As filas que se formavam à porta do edifício
onde se processavam as matrículas dos
novos alunos do Instituto Politécnico de
Bragança já esta semana deixavam adivinhar
que algo não batia certo entre os números
divulgados pelo Governo relativos
ao concurso nacional de colocação de estudantes
no Ensino Superior.
As imensas
filas que se faziam sentir, apesar do sistema
montado propositadamente para esta
ocasião, indicavam mais massa humana
do que a prevista, “Para além do concurso
nacional, tivemos mais 1455 alunos do
concurso local”, adiantou ao Mensageiro
Anabela Martins, a responsável pelo Gabinete
de Comunicação e Imagem do IPB.
Estes vêm juntar-se aos mais de 400 que
entraram na primeira fase do concurso
nacional. “Só dos cursos de especialização
tecnológica (CETs) entraram, na primeira
fase, quase 800 alunos”, indicou.
Afinal há almoços grátis
Anabela Martins lamenta que se venha
perdendo a aposta no ensino superior, pois
Portugal tem apenas 17 por cento de licenciados, contra os 32% da OCDE.
Mesmo assim, o IPB deverá manter cerca
de sete mil alunos.
Como se disse, os novos
aproveitaram as últimas duas semanas
para afazer a sua inscrição e as surpresas
começavam ainda na autoestrada. “Colocámos
uma tarja com a indicação da saída
correta, de forma a que quem não conhecesse
não tivesse de passar pelo pórtico das
portagens desnecessariamente”, explicou
Ricardo Pinto, presidente da Associação
Académica do IPB. A partir desse sinal, o
caminho estava todo sinalizado até à escola.
“Facilitou muito. Não foi preciso pôr
a morada no GPS, viemos cá dar direitinhos”,
confessava Fernando Lopes, que
veio de Aveiro trazer o seu filho. “Agora
já sei o que o meu pai sentiu quando me
entregou assim”, desabafou, enquanto o
filho, Fábio, cumpria o ritual. primeiro,
uma foto tipo passe de “mais um boémio.
Depois, toda a parte burocrática, que teve
de enfrentar sem a ajuda paterna. “É uma
forma de eles começarem a ganhar autonomia.
Como não têm de fazer pagamentos,
os pais aceitam bem”, explicou Dina
Macias, do IPB.
A mesma responsável adianta que este ano
foi a primeira vez que as matrículas funcionaram
no novo edifício dos Serviços Gerais
do IPB. “Tivemos a preocupação que
os estudantes estivessem sentados durante
a espera”, por exemplo, diz a professora, sobre
as novidades.
Houve também uma colaboração
estreita com a Associação Académica,
que também ofereceu um kit aos
novos alunos, que inclui, entre outras coisas,
contactos de emergência “disponíveis
24 horas por dia”, segundo Ricardo Pinto,
e senhas para almoço ou jantar “para o aluno
e os seus acompanhantes”. “Assim evitamos
que desperdicem dinheiro em cafés
e já ficam a conhecer a cantina, onde até se
come bem”, frisa o líder estudantil.
Depois do preenchimento dos papéis para
o cartão de estudante, os novos alunos recebem
outro kit do GIAPE, com merchandising
da instituição.
Fábio Lopes depressa se sentiu encaminhado,
ele que concorreu para design de
jogos de video, em Mirandela, como primeira
opção.
A forma como as matrículas estavam organizadas
merecia rasgados elogios por parte
de alunos e pais, até porque o cuidado com
eles incluía um parque de estacionamento
especialmente liberado para o efeito.
No final do processo, os caloiros eram recebidos
por elementos das associações de
estudantes das respetivas escolas. “Estamos
a receber os caloiros para os orientar para
o Instituto. Somos da Associação de Saúde.
Estamos a explicar como vai ser a praxe, o
curso, etc”, explicaram Inês Marcos e Vítor
Dias ao Mensageiro.
Publicado em 'Mensageiro de Bragança' de 19 setembro 2013.