30 novembro, 2006

Politécnico de Bragança ultrapassa previsões com mais de dois mil novos alunos

O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) conta neste ano lectivo com mais de dois mil novos alunos, um número superior às previsões da tutela, que obrigou a abrir vagas adicionais, revelou a instituição.
Agência LUSA

O presidente do IPB, Sobrinho Teixeira, afirma, em comunicado, que o instituto "ultrapassou em 1200 alunos a previsão de entradas feita pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, tornando-se no maior instituto politécnico do interior do país".

O IPB contabiliza neste novo ano lectivo 6100 alunos distribuídos por cinco escolas - Saúde, Educação, Agrária e duas de Tecnologia e Gestão, uma das quais em Mirandela.

O presidente do IPB realça o facto de a Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Mirandela ter ultrapassado os 1000 alunos, assumindo-se como "a maior escola desconcentrada do país".

"Neste ano lectivo, matricularam-se no IPB mais de 2000 novos alunos, tendo sido necessária a solicitação de vagas adicionais ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de forma a atender à procura generalizada observa da nesta instituição", refere-se no comunicado.

Segundo a fonte, para estes resultados contribuíram a procura de candidatos detentores do grau de bacharelato para ingresso nos novos planos de estudos adequados ao Processo de Bolonha, que lhes permitirá obter o grau de licenciatura e de mestrado em menos anos que no plano de estudos anterior.

Outro contributo foi dado pelo novo regime de acesso ao ensino superior para maiores de 23 anos.

O IPB obteve 1115 candidaturas a este regime, tendo sido colocados 596 alunos nos vários cursos da instituição. O presidente do IPB entende que "o instituto cumpre, assim, uma das suas funções essenciais que constitui a requalificação de quadros e desenvolvimento da região em que se insere".

O politécnico de Bragança iniciou a sua actividade em 1986 com duas escolas e 120 alunos.

O politécnico é actualmente o maior dinamizador económico do Nordeste Transmontano com 6100 alunos divididos por cinco escolas em 42 licenciaturas.

O instituto tem ainda 29 mestrados aprovados, no âmbito da reestruturação feita ao abrigo do processo de Bolonha, e conta com 390 docentes e quase 300 funcionários.

Publicado em 'RTP Informação' de hoje.

29 novembro, 2006

Universidades divulgam onde trabalham ex-alunos

As universidades portuguesas vão passar a disponibilizar ao público informação sobre o percurso profissional dos seus licenciados, com o objectivo de tornar mais clara aos futuros candidatos à entrada no estabelecimento de ensino quais as oportunidades de emprego e carreira que podem vir a ter com o seu diploma.

Esta é uma das medidas presentes no Simplex 2007 - a segunda edição do programa de simplificação dos procedimentos administrativos - e que foi ontem colocada para consulta pública pelo Governo. O documento foi publicado na página de Internet da Unidade de Coordenação da Modernização Administrativa (UCMA) e inclui medidas para 17 áreas na categoria da cidadania e 15 na categoria das actividades empresariais. O objectivo nesta fase é recolher sugestões, para que no início do próximo ano se apresentem as medidas de forma mais detalhada e com prazos de concretização definidos.

Esta medida, incluída na área "empregar e trabalhar", passa por "criar um sistema, comum a todos os estabelecimentos de ensino superior, de informação sobre o percurso profissional dos seus diplomados durante um período de cinco anos após a obtenção do grau". A informação será dada "de forma não personalizada" e terá como complemento "informação relevante sobre o desemprego de diplomados do ensino superior".

Nascimento, casamento e pensões
Para além de algumas medidas originais, em campos como a cultura, educação ou segurança, o Simplex 2007 aponta as suas baterias para algumas áreas em que os portugueses mais sentem o peso da burocracia.

Assim, como já tinha sido anunciado, a simplificação do processo de aquisição e venda de casa é um dos objectivos. No entanto, por enquanto, são dadas poucas pistas sobre a forma como se pretende cumpri-lo. No documento, apenas é afirmado que se irá "simplificar e agilizar o processo de compra e venda de casa em todas as suas dimensões e passos". Para além disso, o Governo compromete-se já a substituir a actual ficha técnica de habitação por uma ficha técnica electrónica simplificada e alargada a todos os tipos de imóveis. Será também criado um bilhete de identidade do imóvel, guardado em formato electrónico na Conservatória do Registo Predial e com consulta livre na Internet. "Eliminar actos de registo predial" e "informatizar, pelo menos, 50% das matrizes prediais rústicas, são outras medidas ao nível dos imóveis.

A redução da burocracia nos casamentos, divórcios e separações é outra área abrangida pelo Simplex 2007, através da eliminação e simplificação de actos de registo civil e de actos notariais conexos. Os pormenores também ainda não são conhecidos. O acto do nascimento também será alvo de uma simplificação, permitindo-se que a realização do registo do nascimento possa ser feita fora da conservatória "como, por exemplo, em hospitais".

O documento ontem divulgado afirma também que se irá "eliminar progressivamente a competência territorial das conservatórias do registo civil", o que, na prática, possibilita a prática de qualquer acto - como o nascimento, casamento ou divórcio - em qualquer conservatório do país, independentemente da sua localização.

Para o recebimento de prestações sociais ao nível da Caixa Geral de Aposentações, o Governo também anuncia a futura concretização de medidas destinadas a facilitar a vida dos beneficiários. Assim, para quem tem direito à pensão de sobrevivência, pensão por morte em serviço, subsídio por morte e outros benefícios, deixa de ser necessária a apresentação anual de prova documental de rendimentos. De acordo com o Simplex 2007, "a informação passará a ser fornecida à CGA, em suporte electrónico, directamente pela Direcção-Geral dos Impostos".

Publicado no jornal 'Diário de Notícias' de hoje.

27 novembro, 2006

Financiamento da ciência atrasado quase um ano

Elsa Costa e Silva

Parte significativa das instituições portuguesas financiadas pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia tinha recebido, no início de Novembro, apenas 15 a 40% do seu orçamento anual. Atrasos nos pagamentos que, para as unidades ouvidas pelo DN, causam "grandes dificuldades" e que, explicam os seus responsáveis, são recorrentes. A situação resulta da, até agora, quase exclusiva dependência do financiamento de fundos comunitários.

A situação pode, contudo, vir a mudar já no próximo ano, já que o Governo vai desviar verbas do Orçamento do Estado para financiar directamente as instituições (ver texto secundário). Uma medida que era há muito esperada pelas instituições que, se por um lado recebem explicações para os atrasos com base nas burocracias de Bruxelas, por outro, lembram a decisão política do Estado em não assumir o financiamento da ciência, relegando essa função para a União Europeia.

Equipamento
"Todos os países já resolveram esse problema criando um fundo de maneio", explica Gaspar Martinho, director do Centro de Química Física Molecular, do Instituto Superior Técnico. Os atrasos criam, explica, "uma situação dramática" que deve afectar a maioria das instituições. No seu caso, para além de ter apenas recebido 15% para o financiamento-base de 2006, faltam ainda 5% de 2005. Para o financiamento de projectos de investigação em 2006, recebeu igualmente apenas 15%. Esta situação cria "dificuldades enormíssimas em termos de planeamento e, por exemplo, a aquisição ou substituição de equipamentos está completamente parada".

Adelino Leite Moreira, da Unidade de Investigação e Desenvolvimento Cardiovascular, da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), explica que os investigadores "se habituam a lidar com as dificuldades" e que há "atrasos que geram embaraços nos programas de investimento". E mais: "Chegamos à situação caricata de ter de justificar, no final do ano, porque não gastei o dinheiro que não recebi."

Para além de chefiar uma unidade científica, Adelino Leite Moreira, que está também à frente do Gabinete de Apoio à Investigação da FMUP, afirma que há uma "percentagem significativa das verbas por pagar" e explica que "a situação global é muito similar a todas as unidades". Mas "temos expectativas em relação a 2007: há uma nova dinâmica e novos projectos, ainda que não se traduzam em investimento imediato".

Estabilidade
Mas nem só as dívidas preocupam as unidades de investigação portuguesas. Uma questão que é, por exemplo, essencial para Sobrinho Simões, presidente do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (Ipatimup) - um laboratório associado -, é garantir às instituições estabilidade nas transferências de verbas. Uma medida que pode ser cumprida com o financiamento das unidades pelo Orçamento do Estado, como promete João Sentieiro, presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

Segundo Sobrinho Simões, "a questão mais importante nesta altura é o estabelecimento de regras de jogo que tornem o futuro dos Laboratórios Associados do Centro e Norte do País mais estável". A referência geográfica é importante, já que os Laboratórios Associados de Lisboa e Vale do Tejo, por não poderem receber fundos comunitários (já que a região ultrapassa a média europeia de PIB per capita), são financiados directamente pelo Orçamento do Estado. Os que estão fora deste núcleo central ficam mais dependentes das verbas europeias e, desta forma, sujeitos a maiores atrasos nas transferências de verbas.

O director do Ipatimup adiantou ao DN ter recebido a nota de pagamento de 40% do financiamento de base para 2006. Mas Sobrinho Simões lamenta que "a situação actual, no que se refere às despesas elegíveis, seja muito pior do que no passado próximo" e arrisca-se a ser "inultrapassável".

Publicado no jornal 'Diário de Notícias' de hoje.

Universidades públicas sem dinheiro para pagar subsídio de Natal

Verbas das faculdades cativadas por ordem das Finanças

 Devido à ordem do Ministério das Finanças para que 75 por cento dos orçamentos das universidades públicas fossem cativados, há faculdades sem dinheiro para pagar o subsídio de Natal aos funcionários.
Segundo avança hoje o "Diário Económico", universidades como o Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), o Instituto Superior Técnico (IST) e o Instituto Superior de Agronomia (ISA) não têm verbas para pagar o 13º mês e já pediram ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior que desbloqueie os seus orçamentos. 

O presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), José Lopes da Silva, explicou à Renascença que "a lei do Orçamento para 2006 prevê uma cativação de despesas, ou seja, ao fim e ao cabo, ter verbas e não as poder gastar, excepto no caso de projectos relacionados com a União Europeia." 

Assim, as verbas das faculdades estão congeladas, "o que significa que fioram cativados não só uma percentagem do Orçamento de Estado de funcionamento como também das receitas próprias. E, dentro destas, foram cativadas as propinas, parte das propinas, e também doações que tenham sido recebidas pelas universidades ou pelas faculdades", precisou o reitor, em declarações à Rádio Renascença.

As universidades estão a recorrer a fundos dedicados a outros fins para pagar aos trabalhadores. O DE escreve que no caso do ISEG, os funcionários estarão a receber o dinheiro do 13º mês porque a administração do instituto recorreu a dinheiro destinado a outros fins orçamentais. 

O presidente do CRUP vai hoje tentar apurar a situação das universidades que estão sem verbas, disse à Renascença.

Publicado no jornal 'Público' de hoje.

"Não é correcto introduzir um corte orçamental cego sem ter feito reformas"


Não são precisas avaliações internacionais para saber o que vai mal no ensino superior português. 
O diagnóstico é conhecido e é preciso actuar, diz o reitor da Universidade de Lisboa. 
O que é que o ministério que tutela o ensino superior fez? "Nada", responde.

Por Bárbara Wong


"As universidades vão asfixiar." A previsão é de António Nóvoa, reitor da Universidade de Lisboa (UL), depois de analisar a situação das oito faculdades que fazem parte da instituição que dirige. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) decidiu que, além dos 6,2 por cento de redução no orçamento de funcionamento, as instituições deverão passar a pagar 7,5 por cento à Caixa Geral de Aposentações, mais os aumentos salariais de 1,5 por cento. Tudo somado, a redução pode chegar aos 15 por cento. "Nunca houve um corte tão brutal e não há memória de nenhum país que tivesse procedido a um corte desta natureza.", acusa.
PÚBLICO - Desde que foi conhecido o Orçamento de Estado para 2007 que universidades e politécnicos se queixam da falta de verbas para funcionar. Não é o que acontece todos os anos?
ANTÓNIO NÓVOA - É importante que a opinião pública compreenda que não estamos a defender privilégios de nenhum grupo sócio-profissional, que o que está em causa é uma luta pela defesa das instituições. Desde que foi criado este modelo de financiamento que as escolas recebem, em média, 80 por cento do valor atribuído, ou seja, o dinheiro não é transferido na totalidade. E temos vivido sem gastar um euro a mais. Portanto não se pode acusar as instituições de desperdício. 
O ministro Mariano Gago diz que as instituições têm de fazer crescer as suas receitas próprias. Concorda?
Espero que não estejamos a falar de aumento das propinas porque as famílias portuguesas não pagam tão pouco quanto isso. As receitas próprias são essenciais e hoje em dia não são tão pequenas quanto isso. Mas esse caminho não se faz retirando às instituições a capacidade de funcionamento, faz-se através de reformas.
Que reformas são necessárias? 
Há quatro elementos que são fundamentais para a reforma das universidades. Primeiro é preciso reorganizar a rede do ensino superior. O que é que o ministro fez até agora? Nada. Segundo: O modelo de gestão das universidades está ultrapassado. Em terceiro, toda a gente reclama por um novo Estatuto da Carreira Docente. O que fez o ministro? Nada. À volta destes três elementos há ainda o da avaliação externa e independente. É necessário montar um sistema muito exigente e credível.
Mas Gago pediu avaliações à Rede Europeia para a Garantia de Qualidade do Ensino Superior (Enqa) e à OCDE. Não é um avanço?
Toda a gente sabe o que é preciso fazer porque o diagnóstico já foi feito. Na área do ensino superior anunciaram-se muitas coisas mas ainda não se fez nada e já perdemos dois anos de governação. Não é correcto, do ponto de vista político, introduzir de forma cega um corte orçamental na ordem dos 15 por cento sem ter feito qualquer reforma. Este corte brutal vai criar uma situação insustentável e de ingovernabilidade das instituições.
As reformas deveriam vir primeiro?
A decisão [de reduzir o orçamento] revela um grande desconhecimento por parte de Mariano Gago. E isso nota-se nas afirmações que fez [na apresentação do relatório da Enqa, a semana passada]: quando questionado sobre os cortes orçamentais, disse que não teme "nem isso, nem que o aquecimento global submirja todas as instituições com a subida do nível das águas do mar". Essa é uma piada de mau gosto e que mostra bem esta espécie de insensibilidade de quem está a tutelar uma área tão importante para o país como é o ensino superior.
O ministro diz que as verbas para a ciência vão beneficiar as universidades. Isso não vai acontecer?
É ficção. O ministro das Finanças já veio desmistificar essa ideia, quando disse: "Não confundamos ciência com ensino superior."
Porque é que o investimento no superior deveria ser maior?
Portugal é o país com o ensino superior mais barato da Europa. Segundo dados do Eurostat, um estudante português custa cerca de 4450 euros, quando a média da Europa dos 15 é de 8900 euros, praticamente o dobro. Outro dado importante: Portugal gasta um por cento do Produto Interno Bruto (PIB) com o ensino superior, quando a Comissão Europeia já recomendou que se invista dois por cento. Este ano, esse valor pode descer para os 0,93 por cento do PIB. Estamos a afastar-nos da Europa quando deveríamos fazer um esforço de qualificação dos portugueses.
Esses cortes não vão obrigar as instituições a reorganizar-se e fazer com que as mais fracas desapareçam?
Esse é um argumento atraente, mas todas tiveram cortes iguais. O que vai acontecer é que esta política vai conduzir ao estrangulamento das instituições. Daqui a um ano, quando a nova Agência Nacional de Avaliação tiver resultados, já sabemos o que vai dizer: que as universidades são endogâmicas, que estão asfixiadas... Tudo fruto de não terem sido feitas reformas.

Publicado no jornal 'Público' de hoje.

25 novembro, 2006

Cientistas portugueses estudam potencialidades das plantas aromáticas e medicinais


Helena Geraldes

Encontro em Beja reuniu investigadores que trabalham em torno da flora portuguesa
Consideradas autênticas fábricas químicas ou a mais natural panaceia para os males do mundo, as plantas aromáticas e medicinais passaram a ombreira da ruralidade e entraram nos laboratórios à conquista da ciência. Ontem, em Beja, os cientistas portugueses que as estudam reuniram-se para falaram de coisas como testes dos efeitos de plantas tradicionais contra doenças como a sida ou a malária.
Quem trabalha com plantas aromáticas e medicinais garante que o interesse é crescente. "Hoje as pessoas vivem mais e tentam ser saudáveis durante mais tempo", diz Luís Carvalho, do Museu Botânico da Escola Superior Agrária de Beja e organizador do seminário Plantas aromáticas e medicinais - sua utilização e conservação.
A iniciativa, que contou com 220 pessoas, viu-se limitada pela capacidade do auditório do Instituto Politécnico de Beja. "Há pessoas que têm algo para contar e há muitas que querem ouvir."
Murta, coentro, oregão, hortelã, tomilho, lavandula, louro, junipero, dedaleira são algumas das 600 plantas aromáticas e medicinais da flora portuguesa, uma das mais ricas da Europa. "Servem para tudo", diz Luís Carvalho. Talvez por isso, muitas vezes são colhidas descontroladamente. "Qualquer pessoa pode ir ao campo apanhar plantas e vendê-las."

Aposta no cultivo
Ana Maria Barata trabalha no Banco Português de Germoplasma Vegetal, em Braga, e foi uma das convidadas a ir a Beja contar o que sabe. Para evitar a erosão genética, defende uma maior aposta no cultivo. "Nos próximos anos, os colectores (pessoas que vão buscar as plantas à natureza) deveriam passar a colher cada vez menos plantas silvestres e a produzir mais. É um processo de domesticação das espécies que queremos trazer para a agricultura."
A procura não é recente. Da alimentação, como condimento ou meio de conservação, até à cosmética, a utilização destas plantas foi tentando novos campos e hoje mergulhou nos spa, pela mão da aromaterapia.
São autênticas fábricas químicas, especializadas pela evolução natural. "As plantas não podem fugir dos animais. A sua única defesa é a guerra química", evidencia Luís Carvalho.

Medicamentos de origem vegetal
Mas as mesmas propriedades químicas que afastam predadores são bem vindas na medicina. "Entre 70 a 80 por cento da população mundial só utiliza plantas medicinais nos cuidados de saúde primários", salienta Olga Silva, professora auxiliar da Faculdade de Farmácia de Lisboa, citando a ONU. "E 28 por cento dos medicamentos no mercado são produzidos a partir de fonte vegetal".
Olga Silva fala da actividade de espécies da flora europeia nos sistemas cardiovascular, digestivo, imunitário e nervoso. "Existem plantas medicinais quase para tudo", comenta a investigadora, que tem a aguardar luz verde um projecto para estudar a actividade das plantas no HIV. Em Moçambique, deverá ser estudado o seu contributo no tratamento da malária e tuberculose.
"As plantas usadas para fins comerciais não são espontâneas. A matéria-prima tem de ser padronizada, para garantir qualidade, segurança e eficácia", explica Olga Silva. Há laboratórios farmacêuticos que têm os seus campos de cultivo; outros compram a produtores licenciados. "As Nações Unidas e a União Europeia têm normas claras de cultivo e de utilização de pesticidas."
A transposição destas plantas para medicamentos "exige a definição de critérios de qualidade botânica, química e de segurança." No entanto, lembra, ainda há quem consuma tisanas de plantas recolhidas na natureza, de forma descontrolada. Há muita investigação, mas lamenta que a indústria não esteja motivada: "Tem receio de investir em algo que não se sabe se vai ter resultados. Mas nós, investigadores, podemos ir ao encontro da indústria e das suas necessidades."
No Banco de Germoplasma Vegetal, a primeira investigação sobre plantas aromáticas e medicinais começou em 1993, com o alho, para problemas de imunidade ou cardiovasculares. Em 2001, foi a vez das plantas aromáticas.
Mas ainda há muito espaço para descobrir do que são capazes. Luís Carvalho diz que são uma espécie de "eterno retorno: umas caixinhas que, de cada vez que regressamos a elas, mostram coisas maravilhosas".

Publicado no jornal 'Público' de hoje.

Estudo de plantas em rede vai apresentar resultados em 2007


Helena Geraldes

Dezoito instituições estão desde 2004 a trabalhar na Rede Nacional para a conservação e utilização das plantas aromáticas e medicinais, projecto com financiamento do AGRO - Programa Operacional Agricultura e Desenvolvimento Rural. "Trata-se de sistematizar o muito que está feito", diz Ana Cristina Figueiredo, do Centro de Biologia Vegetal da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. O projecto incluiu a prospecção, colheita, conservação, avaliação e estudos antropológicos e conta com a participação de 13 áreas protegidas. Além disso, foram estudadas metodologias em campos de experimentação do Norte ao Sul do país. Em Outubro de 2007, data prevista para o fim do projecto, a investigadora - que analisa a componente aromática das plantas - espera já ser possível "levar ao público uma informação mais organizada"

Publicado no jornal 'Público' de hoje.

24 novembro, 2006

Agricultura subsidiada ao abandono

Teresa Batista
Director regional de Agricultura critica excesso de tractores existentes em Trás-os-Montes
“A região de Trás-os-Montes foi a que registou o maior número de jovens agricultores por ano, mas muitas das explorações ficaram ao abandono e o resultado final foi um apartamento na zona do Porto e um carro”.

Quem o diz é o próprio director regional de Agricultura de Trás-os-Montes, Carlos Guerra, que interveio no colóquio “Políticas para o Interior Norte – Horizonte 2015”, que decorreu na passada quinta-feira, em Bragança.
Outro exemplo da má aplicação dos fundos comunitários no sector agrícola é o número de tractores que foram financiados pelo programa Agris.

“Na região há 35 mil tractores, o que corresponde a uma máquina por duas explorações agrícolas. Nalgumas aldeias há mais tractores do que explorações, pois parte do Agris foi uma distribuição de tractores. Esta foi uma boa maneira de gastar o dinheiro?”, questionou o director regional de Agricultura, acrescentando que “há tractores a mais”.
Atendendo às circunstâncias, Carlos Guerra considera necessário repensar a agricultura, pelo que o apoio a projectos agrícolas no âmbito do Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN) vai obedecer a novas regras.

Autarcas transmontanos defendem apoios prioritários para os sectores do vinho e do azeite
A partir do próximo ano, só os planos para o desenvolvimento da agricultura que demonstrarem sustentabilidade vão receber a totalidade das ajudas.
Por isso, no plano agrícola, o QREN vai dar prioridade às micro-empresas, como por exemplo as cozinhas tradicionais, para aumentarem a competitividade no mercado.
Carlos Guerra salientou, ainda, que, a partir do próximo ano, os projectos para o desenvolvimento do Mundo Rural vão ter uma decisão a nível regional. Por isso, considera fundamental ouvir os agricultores para definir o que é importante para manter o Mundo Rural vivo.
Durante o debate, organizado pela CoraNE, em parceria com a Comissão de Coordenação da Região Norte, Instituto Politécnico de Bragança e Direcção Regional de Agricultura de Trás-os-Montes, também foi manifestada alguma apreensão relativamente às prioridades que são apresentadas no Plano de Desenvolvimento para a zona Norte. No que toca ao reforço da competitividade, o documento destaca as indústrias tradicionais ligadas ao sector têxtil e ao calçado.
Para contrariar os anteriores mecanismos de apoio, em que a maioria dos fundos ficaram no litoral, os autarcas transmontanos salientam que é fundamental apoiar os sectores que contribuem para o desenvolvimento da região, nomeadamente o vinho e o azeite.
Publicado no jornal 'Jornal Nordeste' de 21 de Novembro.

Hotel da Aveleda

Marcolino Cepeda
A Aveleda é uma pequena aldeia do concelho de Bragança localizada junto à orla setentrional fronteiriça, num pequeno vale rodeado de colinas em pleno Parque Natural de Montesinho, nos limites com a vizinha Espanha.
Dista sensivelmente treze quilómetros da cidade e a sua localização é óptima (assim fossem as acessibilidades a este distrito).
Julgo que podemos e devemos retirar das especiais condições que toda esta região apresenta o melhor partido, construindo na aldeia de Aveleda um hotel que possa, juntamente com campos de treinos para futebol, centro médico para atletas, pavilhão gimnodesportivo, quadras de ténis, pistas de manutenção, enfim, todo um conjunto de infra estruturas desportivas, suficientes e necessárias, para aliar o conforto de instalações hoteleiras de alta qualidade à preparação de atletas de alta competição.
Bragança dispõem de valências desportivas com alguma qualidade, tais como os pavilhões municipais, o estádio, as piscinas (a pista de tartan do Instituto Politécnico) e outras que podem e devem representar um papel importante de apoio ao (futuro) complexo turístico da Aveleda.
Temos de ter capacidade para oferecer mais do que a paz e a tranquilidade inerentes a estas nossas terras. É necessário e urgente apostar em turismo de qualidade, pois quando a qualidade, o cuidado e o profissionalismo são a regra as coisas acontecem.
Escusado será dizer que com o aeroporto ali mesmo ao pé não haverá desculpas quanto à distância a percorrer, quanto ao cansaço da viagem…
Qualquer equipa de qualquer modalidade desportiva encontrará aqui as condições ideais para a prática e o conforto e a beleza necessários ao corpo e ao espírito.
Para os amantes de um ambiente puro e de um estreito contacto com a natureza, Trás-os-Montes constitui uma área de imprescindível visita.
Recomendam-se os passeios pedestres pela área do Parque Natural de Montesinho.
Também se pode praticar montanhismo e alpinismo. A pesca e a caça são desportos de eleição nesta região do país.
A nossa gastronomia é única. Os nossos produtos são de primeira qualidade. As nossas tradições ainda são autênticas e genuínas.
Está nas nossas mãos fazer com que as coisas aconteçam. Tudo mudou. É tempo de lutar por aquilo que queremos.
Publicado no jornal 'Jornal Nordeste' de 21 Novembro 2006

23 novembro, 2006

Alunos do politécnico analisam estratégia face ao processo de Bolonha em congresso 

Lusa
I Congresso Nacional do Ensino Superior Politécnico
As associações de estudantes do Ensino Superior Politécnico promovem hoje o I Congresso Nacional do Ensino Superior Politécnico, que decorre até amanhã no Fundão, para debater analisar a implementação do processo de Bolonha, produzir um documento sobre o estado do sector e aproximar as associações.
A organização está a cargo da Federação Nacional das Associações de Estudantes do Ensino Superior Politécnico (FNAEESP) que prevê acolher cerca de 150 participantes no edifício Cidade do Engenho e da Arte.

"Numa altura de grandes mudanças para o Ensino Superior, com a implementação do Processo de Bolonha, é importante juntar os representantes dos estudantes, dos politécnicos e os responsáveis pela educação em Portugal", justifica João Abrantes, presidente da federação.

O processo de Bolonha foi um compromisso assumido em 1999 pelos estados da União Europeia que visa harmonizar até 2010 os graus e diplomas do ensino superior. O principal objectivo é facilitar a mobilidade e empregabilidade dos estudantes na Europa.

No entanto, face a este processo, a FNAEESP entende ser necessário verificar "as dificuldades e as potencialidades das várias áreas de conhecimento patentes no ensino politécnico".

"É preciso encontrar caminhos estratégicos, de acordo com as necessidades do tecido empresarial e a amplitude da livre criação e transmissão de conhecimento", alerta o presidente da FNAEESP.

Nesse sentido, o congresso vai editar "um documento amplo, coerente e e lucidativo, onde se refiram as potencialidades e as ameaças no ensino superior politécnico".

O documento será posteriormente entregue "às entidades competentes, constituindo assim um óptimo documento de análise, reflexão e trabalho para o futuro", acrescenta.

O encontro do Fundão serve ainda para reunir associações de estudantes que, ao longo dos anos, "se têm vindo a afastar e a desinteressar dos vários assuntos discutidos no seio do movimento associativo", lamenta João Abrantes.

A FNAEESP foi criada em 1989, representando cerca de cem mil estudantes de mais de quarenta associações de estudantes em todo o território nacional.


Publicado no jornal 'Público' de hoje.