15 abril, 2016

Laboratório de participação pública pode impulsionar Escola de Negócios


Os empresários de Bragança reivindicaram a criação de uma Escola de Negócios na primeira discussão pública ao abrigo dos Laboratórios de Participação Pública, realizada no NERBA na passada segunda-feira, 11, sobre o tema “Inovação Empresarial e Escola de Negócios”, uma iniciativa lançada pelo Ministério da Ciência e do Ensino Superior. Da reunião brigantina ficou a promessa de constituir uma equipa de trabalho para criar a referida escola.
A ideia da criação da escola vai de encontro ao defendido pelo secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, que participou no laboratório, que defende que estes se deviam “tornar num motor de desenvolvimento” porque podem aliar o conhecimento do ensino superior com a capacidade empresarial e das organizações. “Para fazer desenvolvimento que seja bem sustentado”, explicou à margem da iniciativa que juntou os responsáveis do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), da Comunidade Intermunicipal Terras de Trás os Montes (CIM), do Centro de Ciência Viva, associações empresariais e empresários.
Deste primeiro laboratório, o secretário de Estado esperava levar “ideias que possa ajudar a desenvolver para ajudar a minha terra”. Ivone Fachada, diretora do Centro de Ciência Viva, revelou que os laboratórios podem ajudar a “promover o conhecimento através de ideias envolvendo todos os cidadãos para criar um nicho de projetos”. Jorge Gomes, que foi empresário e dirigente do Nerba durante vários anos, fez a radiografia do setor: “Temos um tecido empresarial débil, assente nos serviços e não na indústria, e na área da construção e agricultura. Atualmente os serviços são uma área pujante mas tem potencial de crescimento. Podem nascer outras indústrias à semelhança da Faurecia para resolver o problema do emprego”.
Sobrinho Teixeira, presidente do IPB, destacou a importância que o ensino politécnico pode ter no desenvolvimento das regiões. “Bragança é o primeiro local onde se lança este conceito. São laboratórios temáticos, como o ‘cluster’ industrial alicerçado pela Faurecia e a digitalização da industria, a quarta revolução industrial, a constituição de um lobby e de uma diáspora transmontana para mostrar o que é a região, que é pouco conhecida e por isso temos que produzir conteúdos”, enumerou.
Os laboratórios vão percorrer todos os concelhos da CIM Trás-os-Montes, mas também serão realizadas conferências em Torre de Moncorvo (pertence à CIM Douro) sobre os recursos mineiros, como o ferro e o ouro, bem como o aproveitamento do ar comprimido das minas para a produção de energia. “O IPB pode ajudar a trazer retorno para a região e mais valias”, sublinhou Sobrinho Teixeira.
Os empresários queixam-se que na região há demasiada concorrência porque o mercado “encolheu” devido à saída de habitantes. “Os preços e os encargos aumentaram, bem como os impostos. Se não conseguirmos vender daqui para o exterior não vamos ser sustentáveis”, deu conta António Gonçalves, proprietário da empresa Publidigi, com seis funcionários, mas que já chegou a ter nove.
No ramo das telecomunicações há 25 anos, Miguel Monteiro, empresário, defende que a discussão pode ajudar o mundo empresarial. “Isto já devia existir há mais tempo. As pequenas e médias empresas foram reduzidas a mais de 40% nos últimos três anos por falta de incentivos e de boa fé da parte governamental para disponibilizar programas específicos”, lamentou o empresário, que garante “que os empresários de Bragança não são saloios e têm dado provas a nível nacional”.

Publicado em 'Mensageiro'.

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