14 setembro, 2010

Um português no "Karolinska"

Aos 29 anos, Pedro Ferreira é um dos mais promissores investigadores internacionais de doenças infecto-contagiosas do prestigiado Instituto Karolinska, em Estocolmo (Suécia), entidade responsável pela atribuição anual do Prémio Nobel da Medicina.
Dentro de um mês deixará a Suécia, por um ano, para incorporar uma equipa de investigadores do Instituto de Medicina Tropical de Nagasaki, no Japão, e aprofundar conhecimentos sobre a malária.

Filho de um empregado de mesa e de uma cozinheira de Penafiel, o jovem subiu a pulso na vida e, apesar das dificuldades financeiras, não perdeu de vista um promissor percurso académico. Depois de uma passagem pela Estação Florestal Nacional, de conseguir o bacharelato em Engenharia Biotecnológica, de ter estudado no Instituto Politécnico de Bragança, obteve em 2004 a bolsa "Leonardo Da Vinci". Integra, desde então o Instituto Karolinska, frequentando o doutoramento em Ciências Médicas - Malária, graças a uma bolsa atribuída pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.

Membro do Centro de Biomedicina Estrutural e Molecular da Universidade do Algarve, o investigador penafidelense tem mais de uma dezena de artigos publicados em revistas científicas de referência, tendo, no ano passado, sido o rosto da capa de revista no americano "Journal of Infectious Disease". Autor de diversas apresentações internacionais foi um dos oradores convidados do Instituto Pasteur, pela Organização Europeia de Biologia Molecular.

O talento deste jovem foi reconhecido este ano, ao ser distinguido com o prémio de melhor poster científico na conferência ABC2010, em Innsbruck (Áustria), promovida pela Federação Europeia das Sociedades Biomédicas.

A investigação desenvolvida, com incidência no paludismo, já levou Pedro Ferreira a instalar-se temporariamente no Quénia, Tanzânia, Austrália, Bangladesh e na República Dominicana. O próximo desafio passa pelo Instituto de Medicina Tropical de Nagasaki (Japão), onde deverá ficar um ano.

"Em Portugal a investigação melhorou muito, mas ainda faltam incentivos para fazer regressar investigadores portugueses ao nosso país", frisa. Pedro Ferreira considera que "no estrangeiro as oportunidades vão à procura dos investigadores, enquanto que em Portugal os investigadores correm desesperadamente atrás delas, mas sem sucesso".
Publicado em 'JN'.

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