Desde segunda-feira que os cerca
de 1300 alunos de engenharias
do Instituto Politécnico de
Bragança têm a possibilidade
de mais facilmente acederem à
profissão, depois da assinatura
de um protocolo entre aquela
instituição de ensino e a Ordem
dos Engenheiros. O protocolo foi assinado no dia
de engenharia no IPB.
De acordo com o presidente do
instituto, Sobrinho Teixeira, vai
permitir diversas vantagens aos
estudantes, desde logo, a dispensa
de um exame de acesso à
Ordem. “O IPB vê este protocolo
com muita satisfação porque,
para além daquilo que já estava
assumido para poderem ser
admitidos na Ordem dos Engenheiros,
ficou aqui prometida
uma ação de formação para que
os próprios alunos possam saber
como se faz esse processo. É o
reconhecimento da capacidade
da engenharia que é ministrada
aqui no Politécnico”, frisou.
Para além disso, “o protocolo
também prevê ações conjuntas
na promoção e divulgação
da engenharia e na intervenção
que a própria Ordem pode ter
na elaboração dos curriculae
dos cursos do Politécnico”. “Por
outro lado, a Ordem também se
compromete, ao nível das feiras
de emprego, incluir o IPB nessa
divulgação e ajudar, também,
ao incremento da empregabilidade
da engenharia portuguesa,
que já é muito elevada e, deste
modo, contribuirmos para que
haja mais qualidade e mais alunos”,
explicou ainda Sobrinho
Teixeira.
O distrito de Bragança tem, atualmente,
350 engenheiros inscritos
na Ordem, segundo dados
divulgados pelo delegado
regional, António Afonso, que
acredita que ainda há capacidade
de absorção do mercado de
trabalho destes profissionais.
Isso mesmo foi sublinhado,
também, pelo diretor norte da
Ordem, Fernando Santos, para
quem os cerca de 150 diplomados
que têm saído atualmente
das universidades em engenharia
civil, por exemplo, serão poucos
para as necessidades que o
país enfrentará a curto prazo, de
400 novos engenheiros por ano.
“É uma situação sazonal. É evidente
que não vai haver o boom
da construção mas desenganese
quem pense que em Portugal
está tudo feito nessa área. Ferrovias,
setor marítimo portuário e
manutenção das infraestruturas
já construídas são áreas que vão
exigir muito da engenharia portuguesa.
Aquilo que estamos a
passar é um reequilíbrio. Passámos
do 80 para o oito mas é
natural que um terço da nossa
capacidade possa atingir níveis
que faça com que haja procura
novamente.
Face à necessidade a curto prazo
de engenheiros, vamos passar
de exportadores de engenheiros
a importadores. Resta saber
se os estrangeiros estão ao nível
dos portugueses atualmente”,
alertou.
No último ano, licenciaram-se
cerca de 300 engenheiros no IPB
mas Civil tem sido um dos cursos
com menor procura. Apesar
de não registar entradas pelo
sistema nacional de acesso, tem
18 alunos fruto do sistema de
captação de estudantes do IPB.
Sobrinho Teixeira acredita que,
a breve prazo, haverá uma recuperação
no mercado de trabalho
e, nessa altura, será uma “mais
valia”, manter o curso aberto.
Entretanto, a menor procura do
mercado de trabalho vai alastrar-
se, de acordo com Fernando
Santos, a áreas como a engenharia
mecânica e eletrotécnica,
fruto do contágio do problema
da construção. Mas áreas como
as biotecnologias, novas tecnologias
ou engenharias alimentares
estão a ter grande sucesso.
Publicado em 'Mensageiro'.