior do corpo humano, diversas reações químicas, quando nos movimentamos (através dos músculos), quando comemos, quando trabalhamos, quando nos divertimos, quando recuperamos de alguma doença, quando sorrimos, choramos e também quando captamos energia para nos mantermos vivos.
O corpo humano, ao longo dos anos, sofreu transformações e tem evoluído para melhor se desenvolver e adaptar ao ambiente. Todas as partes que o constituem funcionam de forma integrada e em harmonia com as outras.
A temperatura interna do ser humano, em condições normais, mantém-se constante e independente das variações da temperatura ambiente. Pelo contrário, a temperatura superficial, ou seja, a da pele, varia de acordo com a temperatura do meio ambiente, dentro de certos limites. O organismo utiliza a camada externa, pele e tecido subcutâneo, como um regulador auxiliar da sua temperatura interna. O que acontece quando temos frio? Arrepiamo-nos e, deste modo, aquecemos. E quando temos calor? Libertamos suor pelos poros da pele, ou seja, arrefecemos. É esta constante adaptação do nosso corpo aos estímulos externos que nos mantém em harmonia com o meio ambiente.
Quando a temperatura interna atinge os 42ºC, uma pessoa pode entrar em coma, pois ocorre um conjunto de transformações químicas que levam ao funcionamento deficiente dos órgãos, podendo causar a morte.
A hipertermia tem como consequência a perda de líquido e sais minerais, podendo originar náuseas, tonturas, vómitos, confusão, perda de consciência e desidratação, delírio, cãibras musculares e perturbações visuais. Pelo contrário, quando estamos com hipotermia, a temperatura do organismo desce abaixo da temperatura normal, o que prejudica o metabolismo. As pessoas entram numa fase de tremor, provocada pelas contrações dos vasos sanguíneos, dormência nos membros, esfriamento dos pés e das mãos, problemas respiratórios, entre outros, e nas situações mais avançadas, a hipotermia provoca falta de memória, dificuldades em controlar os membros, perda dos sentidos e da pulsação e as pupilas ficam dilatadas.
Em suma, não podemos esquecer que se o nosso organismo está a aumentar ou a diminuir a temperatura interna, estará, de alguma forma, a tentar manter-nos em equilíbrio. De facto, o nosso corpo não reage por acaso.
Assim, para a sobrevivência de qualquer organismo humano é fundamental que este esteja em equilíbrio com o meio ambiente, sendo a temperatura um importante mecanismo de regulação.
Rita Moreira Pires
Publicado em 'Mensageiro' de 23 agosto 2012.

O mundo atual seria o mesmo se o papel não tivesse sido inventado?

CiênciaBragança
Há muitos anos atrás, no tempo em que os homens viviam em cavernas, estes pintavam situações do seu dia a dia nas paredes das grutas. A pedra foi durante muito tempo o único material de registo utilizado.
No ano 3500 antes do nascimento de Cristo, os egípcios inventaram um novo material de registo, feito a partir de papiro, uma planta que crescia nas margens do rio Nilo. O talo desta planta era cortado em tiras longas e finas, que depois de sobrepostas e cruzadas, eram batidas com um martelo, secas ao sol e finalmente alisadas com uma pedra polida. Foi a palavra “papiro” que deu origem à palavra “papel”.
Por sua vez, o pergaminho situa-nos na Ásia Menor, na cidade de Pérgamo, onde os seus habitantes desenvolveram uma técnica de secagem de peles de animais, que depois de raspadas, secas e polidas com uma pedra pomes, se tornavam lisas e flexíveis, permitindo que se escrevessem nelas, dos dois lados. Este novo material de escrita, embora dispendioso, foi utilizado na Europa durante quase toda a Idade Média.
A invenção do papel é atribuída a T-Sai Lun, no ano 105 depois de Cristo, na China. Durante mais de 500 anos este segredo foi guardado pelos chineses, até que no ano 751, em Samarcande, os Árabes tomaram conhecimento desta técnica. A partir daí, o fabrico do papel difundiu-se por toda a Europa. Pela mão dos árabes, a técnica da produção de papel aproximou-se, progressivamente, da Península Ibérica, surgindo em Espanha no ano de 1150.
Em Portugal, o primeiro moinho de papel surgiu somente em 1411, na cidade de Leiria. Os moinhos de papel, tal como os moinhos de cereal, aproveitavam a energia hidráulica, a energia da água e, por isso, localizavam-se junto a cursos de água. O papel era produzido a partir de trapos de algodão ou linho, aproveitando-se roupas velhas para esse fim. Contudo, quando as necessidades de papel aumentaram e os trapos já não eram suficientes para a sua produção, começou-se a reutilizar o papel velho como matéria prima para a produção de papel novo.
Como vê, a reciclagem já não era, na altura, uma novidade! Há mais de 100 anos, os fabricantes de papel encontraram uma nova matéria prima, a pasta de celulose, que é retirada da madeira das árvores. A partir dos anos 60, o eucalipto tornou-se a espécie mais utilizada para o fabrico de celulose, uma vez que apresenta um ciclo de crescimento mais rápido do que outras espécies arbóreas e, por isso, tornou-se a principal fonte de fibras para a produção do papel. Este facto constitui uma ameaça à biodiversidade planetária, pois verificam-se plantações massivas de monoculturas de eucalipto e, consequentemente, o corte de milhares de árvores, provocando uma visível desflorestação. A solução poderá passar pela reciclagem de papel, ou seja, pelo aproveitamento de papel usado como matéria prima para o fabrico de papel novo. Desta forma, uma tonelada de papel reciclado evita o abate de 15 a 20 árvores.
O processo de reciclagem, com enormes vantagens, começa, nos aglomerados populacionais, pelo uso de recipientes de recolha de papel usado. Quem não conhece o contentor azul do Ecoponto?
Márcia Moreno
Publicado em 'Jornal Nordeste' 21 agosto 2012.