Semana da Tecnologia e Gestão, na ESTiG, trouxe para análise as oportunidades e desafios para alavancar
o desenvolvimento da região
O grande problema de Trás-os-Montes “é a falta de emprego”,
afirmou João Braga
da Cruz, antigo ministro da
Economia e ex-presidente da
Comissão de Coordenação
Regional do Norte (CCDRN),
no Instituto Politécnico de
Bragança (IPB), à margem da
abertura da Semana da Tecnologia
e Gestão, na passada
segunda-feira. “Porque haveria
mais gente que induziria
mais actividade económica”,
disse. Perante isto, defende
que “face à pressão demográfica
e à desertificação são
necessárias políticas, porque
não se podem deixar morrer
os problemas como se o mercado
se encarregasse de os resolver”,
acrescentou.
Braga da Cruz salientou que
as políticas públicas não podem
deixar de “ter um olhar
especial” para como criar as
condições objetivas para estas
regiões se desenvolverem.
“Também se deve lançar mão
para que possa haver emprego
e competências, apostando
na formação empresarial. A
inovação é decisiva. As instituições
de ensino superior
têm enorme responsabilidade
e criar as condições para que
isso aconteça”, referiu.
O desenvolvimento regional
foi um dos assuntos em destaque
naquela actividade. Mas
afinal do que se fala quando o
assunto é o desenvolvimento
regional? Luís Braga da Cruz
acredita que é uma conciliação
entre duas coisas indispensáveis:
“política pública,
isto é iniciativa por parte do
governo que tem de ser sensível
às áreas mais deprimidas
do país, pois têm tendência
a ficar sem pessoas, e, por
outro lado, dar estímulo aos
agentes económicos para poderem
atuar. Ora para isto é
necessário haver competências,
equipamentos, infraestruturas
e acima de tudo valorizar
a função empresarial”,
justificou.
Centro de valorização
de frutos secos vem para
Bragança
O IPB tem vindo a destacar-
se no trabalho em prol
da região. Nesta altura está a
trabalhar com as outras instituições
de ensino superior
transmontanas, a UTAD e
o Instituto Piaget, para que
o Centro de Competências
na área dos Frutos Secos de
Trás-os-Montes seja instalado
no Brigantia Ecoparque,
em Bragança, um equipamento
que já está na reta final
de conclusão. A castanha,
a amêndoa e outros frutos
são considerados essenciais.
Já existem várias empresas
que de dedicam a este sector.
“Vai ter um papel muito
importante para valorizar
os produtos endógenos. Terá
ainda que haver uma aposta
no sector secundário, uma
vez que o interior começa a
ter alguma atratividade para
captar capital externo. Instalar
sector secundário que
possa introduzir mais mão de obra intensiva”, explicou
o presidente do Instituto Politécnico
de Bragança (IPB),
Sobrinho Teixeira.
A instituição de ensino é parceira
da câmara de Bragança
na criação do parque de ciência
e tecnologia, onde ficarão
alojadas várias empresas
nacionais e internacionais de
base tecnológica.
O presidente do IPB acredita
que o parque pode vir a
ajudar a fixar população na
região. “Pode ajudar a evolução
da demografia. Estamos
a trabalhar na forma como
podemos captar investimento
para a região e o EcoParque”,
acrescentou. Para já não quis
revelar quantas empresas estão
certas para se instalarem
no parque de ciência e tecnologia.
A Semana da Tecnologia
e Gestão serviu para discutir
a forma como a ciência
e a tecnologia podem contribuir
para o desenvolvimento
regional. “Em aspetos que
pode ser filosófica e prática”,
referiu Sobrinho Teixeira.
Mariano Gago, ex-ministro
da Ciência e Tecnologia,
deu como exemplo da ciência
aliada ao desenvolvimento
regional a instalação do
IPB em Bragança. “Há umas
décadas era uma esperança
e hoje é um centro muito
importante de competências
científicas que acabaram
por atrair um número muito
inesperado de estudantes que
vêm de outras regiões”, destacou.
Salientou ainda o facto
de a instituição ter várias
centenas de funcionários e de
docentes. “Estabeleceu uma
rede de contactos privilegiados
na região Norte, no país e
no estrangeiro. A internacionalização
acentuou-se muito
nos últimos anos. É um dos
principais capitais para o
desenvolvimento da região”,
afirmou Mariano Gago, que
acredita o IPB enquanto instituição,
reuniu capacidades
profissionais em quantidade
e qualidade suficientes. “Estou
muito optimista relativamente
ao futuro que pode vir
deste capital aqui investido”,
realçou.
Publicado em 'Mensageiro'.