29 junho, 2010

Jogo da Galhofa atrai crianças e jovens

Galhofa saiu da ESEB para as escolas Augusto Moreno e Paulo Quintela
Há grande receptividade por parte da Federação Portuguesa de Luta (FPL) com vista ao reconhecimento da Galhofa como modalidade desportiva. O processo implica a filiação numa federação oficial, neste caso na FPL.

O departamento de Desporto da Escola Superior de Educação (ESEB) já encetou contactos com aquela organização. Segundo José Bragada, professor na instituição brigantina e autor de um estudo sobre o jogo, a Federação mostrou grande receptividade, no entanto será necessário uma implementação mais robusta para isso se concretizar. “Isto significa que é preciso um maior número de praticantes e um treino regular”, explicou o docente.
Na passada quarta-feira, 16, o Departamento de Desporto organizou o III Torneio de Galhofa, com a participação de 14 raparigas e 20 rapazes de vários escalões de acordo com o peso.
Na ESEB estão a procurar alargar a prática da Galhofa, tendo por base a Educação Física Escolar, mas existem algumas limitações “pois não trabalhamos exclusivamente para isso”, admitiu o professor. O processo acaba por ser “bastante lento”, além de que há poucas pessoas profissionais da área da Educação Física e do Desporto com conhecimentos deste jogo.
A prática da actividade está a aumentar e ganhar cada vez mais adeptos. Para além da abordagem da ESEB, como uma disciplina do curso de Desporto, este ano lectivo, por intermédio dos estagiários da Variante de Educação Física, começou a ser praticada nas escolas Paulo Quintela e Augusto Moreno. Não foi uma implementação abrangente a todas as turmas, mas apenas às turmas onde havia estagiários atribuídos (cerca de 20). “Pelos relatos dos estagiários os alunos aderiram bem a este jogo e participaram empenhadamente. Para José Bragada este facto reflecte uma boa adesão dos mais jovens para a sua prática. Pelo que no próximo ano vão tentar alargar o publico alvo, propondo a sua abordagem em mais escolas da cidade ou, mesmo, fora.
No departamento de Desporto da ESEB o trabalho actual centra-se na preservação da Galhofa e, principalmente, no seu reconhecimento como uma actividade desportiva-corporal tradicional característica da região transmontana, “reflectindo traços de um povo de ‘lutador’, sério e trabalhador, que foi capaz de transformar uma actividade tipicamente associada à agressividade e violência num confronto corporal leal e justo”, explicou José Bragada.

Departamento de Desporto da ESEB aposta na preservação da Galhofa

A Galhofa é um jogo tradicional das aldeias do concelho de Bragança, foi introduzido no currículo das licenciaturas em Desporto e Educação Física - variante ensino, da Escola Superior de Educação (ESE). Continua a praticar-se nas festas de Natal de Grijó de Parada e Parada.
O jogo esteva em risco de se perder, com a partida dos jovens das aldeias. Actualmente, apenas se pratica em algumas localidades, a título esporádico. Mas é só uma vez, naquele dia e naquela noite, não há treinos, e já é com dificuldade que se arranja gente para participar.
O costume da Galhofa estava integrado nas Festas de Santo Estevão, associada aos ritos de passagem dos mancebos à idade adulta. Era exclusivo do sexo masculino, que realizavam torneios entre aldeias. Os jogos tinham lugar à noite e eram sempre praticados em curral, revestido a palha.
A instituição de ensino está a recolher as técnicas do jogo e a criar um regulamento, uma vez que o jogo não tinha definido, por exemplo, a duração da luta. Estão ainda a desenhar um símbolo e a descrever as técnicas.
Todavia, José Bragada teme que uma “desportivização” da Galhofa possa desvirtuar alguns aspectos do jogo, nomeadamente o seu sentido lúdico, de prazer e de confronto salutar.

Publicado em 'Jornal Nordeste'.

15 junho, 2010

Boas ideias de negócios também surgem em Bragança

Ter uma ideia em Lisboa é bonito mas não funciona em Bragança. É precisamente para combater esse mito que uma empresa de Lisboa, a Ideiateca, juntamente com o núcleo de alunos de Gestão do Instituto Politécnico de Bragança, quer lançar um concurso de ideias.

Aproveitar os recursos da região de Bragança e a mão-de-obra qualificada que todos os anos sai do Instituto Politécnico de Bragança para criar empresas inovadoras que possam ajudar a desencravar a região.

Uma ideia para um concurso que nasceu de uma conversa entre o director da Ideiateca e alguns alunos do IPB.

“Os alunos todos têm medo, não sabem se funciona. Mas numa escola como esta, aparecem negócios possíveis e impossíveis. E alguns a partir dos produtos endógenos, como o castelo, o lago, o vinho, a castanha, os desportos radicais. Há seguramente dez mil ideias de negócios que são potencialmente interessantes”, garante.

Manuel Forjaz até deixa algumas pistas para ideias de possíveis negócios.

“Um dos alunos falava-me da castanha. Mas é boa para quê? Ninguém sabia. Se calhar é boa para o colesterol, para a glicemia. Se calhar é preciso pensar em derivados químicos, farmacêuticos, doce de castanha, arroz de castanha… Não sei, mas só com a castanha, que aqui se faz muito e bem, há-de haver 500 ideias de negócios”, sublinha. “É claro que vamos ouvir sempre que isso já existe, que não funciona. São as abordagens típicas de quem quer que tudo fique na mesma.”

Manuel Forjaz falava à margem das jornadas de Gestão do IPB.

E apesar de esta região estar afastada dos grandes centros de decisão, há ideias que só dão resultado em Bragança.

“Lisboa não tem castanhas. Há um conjunto de activos que podem vir a produzir riqueza porque só estão cá. Por outro lado, há um conjunto de negócios, neste mundo da internet. O que Bragança tem que Lisboa não tem? Um custo de horário mais baixo, facilidade de recrutamento. Aqui temos 200 ou 300 licenciados em Gestão ou engenharia biomédica que em Lisboa não há, porque são recrutados pelas grandes empresas. Há-de ter uma parte patrimonial não usada. E a desertificação há-de estar a deixar aldeias vazias que poderão ser centros de inovação, ou artísticos. É preciso é encontrar a diferença, a oportunidade. Quais são as potenciais ideias geradoras de emprego.”

Apesar da crise actual, Manuel Forjaz considera que o maior problema para as boas ideias avançarem no Interior do país é a falta de união.

À margem de uma conferência sobre as dificuldades de as boas ideias vingarem no Nordeste Transmontano, Manuel Forjaz diz que se as pessoas quiserem, podem fazer desta região um pólo de atracção de empresas.

“Se fizer o que tiver para fazer muito bem feito, é indiferente o sítio onde o faça. Os Bill Gates, os Carlos Slims, não nasceram nas grandes cidades. O que fez deles grandes homens de negócio não foi o facto de nascerem em Lisboa ou no Porto. Foi a qualidade da ideia, a solução e diferenciação. Aonde há vontade há poder. E a região fará dela o que quiser. Se quiserem fazer de Bragança a Sillicon Valley, conseguem. Se quiserem fazer de Bragança a nova Champanhe, conseguem. Eu acredito nas pessoas. A ideia de regionalização, a desertificação, a lamúria permanente, é que é preciso acabar.”

As boas ideias a poderem florescer também no Nordeste Transmontano.

Publicado em 'Rádio Brigantia'.

09 junho, 2010

Cliente Mistério pode ser oportunidade de negócio em Trás-os-Montes

O mistério pode ser uma forma de ajudar o comércio do interior transmontano a combater a crise.

O cliente mistério Confunde-se com o cidadão comum, comprador no supermercado do bairro ou da loja de informática do shopping, mas é quase um agente secreto ao serviço dos próprios donos, com o objectivo de avaliar o serviço prestado pelos seus empregados nas suas lojas.
“Serve sobretudo para identificar oportunidades de formação, falhas graves em termos de serviço de retalho e sobretudo competências de venda e atendimento por parte operadores” explica Manuel Forjaz, director de uma das empresas que se dedica a esse mundo.

Este especialista esteve em Bragança a dar um curso, inserido nas primeiras jornadas de Gestão do Instituto Politécnico de Bragança.
E está convencido que no Nordeste Transmontano há um enorme potencial de negócio.
“Estou convencido que o retalho local está muito longe desta realidade do cliente-mistério” refere.

Manuel Forjaz sublinha que ser Cliente Mistério é uma boa oportunidade para os alunos que agora terminam os seus cursos. “Eu tenho 10 mil clientes mistério e em Bragança sou capaz de ter dois” por isso “a prestação de serviços às grandes empresas de Lisboa que normalmente não têm redes locais de apoio é uma das áreas onde estes jovens pode constituir o seu negocio e criar a sua própria fonte de riqueza” sugere.
Até porque o distrito de Bragança ainda recorre pouco a esta ferramenta, sobretudo, por falta de concorrência entre os comerciantes.

Ideias expressas nas primeiras jornadas de Gestão, que ontem terminaram no IPB.
E para Daniel Andrade, da organização, esta poderá ser uma forma de os alunos que agora chegam ao mercado de trabalho poderem obter alguns rendimentos.
“Pode ser uma forma de os alunos tentarem ganhar algum dinheiro enquanto estão cá a estudar, tendo algum tempo disponível” afirma.

Há dez anos, em Portugal, apenas cinco por cento das maiores empresas recorriam aos clientes mistério.
Actualmente são mais de metade aquelas que o fazem.
Publicado em 'Rádio Brigantia'.