01 fevereiro, 2010

Vários cursos dos politécnicos podem fechar ainda este ano

Vários cursos desaparecerão já este ano da oferta dos politécnicos, que decidiram hoje fazer uma triagem dos cursos prévia ao processo de avaliação que será levado a cabo por uma agência independente.
O Conselho Coordenador dos Instituto Superiores Politécnicos (CCISP) reuniu-se hoje, em Bragança, com o presidente da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), o organismo que irá proceder à análise e certificação de todos os cursos superiores.

As diferentes instituições públicas e privadas têm de entregar até 05 de Abril à Agência toda a informação para a avaliação dos cursos.

Os institutos politécnicos resolveram, segundo o presidente do CCISP, "fazer uma avaliação prévia, no sentido de tentar ver numa primeira triagem os cursos que são manifestamente maus" e que serão retirados da oferta formativa.

"Esses cursos irão para uma avaliação mais cuidada para ver se podem ou não continuar a funcionar", explicou Sobrinho Teixeira, acrescentando que esta primeira triagem será feita ainda este ano.

"A avaliação destes cursos decorrerá em separado daqueles que oferecem já algum grau de confiança e que entrarão num processo de avaliação normal, [e que serão] avaliados de cinco em cinco anos", disse.

Sobrinho Teixeira alertou, no entanto, para a necessidade de "algum bom senso" pois existem alguns cursos "mais embrionários" em que não é assegurado o determinado por lei, mas que "também não se podem fechar porque senão o país nunca desenvolverá essas competências".

Por outro lado, "há outros casos em que há já uma oferta de corpo docente com competência, mas em áreas em que não faz sentido que existam" cursos, disse.

A reunião do CCISP contou com a presença inesperada do ministro do Ensino Superior, Mariano Gago, que disse apenas acreditar que "a esmagadora maioria das instituições e dos cursos têm condições" para continuar a funcionar.

"Mas temos também consciência de que todos aqueles que prevaricarem, que tiverem baixado a qualidade, devem ser eliminados do sistema", declarou.

A reunião com o ministro serviu para os politécnicos debaterem o "contrato de confiança" celebrado recentemente entre o Governo e as instituições de ensino superior e no âmbito do qual serão disponibilizados 100 milhões de euros para a qualificação de 100 mil activos.

Os politécnicos pedem também que este contrato ajude a desenvolver outros projectos, como a criação de centros de investigação aplicada, cuja avaliação seja feita, não pelo número de publicações científicas, mas pela capacidade de aplicação ao mundo empresarial.

O CCISP quer também um programa que afirme a transversalidade do ensino politécnico a nível europeu e apoie a afirmação do sistema no desenvolvimento do ensino politécnico nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

Mariano Gago garantiu que estas questões estão contempladas no contrato, que define inclusive quanto cabe a cada instituição. Estas, por seu turno, têm as próximas seis semanas para concluir os planos para cumprirem as metas com que se comprometeram.

Publicado no jornal 'Público'.

1 comentário:

  1. Cursos vão ser avaliados e podem encerrar
    Politécnicos reuniram em Bragança com o ministro do Ensino Superior e definiram metas a atingir até Abril

    Vários cursos oferecidos pelos Institutos Politécnicos podem vir a encerrar ou a sofrer reformulações. Após uma reunião em Bragança, o Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) decidiu fazer uma avaliação prévia que permita retirar da oferta formativa os cursos “manifestamente maus”. Até dia 5 de Abril a Agência para Avaliação e Acreditação do Ensino Superior vai avaliar os cursos dos Institutos Politécnicos, deixando de fora, para já, os que “oferecem algum grau de confiança”, conforme explicou o presidente do CCISP e do Instituto Politécnico de Bragança, Sobrinho Teixeira. “Vamos fazer uma avaliação prévia, no sentido de tentar fazer uma primeira triagem dos cursos que são manifestamente maus e que devem ter uma avaliação mais cuidada, para ver se podem continuar ou não a funcionar”, apontou. Sobrinho Teixeira pede apenas alguma atenção para os cursos criados recentemente e que podem ainda não ter um corpo docente suficiente para assegurar o que está determinado em lei, mas que “não se podem fechar, porque senão o país nunca desenvolverá essas competências”. No entanto, haverá outros casos em que “há já uma oferta de corpo docente com competência, mas em áreas em que não faz sentido que existam”, considerou. Presente na reunião esteve o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, que considerou a avaliação como “peça essencial” no controlo da qualidade do ensino superior português. O ministro confia que a “esmagadora maioria das instituições e dos cursos têm condições”, mas considera que aqueles que tenham baixado a qualidade devem ser “eliminados” do sistema. “Quando uma instituição oferece um grau, como uma licenciatura, um mestrado ou um doutoramento, esse tem de valer e tem de ser reconhecido internacionalmente. Todos os portugueses querem que, ao ingressar num curso, não estejam a comprar gato por lebre e que os cursos correspondam aos objectivos anunciados”, apontou. Mariano Gago considera, por isso, que é necessário que a avaliação seja “rigorosa”, para que os cursos que possam não ter qualidade sejam fechados ou repensados. Uma missão que será confiada à Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior, uma instituição independente do Governo e das instituições, respeitada e reconhecida internacionalmente.
    Contrato de confiança em debate

    O ministro aproveitou ainda para discutir com o CCISP os contratos de confiança, assinados recentemente entre as instituições de ensino superior e o Governo. Sobrinho Teixeira apelou a Mariano Gago para que, daqui a três anos, esses contratos de confiança sejam também colocados em avaliação para que se possa monitorizar o desempenho das instituições. Entre outras coisas, os contratos de confiança estabelecem metas ao nível da qualificação e dentro de cada uma das instituições. É um contrato em que, ao reforço de financiamento, corresponde um reforço de responsabilidades no aumento da qualificação dos docentes. A criação de centros de investigação aplicada de base regional, designadamente a partir de consórcios de instituições politécnicas, assim como a internacionalização, são objectivos previstos no contrato de confiança e que os politécnicos se propõe a atingir. Durante as próximas semanas haverá reuniões entre o Ministério da tutela e o CCSISP para definir as metas e calendários para cada um dos institutos politécnicos. Esse trabalho terá que estar pronto a tempo da aprovação do Orçamento de Estado na Assembleia da República.
    em Mensageiro Notícias

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