Produtora de cerveja artesanal no Porto lançou cerveja e campanha para apoiar os
produtores de lúpulo de Bragança. IPB e Direcção Regional de Agricultura também querem
apoiar a introdução de novas variedades desta cultura
A empresa “Os Três Cervejeiros”,
com sede no Porto,
está a levar a cabo uma campanha
de apoio à produção de
lúpulo em Portugal, que resiste
apenas no distrito de Bragança
com um produtor em Pinela e
outro em Vinhas.
A empresa,
que produz a cerveja artesanal
da marca “Sovina”, esteve
presente na última edição das
Jornadas de Lúpulo e Cerveja,
organizadas pelo Instituto
Politécnico de Bragança no
verão passado, e decidiu produzir
uma cerveja com lúpulo
fresco, colhido em Bragança.
No entanto, os ingredientes da
cerveja artesanal são normalmente
importados, pois em
Portugal não existe produção
de lúpulo aromático, o mais
apreciado para esta cerveja.
“Praticamente todos os ingredientes
vêm de fora. O lúpulo
que eles produzem é um lúpulo
de amargor que não tem
muito interesse para as cervejas
artesanais. Estamos mais
interessados em lúpulos aromáticos,
que são lúpulos com
muito mais valor acrescentado
no mercado”, referiu ao Jornal
Nordeste Arménio Martins,
mestre cervejeiro desta empresa.
Para produzir a cerveja de
lúpulo fresco, os empresários
portuenses foram a Pinela colher
o lúpulo no final do verão
passado.
Dias depois, o campo
foi atingido por um mini tornado,
que destruiu parte da
estrutura do campo, totalizando
um prejuízo de cerca de 50
mil euros. Uma situação que
levou a “Os Três Cervejeiros” a
lançarem a campanha “Apoio
á produção de lúpulo em Portugal”,
através da plataforma
crowdfunding, disponível na
internet. “Ficámos sensibilizados
com a tragédia e decidimos
lançar uma campanha
para tentar dar uma pequena
ajuda ao produtor. Uma parte
das vendas das garrafas de cerveja
de lúpulo fresco reverte
também a favor da campanha”,
conta Arménio Martins.
A campanha decorre até ao
dia 14 deste mês e tem como
objectivo angariar, pelo menos
2500 euros. O objectivo é
apoiar o produtor de Pinela,
António Rodrigues, a recuperar
a plantação perdida com a
tempestade, com a oferta das
primeiras plantas para o seu
viveiro no valor de 1500 euros.
A empresa quer ainda ajudar
o produtor de Vinhas, Humberto
Sá Morais a introduzir
espécies mais rentáveis, com
uma oferta no valor de mil euros.
“Sabemos que a região de
Trás-os-Montes tem as condições
ideias para a plantação de
lúpulo e estamos a tentar com
o IPB e os produtores revitalizar
a produção de lúpulo no
distrito de Bragança,
acrescentou Arménio Martins.
O produtor de Pinela, explica
que além da empresa de cerveja
artesanal, o Instituto Politécnico
de Bragança vai prestar
apoio técnico para ensaiar
a plantação de novos tipos de
lúpulo. “Os lúpulos aromáticos
nunca foram ensaiados em
Portugal. Vamos testar novas
variedades para ver se podem
ser rentáveis nesta região. As
plantas têm um custo um pouco
elevado, uma vez que terão
de vir de viveiristas alemães”.
O Direcção Regional de
Agricultura do Norte também
já se mostrou disponível
para apoiar os produtores de
lúpulo. Além de estar a acompanhar
o caso da destruição
parcial do campo de lúpulo
em Pinela, este organismo está
empenhado em encontrar formas
de apoiar especificamente
esta produção, através de fundos
comunitários. “O acompanhamento
desse caso é um
assunto e outra coisa é estarmos
a pensar fazer com que,
em relação ao lúpulo, haja um
incentivo para haverem mais
projectos. Mas isso depende
muito dos preços de mercado
do lúpulo que, neste momento,
não são internacionalmente
vantajosos e, portanto, estamos
a estudar até quando será
estratégico ou não avançar
nessa linha”, referiu o director
regional, Manuel Cardoso.
Publicado em 'Jornal Nordeste'.